terça-feira, 29 de maio de 2018

O que não fazer na redação do ENEM


Olá, tudo bem com você?

Pense em quantas vezes você já deixou de escrever uma boa redação e consequentemente tirar altas notas, por não ter prestado atenção a pequenos detalhes?

É muito comum, que candidatos a vestibulares, concursos e ENEM sejam levado a focar demais na macroestrutura do texto e deixar de lado o que parece insignificante, mas no final da história rouba grande parte da sua nota.

Pensando nisso, preparei essas dicas fáceis de ler e de se lembrar. Caso precise de ajuda envie uma mensagem no whatsap: 934) 99149 2401.





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Estamos à sua disposição!

(34) 99149 2401

Fátima Oliveira e Frederico Vilhar


Conte-nos o que você achou desse post nos comentários. Nossa intenção é ajudar você!

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Enem: como atingir as expectativas da banca e tirar boa nota na redação





Seguir critérios e  planejar bem o texto pode garantir a nota
Recebo muitos e-mails e mensagens na página do facebook  sobre o que fazer para tirar boa nota na redação de concursos e, vestibulares e ENEM.
A verdade é que não é fácil, mas pode acreditar que é muito simples aprender a escrever para tirar notas que levam a aprovação.

Pense nisso:

Você já leu muitos livros, revistas e jornais. Viu dezenas de filmes. Conversou sobre variados assuntos.  Assistiu a incontáveis telejornais. Está pra lá de preparado. Tem assunto pra dar e vender.  Na hora de escrever seu texto fique calmo. E siga as dicas.


Preste atenção nas Competências exigidas pela banca, pois é a partir delas, com base nelas que o seu texto será corrigido. Pode parecer sem importância. Alguns apenas leem rapidamente as cinco competências, mas esse comportamento pode prejudicar, e muito, a sua nota!

Eu os escrevi de uma maneira mais simples, mais fácil de você entender. Veja-os abaixo e aproveite muito bem essa chanca de gravá-los na memória.


#Competência 1 - Domínio da língua: 

  • Escreva na norma culta. 

  • Isso não significa usar palavras difíceis, que poucos entendem o significado.

  • Escreva as palavras corretamente. Nada de abreviações

  •  Atenção para a concordância, a regência, a pontuação, as flexões de verbos e nomes, o emprego e a colocação de pronomes — do jeitinho que você aprendeu na escola, aplicou nas provas e exercícios. Nada de mais.

  •  o texto deve ser escrito na 3ª pessoa. Não dê a vez ao pronome eu

#Competência 2 -   Demonstrar capacidade de entender os textos motivadores e o tema exigido pela banca

  • Aqui é preciso saber INTERPRETAR: textos verbais e não verbais, gráficos e dados estatísticos. Saiba que interpretar é entender o texto a ponto de fazer inferência sobre ele e a partir disso escrever fatos que você concluiu e que serão os responsáveis pela sua composição.

  • Entenda o tema proposto pela banca - Se o enunciado for: Os desafios para o combate à violência no Brasil., lembre-se que o problema, nesse caso, é falar sobre o que desafia o combate à violência e não sobre VIOLÊNCIA.


  • Encontre esses desafios - entenda quais são eles - e os porquês de cada um deles: falta de policiamento, educação insuficiente, famílias desestruturadas, descaso dos governantes, etc. 

  • Nesse caso, se você escrever sobre a VIOLÊNCIA NO BRASIL  ou sobre O COMBATE À VIOLÊNCIA NO BRASIL fugirá do TEMA exigido pela banca.


  • Não enrole.  Não encha linguiça.  Faça conexões de ideias, complemente-as usando seus conhecimentos de leituras anteriores, filmes e aulas que assistiu, etc.

  • Lembre-se: a palavra chave aqui é INTERPRETAÇÃO.

#Competência 3 - Seleção e organização dos argumentos:

Para adequar o que você escreve  ao gênero dissertativo argumentativo exigido pelo ENEM é preciso entender que tudo o que você escrever deverá girar entre: ideia, argumento e prova para esses argumentos. E se existe uma ideia, que determina um problema, é necessário que existam possíveis soluções para ela.

Se você não entende o que é TESE e ARGUMENTO clique aqui. Eu criei um artigo para te ensinar isso.


#Competência 4 - Coesão

Palavras, orações, períodos, parágrafos não ficam soltos no texto. Uns se conectam aos os outros. A língua oferece recursos pra ligá-los. Os responsáveis por essa conexão são as PREPOSIÇÕES, CONJUNÇÕES e os PRONOMES.


 Às vezes, a sequência das ideias dá conta da coesão. Outras vezes, preposições, conjunções, pronomes, partículas de transição fazem o papel de ligar os fatos e dar sentido a eles.

Veja esse exemplo:

Carlos foi ao médico. Ele estava com dores nas pernas. Suas pernas estava inchadas e roxas. O médico receitou remédios e repouso. Ele ficou preocupado precisava trabalhar. Sua esposa o deixou tranquilo. Ele pôde obedecer às ordens do médico e se recuperar.

Veja a diferença quando os conectores são usados dando ao texto  coesão e clareza.

Carlos foi ao médico, pois estava com dores nas pernas. e suas pernas estava inchadas e roxas. Desse modo,  médico receitou remédios e repouso. Porém, ele ficou preocupado, porque precisava trabalhar. Dessa maneira, sua esposa o deixou tranquilo, e ele pôde obedecer às ordens do médico e se recuperar.


#Competência 5 - Proposta de solução

Se você foi capaz de expor um problema - TESE - também deverá ser  capaz de propor possíveis soluções - intervenção social -  que resolvam ou  aliviem o problema.

Seja abrangente. Convoque o governo, o Congresso, o Judiciário, a escola, a família, a Igreja, ONGs para atingir o objetivo e trazer soluções que minimizem o problema apresentado.




Whatsap (34) 99149 2401

                  


Escola de redação

terça-feira, 8 de maio de 2018

Como interpretar textos e questões nas provas de concursos e vestibulares - com exercícios e gabarito



Entender a forma correta dos textos, das figuras e dos números é a melhor forma de comunicação e o que o torna mais capacitado do que os demais.


Atualmente, há uma forte tendência de que as bancas cobrem questões de interpretação de textos, vocabulário e a semântica – que quer dizer sentido - das palavras dentro do contexto. Normalmente trazem dificuldades, pois as questões são muito bem elaboradas e, por isso, exigem uma leitura muito atenta tanto do texto quanto das questões.

O nível da compreensão nada mais é do que entender aquilo que está escrito. Já o nível da interpretação pede que o leitor vá além do que está escrito e faça suas inferências, que tem de estar relacionadas à lógica textual, para chegar a determinadas conclusões com base naquilo que o autor do texto escreveu.

A boa leitura, aquela que precisa ser feita para interpretação de textos, basicamente, precisa alcançar dois níveis:

  • o nível informativo e de reconhecimento;
  • o nível interpretativo.


O primeiro deve ser feito de maneira cautelosa por ser o contato com o novo texto. Dessa leitura, você deve extrair informações sobre o conteúdo abordado e preparar-se para o próximo nível.

Na interpretação propriamente dita, você deverá  destacar palavras-chave, o sentido que elas dão ao texto, passagens importantes, bem como  resumir a ideia central de cada parágrafo em poucas palavras. Esse procedimento desperta a memória visual e os os conhecimentos prévios o que favorece que você os relacione com outros conhecimentos e o entenda bem o texto.

Atenção:

Grifar, circular e destacar pontos importantes faz muita diferença e beneficia o estudo de interpretação de texto. É importante marcar, de alguma maneira, a ideia principal de cada parágrafo, pois, dessa forma, você conseguirá, automaticamente, fazer um resumo e enxergar o texto de maneira mais simples.


Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva, há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim de responder às questões que a banca considerar pertinentes.


No caso de textos literários, é preciso levar em consideração uma visão global dos momentos literários e dos escritores ou a interpretação pode ficar comprometida. Aqui não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica da fonte e na identificação do autor.


A segunda fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Aqui é fundamental a atenção total para palavras como: não, exceto, errada, respectivamente e outras que fazem toatal diferença na escolha adequada.


Fique atento: algumas vezes, a banca trabalha-se com o conceito do mais adequado ou o que responde melhor ao questionamento proposto. Por isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver outra alternativa mais completa.


Existem ainda, as situações em que algumas questões apresentam um fragmento do texto transcrito para ser a base de análise. Não deixe de retornar ao texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontextualização de palavras ou frases, algumas vezes, são também um recurso para deixar você em dúvida quanto à resposta correta. Leia a frase anterior e a posterior para entender sentido global proposto pelo autor, e você marcar a resposta mais consciente e segura.


             **************************************

Resolva os exercícios para  ajudá-lo a gravar o que acabou de aprender.

  • Antes de ler o texto, leia as questões de interpretação, para então fazer uma leitura mais atenta e objetiva em relação àquilo que lhe foi perguntado. Isso economiza tempo e desgaste. 

Responda as questões de 1 a 10 de acordo com o texto abaixo:

Texto l

O primeiro dever passado pelo novo professor de português foi uma descrição tendo o mar como tema. A classe inspirou-se, toda ela, nos encapelados mares de Camões, aqueles nunca dantes navegados; o episódio do Adamastor foi reescrito pela meninada.

Prisioneiro no internato, eu vivia na saudade das praias do Pontal, onde conhecera a liberdade e o sonho. O mar de Ilhéus foi o tema de minha descrição.

Padre Cabral levara os deveres para corrigir em sua cela. Na aula seguinte, entre risonho e solene, anunciou a existência de uma vocação autêntica de escritor naquela sala de aula. Pediu que escutassem com atenção o dever que ia ler. Tinha certeza, afirmou, que o autor daquela página seria no futuro um escritor conhecido. Não regateou elogios. Eu acabara de completar onze anos.

Passei a ser uma personalidade, segundo os cânones do colégio, ao lado dos futebolistas, dos campeões de matemática e de religião, dos que obtinham medalhas. Fui admitido numa espécie de Círculo Literário onde brilhavam alunos mais velhos. Nem assim deixei de me sentir prisioneiro, sensação permanente durante os dois anos em que estudei no colégio dos jesuítas.

Houve, porém, sensível mudança na limitada vida do aluno interno: o padre Cabral tomou-me sob sua proteção e colocou em minhas mãos livros de sua estante. Primeiro "As Viagens de Gulliver", depois clássicos portugueses, traduções de ficcionistas ingleses e franceses. Data dessa época minha paixão por Charles Dickens. Demoraria ainda a conhecer Mark Twain, o norte-americano não figurava entre os prediletos do padre Cabral.

Recordo com carinho a figura do jesuíta português erudito e amável. Menos por me haver anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão, minha primeira prisão.

Jorge Amado


Questões


1. Padre Cabral, numa determinada passagem do texto, ordena que os alunos:

a)façam uma descrição sobre o mar;
b)descrevam os mares encapelados de Camões;
c)reescrevam o episódio do Gigante Adamastor;.
 d)façam uma descrição dos mares nunca dantes navegados;
e)retirem de Camões inspiração para descrever o mar.


2. Segundo o texto, para executar o dever imposto por Padre Cabral, a classe toda usou de um certo:

a)conhecimento extraído de "As viagens de Gulliver";
b)assunto extraído de traduções de ficcionistas ingleses e franceses;
 c)amor por Charles Dickens;
d)mar descrito por Mark Twain;
 e)saber já feito, já explorado por célebre autor.


3.Apenas o narrador foi diferente, porque:

a)lia Camões;
b)se baseou na própria vivência;
 c)conhecia os ficcionistas ingleses e franceses;
d)tinha conhecimento das obras de Mark Twain;
e)sua descrição não foi corrigida na cela de Padre Cabral.


 4.O narrador confessa que no internato lhe faltava:

a)a leitura de Os Lusíadas;
b)o episódio do Adamastor;
c)liberdade e sonho;
d)vocação autêntica de escritor;
e)respeitável personalidade.


5.Todos os alunos apresentaram seus trabalhos, mas só foi um elogiado, porque revelava:

a)liberdade;
b)sonho;
c)imparcialidade;
d)originalidade;
e)resignação.


6.Por ter executado um trabalho de qualidade literária superior, o narrador adquiriu um direito que lhe agradou muito:

a)ler livros da estante de Padre Cabral;
b)rever as praias do Pontal;
c)ler sonetos camonianos;
d)conhecer mares nunca dantes navegados;
e)conhecer a cela de Padre Cabral.


7.Contudo, a felicidade alcançada pelo narrador não era plena. Havia uma pedra em seu caminho:

a)os colegas do internato;
b)a cela do Padre Cabral;
c)a prisão do internato;
d)o mar de Ilhéus;
e)as praias do Pontal.


8.Conclui-se, da leitura do texto, que:

a)o professor valorizou o trabalho dos alunos pelo esforço com que o realizaram;
 b)o professor mostrou-se satisfeito porque um aluno escreveu sobre o mar de Ilhéus;
c)o professor ficou satisfeito ao ver que um de seus alunos demonstrava gosto pela leitura dos clássicos portugueses;
d)a competência de saber escrever conferia, no colégio, tanto destaque quanto a competência de ser bom atleta ou bom em matemática;
e)graças à amizade que passou a ter com Padre Cabral, o narrador do texto passou a ser uma personalidade no colégio dos jesuítas.


9.O primeiro dever... foi uma descrição... Contudo nesse texto predomina a:

a)narração;
b)dissertação;
c)descrição;
d)linguagem poética;
e)linguagem epistolar.


10.Por isso a maioria dos verbos do texto encontra-se no:

a)presente do indicativo;
b)pretérito imperfeito do indicativo;
 c)pretérito perfeito do indicativo;
d)pretérito mais que perfeito do indicativo;
e)futuro do indicativo.


Releia a primeira estrofe e responda as questões de 11 a 13

Texto ll

Cheguei, Chegaste, Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada. E a alma de sonhos povoada eu tinha.

11.À ordem alterada, que o autor elabora no texto, em busca da eufonia e ritmo, dá-se o nome de:
a)antítese;
b)metáfora;
c)hipérbato;
d)pleonasmo;
e)assíndeto.

12.E a alma de sonhos povoada eu tinha.  Na ordem direta fica:
a)E a alma povoada de sonhos eu tinha.
b)E povoada de sonhos a alma eu tinha.
c)E eu tinha povoada de sonhos a alma.
d)E eu tinha a alma povoada de sonhos.
e)E eu tinha a alma de sonhos povoados.

13.Predominam na primeira estrofe as orações:
a)substantivas;
 b)adverbiais;
c)coordenadas;
d)adjetivas;
e)subjetivas.

GABARITO 
01. A 
02. E 
03. B 
04. C 
05. D 
06. A 
07. C 
08. D 
09. A 
10. C 
11. C 
12. D 
13. C 
14. D




Se você gostou desse artigo deixe seu comentário, faça sugestões de futuros posts. Ficaremos felizes ao conhecer sua opinião sobre nosso trabalho!

Abraços!

Fátima Oliveira
   
Mestre em educação. Especialista em
literatura, retórica, argumentação e PNL. Graduada em
Letras, Pedagogia e Normal superior. Professora de
redação em cursinhos pré-vestibulares em cidades como
Uberlândia e Rio de janeiro. Fundadora e idealizadora da

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Whatsapp: (34) 99149 2401


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Proposta de redação - Entre a facilidade das buscas na internet e a necessidade de analisar criticamente os resultados - Vestibular UNICAMP

Você sabia que a leitura atenta dos textos motivadores pode ser uma maneira para você adquirir, não apenas conhecimento sobre vários assuntos, mas também aquele tão falado e necessário conhecimento de mundo?

Sendo assim...


Leia atentamente os textos abaixo.

Texto I 

O uso de “buscadores”, na internet, tem marcado a esmagadora maioria de pesquisas que se fazem em todos os lugares, nas casas, nas escolas e nas empresas, com as mais diferentes finalidades. É uma ferramenta moderna, legítima e imprescindível: o saber humano estocado e alcançado pelo toque de uma tecla.

Texto II 

Em sã consciência, ninguém refutará a utilidade dos buscadores da internet. Mas é preciso ter cautela, para não confundir quantidade de informação com qualidade de formação. Os dados de arquivos, por amplos que sejam, podem ser incorretos, e nunca dispensam a necessidade de articulação crítica de quem venha a usá-los.


Proposta para a redação

Redija uma dissertação em prosa, na qual você analisará criticamente os argumentos apresentados nos dois textos acima.




Ligue agora e reserve seu horário!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Curso de redação, língua portuguesa e literatura para o concurso do Corpo de bombeiros - em Uberlândia

Olá,

tudo bem com você?

Tenho conseguido ajudar muita gente que nunca conseguia entrar no emprego ou curso dos sonhos por não conseguir tirar boa nota na redação.

Todos nós sabemos o quanto ela é importante. Se você estiver seguro, quanto a escrever a redação, esteja certo quanto ao restante da prova: tudo fluirá com muito mais facilidade e em menos tempo!

É isso que tem acontecido com os meus alunos. É isso o que acontecerá com você!

Caso vc não more em Uberlândia: atendo alunos de todo o Brasil via skype.

Vale a pena entrar em contato:

(34) 99149 2401

Grande abraço! Obrigada por visitar o meu blog!


Fátima Oliveira




Porque fazer esse curso de última hora?

Aprimorar os conhecimentos adquiridos durante os seus estudos, de forma a avaliar a sua aprendizagem, utilizando para isso as metodologias e critérios idênticos aos maiores e melhores concursos públicos do país, através de simulados, provas e questões de concursos.

O que você vai aprender nesse curso?

Todo o conteúdo cobrado nas provas de redação, literatura e língua portuguesa - de forma dinâmica e prática. Do jeito que vc precisa para se dar muito bem na prova do concurso para bombeiros.

PÚBLICO ALVO

Candidatos e/ou concursandos, que almejam aprovação no concurso público so Corpo de Bombeiros-Uberlândia/MG


Início do curso:

Dia 02 de maio de 2018


Quando acontece

Do dia 02 de maio ao dia 06 de junho


Carga horária

36 horas aula divididas em 2 encontros semanais = a seis horas aula semanais

Dias que as aulas acontecem

quartas e quintas feira

Horário: das 19:00 às 22:00hs

Ligue para reservar sua vaga. Apenas 10 alunos por turma

Whatsap: (34) 9 9149 2401


Quem ministra esse curso?

Fátima Oliveira é Mestre em educação. Especialista em literatura, retórica, argumentação e PNL. Graduada em Letras, Pedagogia e Normal superior. Professora de redação em cursinhos pré vestibulares em cidades como São Paulo e Rio de janeiro. Fundadora e idealizadora da Escola Palavra Perfeita.



Curso de redação ENEM 2018 - em Uberlândia



Para saber detalhes ligue ou envie mensagem via whatsap: (34) 99149 2401

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Análise literária da obra: A Metamorfose Franz Kafka

Olá, tudo bem com você?

Entendo não ser fácil para você, que está se preparando para prestar vestibular, conseguir ler e apreender, nada mais nada menos, que nove obras literárias. É por isso que me dedico a organizar os melhores matérias, marcar as partes importantes, aquelas que podem cair na prova, para facilitar a sua vida!

Leia, estude e se gostar deixa um comentário no final, só para eu saber se meu trabalho valeu a pena pra você ok?

Boa leitura!

Grande abraço!





Sinopse

A novela publicada em 1915 é uma narrativa fantástica em que o personagem central, Gregor Samsa, ao despertar certa manha, "depois de um sono intranquilo, achou-se em sua cama convertido em um monstruoso inseto". Depois desse começo abrupto, a historia se desenvolve em torno das mudanças de comportamento que Gregor observa em si e na sua família. (Fonte Edição de Bolso da Saraiva)

Resumo e análise da obra

Gregor Samsa era o filho que sustentava a casa, seus pais mais avançados em idade e de saúde mediana dependiam inteiramente do jovem, assim como sua irma mais nova Grete (a violinista). Um dia Gregor acorda transformado em um bicho misterioso, tudo indica um inseto, e não vai trabalhar, com isso todos dirigem-se para o quarto e chamam por ele, ate o chefe de Gregor aparece (o que já da indícios de como ele era explorado em seu serviço de caixeiro-viajante) … Quando descobrem o ocorrido com o filho todos se apavoram, mas com o passar do tempo buscam formas alternativas de suplantar as dificuldades – com isso os que antes eram incapazes de trabalhar tornam-se trabalhadores (o pai, a mãe e ate mesmo a irmã).

Cuidar do inseto torna-se um fardo `a família que passa a despreza-lo, a irmã já não quer mais limpar o quarto do irmão, nem ligam se ele esta comendo ou não, e nem tentam manter alguma comunicação com ele. Isso torna-se muito doloroso para Gregor que tem consciência de sua situação perante os seus e perante a sociedade. 

Em muitos momentos ele se enfurece e se entristece com o que vive, e ocorrem cenas marcantes como quando Gregor vai ouvir a irma tocando violino e esta fica muito nervosa com sua presença na sala, grita e pede ao pai que o expulse. Este lança varias maçãs contra o filho, que sente as feridas tanto físicas quanto emocionais de se ver repelido por todos. (Eu realmente achei essa parte a mais triste e chocante do livro. Não direi o final da historia para que aqueles com curiosidade leiam a obra e depois reflitam sobre a mensagem que ela transmite).

… quando nesse momento alguma coisa, atirada de leve, voou bem ao seu lado e rolou diante dele. Era uma maça; a segunda passou voando logo em seguida por cima dele. Gregor ficou paralisado de susto; continuar correndo era inútil, pois o pai tinha decidido bombardeá-lo. Da fruteira em cima do bufê, ele havia enchido os bolsos de maçãs e, por enquanto, sem mirar direito, as atirava uma a uma. As pequenas maçãs vermelhas rolavam como que eletrizadas pelo chão e batiam umas nas outras. Uma maçã atirada sem força raspou as costas de Gregor, mas escorregou sem causar danos. Uma que logo se seguiu, pelo contrário, literalmente penetrou nas costas dele. Gregor quis continuar se arrastando, como se a dor, surpreendente e inacreditável, pudesse passar com a mudança de lugar; mas ele se sentia como se estivesse pregado no chão e esticou o corpo numa total confusão de todos os sentidos…”

Assim, o livro A Metamorfose explora a solidão, os sentimentos de exclusão e as crises do homem contemporâneo, sendo uma referência da literatura universal para se abordar com profundidade aspectos sociais. Nele estão destacadas as contradições que envolvem as relações humanas – pois quando a família descobre a transformação vivenciada por Samsa, ele passa a ser desprezível e deve ser eliminado. 

A impotência de Samsa, por exemplo, perante ações que antes lhe eram rotineiras como sair da cama ou caminhar, faz uma alusão às fraquezas humanas diante de pressões sociais. O livro denuncia como a sociedade atual capitalista restringe o valor do ser humano ao que ele produz e às aparências – uma nítida associação do ser a um produto que pode ser substituído como uma máquina ou algo semelhante. 

A obra foi escrita em 1912, dois anos antes do início da Primeira Guerra Mundial. O clima de agonia e pessimismo mantido por Kafka é apontado por alguns autores como relação direta com o cenário mundial da época em que a obra foi escrita.

Apesar de ter sido escrita no início do século XX, a obra permanece atual porque explora temas característicos da sociedade contemporânea, como a crise existencial, a desesperança do ser, pessimismo, a ausência de resposta, a solidão, impotência e a fuga. 


 Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.

É assim que Kafka inicia a história de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que deixou de ter vida própria para suportar financeiramente todas as despesas da família. Numa manhã, ao acordar para o trabalho, Gregor vê que se transformou num inseto horrível com um "dorso duro e inúmeras pequenas patas". A princípio, as suas preocupações passam por pensamentos práticos relacionados com a sua metamorfose, principalmente com o fato de estar atrasado para o trabalho. Depois, as preocupações passam para um nível psicológico e sentimental. Gregor sente-se magoado pela repulsa dos pais à sua metamorfose. Apenas a irmã se digna a levarlhe alimento, mas mesmo assim repulsa e medo de sua parte também se manifestam.
A leitura da narrativa da Metamorfose instiga sensações e impressões que variam de uma tomada de interesse completo a um asco, uma aversão e, por vezes, uma perturbadora presença do humor – como observou Brod em 1913: - que, mesmo após findada a leitura, não deixa o leitor, pois várias perguntas permanecem ali sem resposta, diversas inquietações e muitas lacunas a serem preenchidas.


A primeira questão digna de atenção é na realidade o cerne do livro, mas que em nenhum momento é posta em pauta: o porquê da metamorfose de Gregor Samsa. Em nenhum momento o protagonista se pergunta o motivo que terá desencadeado o seu processo transformatório de homem em inseto. Talvez, se tivesse refletido sobre essa questão – na realidade um questionamento básico e óbvio em processos bruscos de mudança - pudesse ele não reverter o quadro de sua situação, mas ao menos entendê-la melhor, sendo capaz de aprender, crescer, amadurecer e mudar.

A leitura da obra kafkiana requer uma atenção especial à sua linguagem protocolar e à forma de construção textual, sem o qual o autor não teria atingido o estranhamento intrínseco e característico que a constrói.

Pelo fato de ter estudado tanto Direito quanto Germanística e também de ter trabalhado no meio jurídico, Kafka tinha consciência de que, para atingir o estranhamento que lhe é peculiar, causando a estranheza no leitor, e também para ser capaz de exprimir uma agonia contínua em suas narrativas, a opção por uma linguagem de forma protocolar (burocrática) era a melhor a ser utilizada. Entretanto urge destacar que essa linguagem era por ele adotada somente nas obras que escrevia com caráter impessoal. Sua Carta ao Pai, por exemplo, que foi escrita não no intuito de uma futura publicação, mas sim verdadeiramente para ser lida por seu pai, apresenta uma linguagem íntima e pessoal (sendo escrita em alemão, língua que era também falada no seio familiar), em nada protocolar. Ou seja, o "protocolar" fazia parte de sua arte, não sendo uma característica comum e cotidiana de sua fala e escrita pessoais e, como bem enfatiza Anders, em Kafka "não existem, propriamente, diferenças entre as linguagens dos tolos, dos inteligentes, dos grandes ou dos pequenos. É natural que tal linguagem da distância exclua determinados tons (...)" (Anders, 1969, p. 72). Logo, a escrita literária de Kafka, por ser protocolar, é marcada por seu tom desapegado, imparcial e impessoal, atentando ao menor detalhe e abrangendo os temas de alienação e perseguição, sendo, entretanto, sempre a culpa o motor constante.

Os seus contos são julgados como verdadeiros e realistas, pois os personagens kafkianos sofrem de conflitos existenciais, como o homem de hoje. No mundo kafkiano, os personagens não sabem que rumo podem tomar, ignoram os objetivos da sua vida, questionam seriamente a existência e acabam sós, diante de uma situação que não planejaram, pois todos os acontecimentos se viraram contra eles. Por isso, a temática da solidão como fuga, a paranoia e os delírios de influência estão muito ligados à obra kafkiana.

Muitos críticos tendem a analisar os trabalhos de Kafka partindo primeiramente de uma base biográfica e comparam suas obras com aspectos da vida pessoal e da psique do autor, além da influência da época histórica em que nasceu. Definem, assim, suas obras como meros espelhos de seus sentimentos e frustrações, ou uma forma de o autor "trabalhar" com eles, como uma auto-análise para entender-se e curar-se ou, pelo menos "pôr tudo para fora", desabafando seus mais íntimos sofrimentos com um público anônimo. "O que Kafka escreve é ele mesmo, o ser em si. Sua literatura é seu eu feito letra" (Backes, 2008). Essa forma de interpretação, embora se baseie em fatos coerentes e reais, e de forma alguma poder ser taxada como falsa ou errônea em si, encerra uma limitação e de certo modo simplicidade que não satisfazem de todo uma interpretação mais abrangente e filosófica, o que os textos kafkianos com certeza exigem.

Outra tentativa que se faz toma o caminho da colocação da questão social: ano 1912, véspera da Primeira Guerra Mundial; explosão do capitalismo através da industrialização; a Belle Époque francesa; um judeu nascido no leste europeu, falante de alemão, que estudou na Áustria e morava na Suíça... Um ser agnóstico vivendo numa religiosidade imposta e ao mesmo tempo um artista frustrado que não tinha a "permissão" paterna de florescer.

Todo esse contexto em que o então já confuso – e por isso mesmo frustrado e deprimido - Kafka vivenciava em seu meio, vendo sociedades mergulhadas em um capitalismo supérfluo, com crenças diversas, sem conseguir se adequar a nenhuma delas, são fortes argumentos para formas interpretativas desse cunho histórico/biográfico.

Poder-se-ia extrair também de sua "metamorfose" um estudo dialético do tema "trabalho", pois o trabalho, em qualquer forma de governo, é tema central e digno de debates, filosofias e enquadramentos. Ora, qual foi o principal efeito da metamorfose não só sobre Gregor, mas também sobre a família como um todo? Antes da transformação, Gregor literalmente vivia para e pelo trabalho, já seus familiares eram apenas seus parasitas, não produziam nada. Nas estranhas famílias de Kafka, o pai sobrevive às custas do filho, sugando-o como um imenso parasita. Não consome apenas suas forças, consome também seu direito de existir. Após o incidente, este é que passou a ser o parasita, o imprestável que não servia mais para trabalhar, e a família desabrochou para o mundo laboral. Aqui podiam tanto o capitalista quanto o marxista apontar o tema trabalho como a questão central kafkiana do livro e desenrolar longas teses de como Kafka se colocou a respeito desses temas sociais em sua obra.

Mas vamos pôr agora todas essas avaliações e interpretações de cunho biográfico, histórico, político e social de lado e tentar nos concentrar no que realmente importa: a história em si. Tentemos fazer uma análise da narrativa colocando de lado todos esses fatores. Esqueçamos por algum momento quem foi o autor, qual foi o ano e sob que circunstâncias foi produzido o texto em questão. O que nos resta? Uma história que se apresenta de forma surrealista, isto é, fantástica, mas que na realidade é bem realista, com várias facetas profundas a serem reconhecidas e inúmeras formas de ser interpretada, uma história atemporal que se encaixaria até mesmo nos dias de hoje.

Nenhum autor representou de forma tão contundente a modernidade. Segundo o crítico literário George Steiner, "o extremismo da posição literária de Kafka (...) torna a estrutura representativa e a centralidade de sua façanha mais notáveis. Nenhuma outra voz foi testemunha mais verdadeira da natureza de nossos tempos." (Steiner, 2003, p. 147). Temos aqui um homem (Gregor Samsa) que há muito não vive mais sua vida. Um homem que abdicou de ser quem era (ou poderia ter sido) para se dedicar somente ao trabalho. Mas trabalhar não por prazer ou dom, no sentido de realização do indivíduo, e sim de fato apenas para quitar uma dívida que nem sua era, mas sim de seu pai. Pai este que, após a ruína de seu negócio, não era mais "capaz", tornou-se praticamente um inválido, dependente do filho. Gregor, por sua vez, se via na obrigação de cumprir esse compromisso. Isso posto, fica clara para o leitor a situação que se estabelecerá ao longo dos cinco anos seguintes no âmbito familiar do protagonista: mãe doente, asmática, abatida, incapaz e dependente; pai doente, envelhecido, abatido, incapaz e dependente; irmã jovem, amedrontada, infantil, incapaz e dependente; Gregor: saudável, ativo, trabalhador, capaz. Mas todos infelizes.

Na realidade, Gregor não é um mero empregado que cumpre sua função. Muito pior que isso: ele é visivelmente um escravo de seu empregador, fato que estranhamente em nada incomoda seus pais. Esse fato passa ao leitor a impressão de que seus pais não o veem como um filho, um ser humano digno e merecedor de uma vida própria. E ele mesmo, Gregor, também não se vê assim – aqui ficam em aberto pontos para outras interpretações das causas desse anulamento do seu ser (pela visão marxista, seria este o anulamento do humano nas relações de trabalho, causado pela reificação do nosso mundo).


Após a metamorfose de Samsa, ponto principal e culminante, o clímax de toda a narrativa que é logo de início apresentada ao leitor, tudo muda não só para Gregor como para sua família. Mas analisemos primeiramente o fato em si: por que Gregor sofre esta mudança? Será que no seu íntimo era isso mesmo que queria, por ver nisso a única fuga (refúgio) possível dos seus tormentos e da sua vida miserável? Ou será que isso ocorre porque ele justamente há muito renegara sua própria existência como pessoa? Questionamentos que dificilmente poderemos responder, mas que são dignos de profunda reflexão.


A utilização de uma linguagem impessoal, ao mesmo tempo culta, mas de acesso e entendimento ao leitor comum, a forma de narração lenta e excessivamente descritiva, a atmosfera de suspense e agonia, é criada do início ao fim, tudo isso somado provoca um verdadeiro mergulho do leitor no mundo de Kafka. Este, ao mesmo tempo em que aproxima, diminuindo a distância entre o leitor e a obra, causa um forte estranhamento pelos acontecimentos bizarros e os comportamentos por vezes tão humanos que por vezes parecem desumanos. E o leitor, simultaneamente atento e curioso, mas com verdadeiros surtos de repulsa, aversão e incompreensão (tenta-se esquecer que Gregor virou um inseto repugnante e tenta-se vê-lo como homem), mesmo com tudo isso não consegue (e nem quer) largar o livro, pois ele, no seu íntimo, no âmago do seu ser, está como a apreciar um quadro divinamente pintado, de uma arte inigualável, que apesar de expressar uma sociedade execrável, dura, deplorável, distorcida e desumana, mostra o que a realidade na verdade é. E, citando Anders, "O espantoso, em Kafka, é que o espantoso não espanta ninguém." (Anders, 1969, p. 19). Esse é o paradoxo artístico crucial da obra kafkiana, que por sua eterna atemporalidade e arte as tornaram imortais.

A metamorfose de Gregor Samsa em um inseto seria uma simbologia, um tipo de metáfora, para representar o repentino surgimento de uma deficiência física e/ou mental do personagem em questão, trazendo então à tona na sua família e na sociedade o preconceito e a hipocrisia inerentes destas em relação a pessoas portadoras de alguma deficiência, que em geral são vistas com estranheza, desdém, medo e até mesmo aversão. Essa visão da metamorfose de Gregor (por exemplo, o surgimento de um tetraplegia) se encaixaria sem lacunas na narrativa, tanto pelo comportamento do seu empregador – que no mesmo momento quer apenas livrar-se do inseto – como dos integrantes de sua própria família, estendendo-se aos inquilinos dos quartos e até mesmo à empregada, que reconhece naquele ser algo sinistro e curioso de se apreciar. Essa forma de entender a obra seria bem aceitável, pois a realidade de nossa sociedade, em especial no que diz respeito a esse assunto, infelizmente manifesta-se claramente nesse cenário.

Da mesma forma, a metamorfose poderia representar uma súbita mudança de postura diante da vida, de ideias e pensamentos diversos dos que se tinha anteriormente e/ou que eram pressupostos e aceitos pelo seu meio. Por exemplo, uma nova ideologia política, uma nova visão religiosa ou até mesmo filosófica perante a vida, um desejo de mudança radical de profissão. Poder-se-ia aqui até mesmo ir mais longe e encontrar um tipo de profecia kafkiana: na Segunda Guerra, os judeus, antes a base econômica da Alemanha, são como que por uma "metamorfose", vistos de forma totalmente oposta, como os parasitas daquela sociedade, parasitas estes que necessitavam ser eliminados. E o que ocorre é justamente isso: a tentativa de extermínio desses "insetos". A metamorfose seria aqui a súbita guinada do governo e da população alemã contra os judeus.


Por outro lado, a posterior metamorfose dos membros da família, que de prostrada e doente, parasita e dependente, se torna ativa, saudável, independente e auto-suficiente nos encaminha para uma outra possível forma de interpretação. A postura de Gregor, anterior à sua transformação, de se anular para salvar sua família, por um lado ajudava-a financeiramente, mas por outro inibia e sufocava seu próprio crescimento e expansão. Vê-se aqui então em Gregor não mais uma vítima, mas sim um vilão. Essa forma ambígua de ver essa situação nos mostra que a metamorfose seria então um re-equilíbrio de uma situação que estava em pendência, uma redenção de algo que necessitava ser restaurado. A "saída" de Gregor do campo de ação familiar abre espaço para o desabrochar de todos os integrantes da família. Assim, a metamorfose seria na realidade benéfica. Ou seja, aqui a metamorfose de Gregor seria como símbolo de libertação dos membros de sua família, já que eles, após sua transformação, quebraram as amarras do ciclo vicioso da dependência.

       Mais algumas questões importantes

Além da metamorfose em si de homem em inseto e da postura da família em geral perante a vida, há a metamorfose dos sentimentos da irmã, que no início nutria amor pelo irmão, mas depois passa a querer se livrar dele. Ela deve de certa forma ser vista como o elemento-guia da história, pois é ela quem na realidade comanda a guinada dos acontecimentos.


·         O fato de o pai ter tentado, por pelo menos duas vezes, matá-lo, indica o seu desejo de livrar-se do filho-inseto, quer pelo fato de este não lhe suprir em mais nada, quer talvez pelo fato de ver claramente como este "rastejava" pelo seu reconhecimento e aceitação, o que o enojava.

·          A ferida que não cicatriza nas costas, causada pelo pai, primeiramente evoca uma interpretação biográfica da relação de Kafka com seu pai, pois o peso da maçã que carrega nas costas torna difícil uma outra concepção que não esta, ou seja, de Kafka carregando algo nas costas, um peso de uma vida de fardo. Mas por que logo uma maçã? Biblicamente, fruto do conhecimento do bem e do mal, que causou a expulsão do homem do paraíso, a maçã pode oferecer aqui várias analogias: a maçã como a constatação de Gregor de que na realidade não era querido nem amado por sua família; a maçã como veículo catalisador que torna Gregor consciente de seu papel simplesmente supridor para todos da casa; a maçã que tirou o homem do paraíso, como analogia de Gregor estar também sendo expulso de seu "paraíso" de ilusão e engano.

·          Nabokov coloca também a questão do número 3 em pauta: são 3 quartos, 3 portas, 3 membros da família, 3 partes do livro, 3 homens que moram posteriormente na casa, 3 cartas que são escritas. "Die Zahl drei spielt eine herausragende Rolle." (Kafka, 1986, p. 106). Em português, "o número três ocupa um papel excepcional".. A trindade sempre foi um símbolo altamente significativo, entre outras místico, religioso e cabalístico. Saber o que Kafka quis nos dizer ao fazer estes paralelos é difícil, mas o fato é que essa trindade está presente na história, e isto não ocorre somente por mera coincidência. A questão do número 3 se mostra bem interessante e até mesmo intrigante quando observamos que Kafka nasceu e morreu num dia 3. Kafka tinha 3 irmãs, e seus pais tiveram 3 filhos homens. Ele crescerá também sob a influência de 3 culturas.

Sobre o autor

Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, em Praga, cidade que na época pertencia à monarquia austro-húngara, tendo sido ele um escritor tcheco de língua alemã. Nascem depois dele dois meninos, que irão morrer pouco tempo após o nascimento, fato que segundo alguns psicólogos especialistas na obra de Kafka será um fator determinante para o sentimento de culpa presente em seus livros. Kafka teve a infância e a adolescência marcadas pela figura dominadora do pai, Herrmann Kafka, um abastado comerciante judeu, e de sua esposa Julie, nascida Löwy, dos quais era o primogênito. Cresce sob as influências de três culturas: a judaica, a tcheca e a alemã. Kafka aprendeu alemão como sua primeira língua, contudo era também quase fluente em tcheco. Estudou Direito e Germanística na Universidade de Praga, onde conheceu seu grande amigo e posterior biógrafo, Max Brod.


Suas obras retratam as ansiedades e a alienação do homem do século XX e tornaram-se proféticas das perseguições que os judeus passariam a sofrer poucos anos após a sua morte. Seu livro Die Verwandlung / A Metamorfose, foi publicado ainda em vida e dedicado a seu pai, em 1915, ainda durante a Primeira Guerra. No ano de 1922, Kafka pedirá a seu amigo Max Brod que destrua todas as suas obras após sua morte. Contra o desejo expresso do escritor, que queria que seus inéditos fossem queimados, Brod publicou romances, textos em prosa, e até mesmo correspondência pessoal e diários. Kafka falecerá dia 3 de junho de 1924 no sanatório Kierling, na Áustria.




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