terça-feira, 16 de abril de 2013

Proposta de redação - Fábula

 

 

FÁBULAS


 


Ponto de Partida

 


“Leia os dois textos abaixo:

 

a)     Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia do feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede. (Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média).

b)     Um indivíduo, colocado diante de dois objetos igualmente desejados, pode ficar de tal forma indeciso que acaba por perder a ambos.

 

Esses dois textos querem dizer basicamente a mesma coisa. No entanto, são estruturados de maneiras diferentes. Qual a diferença existente entre eles?

O primeiro é mais concreto; o segundo, mais abstrato. Mas por quê? O primeiro remete a elementos existentes do mundo natural: asno, campo, feno, regato, águas, etc. O segundo remete a elementos mais abstratos, que explicam certos aspectos da conduta humana: indivíduo, objetos igualmente desejados, indeciso.

Subjacente a esses dois textos há o mesmo esquema narrativo:

 

a)     Um sujeito encontra-se privado de dois objetos e quer conquistar a posse de ambos;

b)     Devendo optar por um deles e sendo igualmente atraído pelos dois, é incapaz de realizar a escolha;

c)     Permanece privado de ambos.”.

 (FIORIN, Platão. Para entender o texto. São Paulo: Ática, 2007, p.71)

 

A fábula, portanto, é um gênero textual híbrido, transitando entre dois tipos de texto: narrativo e argumentativo. Não se trata, claro, de uma alternância inconsequente entre os tipos textuais, já que há entre eles uma mútua implicação. O mundo representado, coerente em si mesmo (asno, regato e feno), foi mobilizado para cumprir um papel pedagógico: convencer o leitor dos perigos da indecisão. Para atingir essa finalidade pragmática, a narrativa organiza as ações em função de sua exemplaridade. O leitor pode depreender a “lição”, sem mesmo ler a moral, percebendo que o fabulista não se dedica a assunto tão distante de sua realidade sem um objetivo claro em vista. Poder-se-ia dizer que na fábula, a argumentação é feita toda com exemplos de um mundo natural e remoto, em que a naturalidade do comportamento e das ações dos animais ensaia lições morais valiosíssimas.

O que é?

As fábulas são pequenas histórias que transmitem uma lição de moral é uma das mais antigas formas de narrativa. As personagens das fábulas são geralmente animais, que representam tipos humanos, como o egoísta, o ingênuo, o espertalhão, o vaidoso, o mentiroso, etc.

Muitos escritores dedicaram-se às fábulas, mas três ficaram mundialmente famosos: o grego Esopo (século VI a.C.), o latino Fedro (15 a.C. - 50 d.C.) e o francês Jean de La Fontaine (1621 - 1695).

No Brasil, Monteiro Lobato (século XX) foi quem as recriou. Millôr Fernandes é um escritor carioca que recriou as antigas fábulas de Esopo e La Fontaine, de forma satírica e engraçada.

 


Expoentes da arte de fabular

Esopo: um escravo que viveu no século 6º. a.C., na Grécia antiga inventava histórias em que os animais eram os personagens. Por meio dos diálogos entre os bichos e das situações que os envolviam, ele procurava transmitir sabedoria de caráter moral ao homem. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para o ser humano. Cada bicho simboliza algum aspecto ou qualidade do homem como, por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho etc. A estrutura de seus textos fez escola: curtos e bem humorados, linguagem simples, uso de prosopopeias e tópicos ligados à experiência cotidiana. Entre suas célebres fábulas, incluem-se: “A Raposa e as uvas”; “A Lebre e a Tartaruga” e “A Galinha e os ovos de ouro”

 

La Fontaine: O francês Jean de La Fontaine (1621-1695) foi um dos maiores divulgadores dos textos de Esopo. Ele recriava essas fábulas com o objetivo de "educar" o homem de sua época. Conforme suas próprias palavras: "Acho que deveríamos colocar Esopo entre os grandes sábios de que a Grécia se orgulha, ele que ensinava a verdadeira sabedoria, e que a ensinava com muito mais arte do que os que usam regras e definições". Entre suas célebres fábula, incluem-se: “A Cigarra e a Formiga”, “O Homem, o Menino e a Mula” e “O Lobo e o Cordeiro”.

 

Curiosidades:

 

·          Acredita-se que esse tipo de texto tenha nascido no século XVIII a.C., na Suméria. Há registros de fábulas egípcias e hindus, mas atribui-se à Grécia a criação efetiva desse gênero narrativo.

·          A importância dada à moralidade era tanta que os copistas da Idade Média escreviam as lições finais das fábulas com letras vermelhas ou douradas para destacar.

·          A presença dos animais deve-se, sobretudo, ao convívio mais efetivo entre homens e animais naquela época.

·          O uso constante da natureza e dos animais para a alegorização da existência humana confere às histórias um ar de “ordem natural” fixa e imutável, além de aproximar o público das "moralidades”.

Estrutura do Texto

Em geral, a fábula mantém a seguinte estrutura bem fixa:

 

1. Um conteúdo moral como fio condutor do enredo;

2. Situação inicial

3. Conflito

4. Tentativa de Solução

5. Situação final

6. Revelação do conteúdo moral (em geral na sua forma proverbial)

Fábulas

A Águia e a Gralha

 

Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, num fulminante voo rasante e certeiro, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes e afiadas garras. 

Uma Gralha, que a tudo testemunhara, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa. 

Ela então voou para alto e tomou impulso. Então, com grande velocidade, atirou-se sobre uma Ovelha com a intenção de também carregá-la presa às suas garras. 

Ocorre que suas garras, pequenas e fracas, acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã do animal, e isso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças. 

O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortou suas penas, de modo que não pudesse mais voar. 

À noite a levou para casa e entregou como brinquedo para seus filhos.

"Que pássaro engraçado é esse?", perguntou um deles. 

"Ele é uma Gralha meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia." 


Moral da História: Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites.

 


 

O olho do dono


 

Uma corça, fugindo aos caçadores, escondeu-se num estábulo. E pediu às vacas que não a denunciassem, prometendo-lhes em troca do asilo mil coisas. As vacas mugiram que sim e o fugitivo agachou-se num cantinho.

Vieram à tarde os tratadores, com os feixes de capim e a cana picada. Encheram as manjedouras e saíram.

Veio também, fiscalizar o serviço, o administrador da fazenda. Correu os olhos por tudo e foi-se.

A corça respirou.

- Vejo que este lugar é seguro – disse ela. Os homens entraram e saem sem perceber coisa nenhuma.

Uma vaca, porém, a avisou:

- O perigo, meu caro, é que apareça por aqui o bicho de Cem-Olhos.

- Quê? – exclamou a corça. Há disso?

- Há sim. Chama-se Dono. É um que quando aparece tudo vê, tudo descobre, desde o menor carrapato do nosso lombo até o sal que o tratador nos furta. Se ele vem, amigo, tu estás perdido!

Não demorou muito, surge Cem-Olhos. Vê aranhas no teto e interpela os homens da lida:

- Por que não tiram isso?

Vê um cocho rachado:

- Consertem este cocho.

Vê o chão mal limpo!

- Vassoura, aqui!

E está claro que também viu as pontas do chifre da corça.

- Que história é esta? Chifre de corça entre as vacas?...

Aproximou-se e descobriu o mísero.

- Uma espingarda! – gritou – e era uma vez uma corça

 

Moral: O olho do dono engorda a criação


(Fábulas: Monteiro Lobato)

 

 

O Nascer do Capitalismo (à maneira dos americanos)

 

Um homem tinha uma fazenda perto de um rio. Certo dia o rio começou a subir e ele percebeu que sua fazenda ia ficar submersa. Transferiu toda sua família e todo seu gado e todos seus utensílios e móveis para o alto da montanha mais próxima. Havia, na sua fazenda, exatamente 284 quilômetros de cerca de arame farpado. Era um arame de sete farpas por metro, num total de sete mil farpas por quilômetro e, portanto, toda cerca somava 1.988.000 farpas. O homem arranjou um empregado, que, sem comer nem dormir, colocou em cada uma dessas farpas um pedacinho de carne, uma isca qualquer. Quando terminou, mal teve tempo de subir a montanha. Veio o dilúvio.

Durante noventa e três horas choveu ininterruptamente. Durante noventa e seis horas o rio esteve três metros acima da cerca. Mas logo as águas cederam, e rapidamente o rio voltou ao normal. O homem desceu e examinou a cerca. Encontrou, maravilhado, um peixe pendente de cada farpa, exceto três. Ou seja, um total de 1.987.997 peixes. Havia tainhas, e havia robalos, corvinas, namorados, galos e muitas outras espécies que ele nunca vira.

Cada peixe pesava, em média, duzentas e cinquenta gramas, de modo que o homem tinha um total de 496.099.250 gramas de peixe fresco, ou seja, 496.999 quilos de peixe. Isso tudo, vendido a 200 cruzeiros o quilo, vocês façam a conta e Ah, naturalmente o empregado foi despedido porque colocou mal as iscas nas três farpas que falharam.

 

Moral da História: O operariado deve ter o máximo cuidado com as iscas do Capitalismo.

(Fábulas:  Millôr Fernandes)


Exercícios

 

1.) Compare as duas histórias abaixo:

 

A galinha dos Ovos de Ouro

(Esopo)

 

Um camponês e sua esposa possuíam uma galinha, que todo dia, sem falta, botava um ovo de ouro.

Supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, eles então a sacrificam para enfim pegar tudo de uma só vez.

Então, para surpresa dos dois, viram que a ave, em nada era diferente das outras galinhas.

Assim, o casal de tolos, desejando enriquecer de uma só vez, acaba por perder o ganho diário que já tinham assegurado.

Moral da História: Quem tudo quer, tudo perde.

 

A galinha dos Ovos de Ouro

 

Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Subitamente, em dia inesperado, a galinha pôs um ovo de ouro. Ouro!

Outro dia, outro ovo. Outro ovo de ouro! O homem mal podia dormir:

Esperava todas as manhãs pelo ovo de ouro – clara, gema, gala, tudo de ouro! – que o tiraria da miséria aos poucos, e aos poucos o ia guindando ao milionarismo. O fato, que antigamente poderia passar despercebido, na data de hoje atraia verdadeiras multidões. E não só multidões. Rádio, jornais, televisão, tudo entrevistava o homem, pedindo-lhe impressões, querendo saber detalhes de como acontecera o espantoso acontecimento. E a galinha, também, dando aqui e ali seus shows diante dos jornais, câmeras, microfones.

Certa vez, mesmo num esforço de reportagem, conseguiu pôr um ovo diante da câmera da TV. Porém, o tempo passou e muito antes que o homem conseguisse ficar rico, a galinha deixou de botar ovos de ouro. Desesperado, o homem foi ocultando o fato até que certo dia, não se contendo mais, abriu a galinha para apanhar os ovos que ela tivesse lá dentro. Para sua surpresa, não havia nenhum.

Então o homem – espírito bem moderno – resolveu explorar o nome que lhe ficara do acontecimento e abriu um enorme Galeto, com o sugestivo nome de Aos ovos de ouro. E isso lhe deu muito mais dinheiro do que a galinha propriamente dita.

Moral: Cria galinha e deita-te no ninho.

 

a) Qual o núcleo narrativo comum às duas histórias?

b) As fábulas tradicionais apresentam poucas indicações sobre tempo e espaço, o que confere a elas um caráter atemporal. Na versão de Millôr Fernandes, por outro lado, há pistas que sugerem que a história se passa em tempos atuais. Que pistas seriam essas?

b) As fábulas tradicionais representam comportamentos humanos de forma alegórica, portanto, é perfeitamente verossímil que acontecimentos extraordinários (como o fato de os animais falarem) não despertem no leitor nenhuma estranheza. De que maneira, esta regra foi violada na versão de Millôr Fernandes?

c) Na moral da história de Millôr, há um jogo intertextual com o conhecido provérbio “Cria a fama e deita-te na cama”. Considerando o desfecho da narrativa, é possível afirmar que a versão do escritor se opõe à versão de Esopo? Justificar.

 

2.) UNESP/98)

A MORTE DA TARTARUGA

 

                "O menininho foi ao quintal e voltou chorando: a tartaruga tinha morrido. A mãe foi ao quintal com ele, mexeu na tartaruga com um pau (tinha nojo daquele bicho) e constatou que a tartaruga tinha morrido mesmo. Diante da confirmação da mãe, o garoto pôs-se a chorar ainda com mais força. A mãe a princípio ficou penalizada, mas logo começou a ficar aborrecida com o choro do menino. "Cuidado, senão você acorda o seu pai". Mas o menino não se conformava. Pegou a tartaruga no colo e pôs-se a acariciar-lhe o casco duro. A mãe disse que comprava outra, mas ele respondeu que não queria, queria aquela, viva! A mãe lhe prometeu um carrinho, um velocípede, lhe prometeu uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo profundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estimação.

                Afinal, com tanto choro, o pai acordou lá dentro, e veio, estremunhado, ver de que se tratava. O menino mostrou-lhe a tartaruga morta. A mãe disse: - "Está aí assim há meia hora, chorando que nem maluco. Não sei mais o que faço. Já lhe prometi tudo mas ele continua berrando desse jeito". O pai examinou a situação e propôs: - "Olha, Henriquinho. Se a tartaruga está morta não adianta mesmo você chorar. Deixa ela aí e vem cá com o pai". O garoto depôs cuidadosamente a tartaruga junto do tanque e seguiu o pai, pela mão. O pai sentou-se na poltrona, botou o garoto no colo e disse: - "Eu sei que você sente muito a morte da tartaruguinha. Eu também gostava muito dela. Mas nós vamos fazer pra ela um grande funeral". (Empregou de propósito a palavra difícil). O menininho parou imediatamente de chorar. "Que é funeral?" O pai lhe explicou que era um enterro. "Olha, nós vamos à rua, compramos uma caixa bem bonita, bastante balas, bombons, doces e voltamos para casa. Depois botamos a tartaruga na caixa em cima da mesa da cozinha e rodeamos de velinhas de aniversário. Aí convidamos os meninos da vizinhança, acendemos as velinhas, cantamos o "Happy-Birth-Day-To-You" pra tartaruguinha morta e você assopra as velas. Depois pegamos a caixa, abrimos um buraco no fundo do quintal, enterramos a tartaruguinha e botamos uma pedra em cima com o nome dela e o dia em que ela morreu. Isso é que é funeral! Vamos fazer isso?" O garotinho estava com outra cara. "Vamos papai, vamos! A tartaruguinha vai ficar contente lá no céu, não vai? Olha, eu vou apanhar ela". Saiu correndo. Enquanto o pai se vestia, ouviu um grito no quintal. "Papai, papai, vem cá ela está viva!" O pai correu pro quintal e constatou que era verdade. A tartaruga estava andando de novo normalmente. "Que bom, hein" - disse - "Ela está viva! Não vamos ter que fazer o funeral!" "Vamos sim, papai" - disse o menino ansioso, pegando uma pedra bem grande - "Eu mato ela".

MORAL: O IMPORTANTE NÃO É A MORTE, É O QUE ELA NOS TIRA."

(Fernandes, Millôr. "A morte da Tartaruguinha". ln: Fábulas Fabulosas. 9ª ed., Rio de Janeiro, Nórdica, 1985, pp. 100/101)

 

Depois de ter lido a narrativa da fábula, como você interpreta a "moral" da mesma?

 

Proposta

Escolha um dos provérbios apresentados no final da folha e invente uma fábula em que ele possa ser utilizado como moral da história. Nesta fábula, as personagens deverão ser dois animais.

 

Siga estas orientações:

a)     As personagens da fábula devem ser preferencialmente animais com características humanas. Alguns fabulistas escolhem de preferência animais como personagens porque eles fazem nos lembrar de atitudes humanas. A formiga, por exemplo, é trabalhadeira, organizada; a raposa, esperta; o cão, fiel e, amigo; a cobra, astuta, perigosa; o leão, vaidoso; o cordeiro, ingênuo, inocente.

b)     Caracterize os personagens de forma simples. Para isso, empregue palavras como, por exemplo, astuto, frágil, inteligente, lento, forte, perigoso, feroz, desconfiado, esperto, traiçoeiro, etc.

c)     Lembre-se de que a fábula constitui uma narrativa curta. Se quiser, você pode escrever sua narrativa em forma de diálogo. A linguagem empregada deve, entretanto, estar de acordo com a variedade padrão da sua língua. Seu texto deverá ter 20 linhas no mínimo.

d)     Como nas fábulas o tempo e o lugar são imprecisos, procure iniciar seu texto de forma direta, isto é, com personagens em plena ação. Lembre-se de que sua história deve transmitir um ensinamento ou ensejar uma reflexão sobre um comportamento virtuoso.

e)     No final, escreva, como moral da sua história, um dos provérbios acima. Lembre-se de que o provérbio deve resumir toda a fábula à verdade contida no ditado.

 

 

Extras

 

O "Rap" da cigarra e da formiga :
LA FONTAINE REVISITADO:
O RAP DA CIGARRA E A FORMIGA

Saca essa fábula, bicho,
que vai te deixar cabreiro.
Num depósito de lixo
tinha um bruta formigueiro.
O formigueiro falado,
na verdade não era mixo.
Foi para ficar rimado
que eu falei que era no lixo.
As formigas, ligadonas,
trabalhavam noite e dia.
Ficavam muito doidonas
plugadas nessa mania.
podes crer, não é mentira.
Um dia uma punk louca
que se chamava cigarra
e achava que era uma touca
trabalhar tanto, na marra,
se meteu com a formigada
e falou, pontificando:
- Trabalhar é uma jogada
devagar quase parando.
Coisa careta, uma fria,
bobeira que eu não assumo
e avisou que não curtia
formigueiro de consumo.
As formigas, sem ligar,
responderam na maior:
- Se você não trabalhar,
vai acabar na pior.
A cigarra se mandou
dizendo que era besteira.
Das formigas se afastou
cantando um roque pauleira.
Só voltou quando era inverno.
As formigas, pra esnobar, em vez de
um papo fraterno, foram se bacanear.
Disseram logo as formigas:
- Olha, se quiser guarida
vai pedir pras tuas amigas.
Nós não damos boa vida.
E a cigarra: - Eu tô na minha...
Não vim aqui pedir nada.
Só vim dizer que eu, sozinha,
fiz a Sena acumulada.
Moral: Para alguém ganhar sozinho na Sena acumulada, tem que ser leão. 
Ou então cigarra, bicho. Enfim, bicho, bicho.
JÔ Soares, In: Revista VEJA, 31.10.1990 p. 17

 

Ditados Populares e seu significado:

 

Dito Popular
Valor/Significado
1
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Persistência
2
Quem quer, faz; quem não quer, manda.
Ação
3
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Justiça/Vingança
4
Santo de casa não faz milagre.
Estrangeirismo
5
Papagaio velho não aprende a falar.
Comodismo/cristalização/descrença na mudança.
6
Costume de casa vai à praça.
Hábito/Vício
7
Nem só de pão vive o homem.
Fé/Inovação
8
Quem não quer ver lobo não lhe vista a pele.
Conduta
9
Quem com os porcos se mistura, farelos come.
Influência
10
Pau que nasce torto nunca se endireita.
Rigidez/Inflexibilidade
11
Diz-me com quem andas que te direi quem és.
Influência
12
Macaco velho não mão em cumbuca.
Prudência/Precaução/Cautela
13
O perigo que corre o pau corre o machado.
Igualdade
14
Quem foi rei nunca perde a majestade.
Experiência/Hábito
15
Panela que muitos mexem, ou sai ensossa ou salgada.
Falta de Unidade de Comando/ Desorganização
16
Quem não arrisca não petisca.
Risco/Ousadia/Ação
17
Quem vai ao vento, perde o assento.
Risco
18
Em boca fechada não entra mosquito.
Discrição ao falar
19
Todos os caminhos levam a Roma.
Escolha
20
Palavra de rei não volta atrás.
Firmeza
21
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Incoerência
22
Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
Poder/Destaque
23
Quem não tem cão, caça como gato.
Flexibilidade/Adaptação
24
Mais vale prevenir do que remediar.
Prudência
25
Quem tem boca vai a Roma.
Comunicação/Persistência
26
Deus ajuda a quem cedo madruga.
Ação/Esforço
27
Caititu fora da manada é papa de onça.
União/Sinergia
28
Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Subordinação ao poder
29
Faça o que digo, e não o que eu faço.
Incoerência
30
Quando um não quer, dois não brigam.
Permissão/Sensatez/Bom Senso

(fonte: http://penseoamanha.blogspot.com.br/2012/01/30-ditos-populares-e-seus-significados.html, acesso em 01/04/2012)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Questões para concurso


1. Marque o erro de ortografia:

a) expontâneo                        b) extravagante

c) exterior                               d) explodir 

RESPOSTA: "A". A palavra correta é espontâneo. Todas as outras palavras apontam para o prefixo "ex", que geralmente indica "movimento para fora".

 

2. Assinale o erro de ortografia:

a) pechincha                           b) sossobrar

c) prazo                                  d) xícara

RESPOSTA: "B". A palavra é soçobrar, que pode significar "subverter", "afundar", "perturbar". As demais são palavras conhecidas e, por eliminação, o candidato poderia resolver.

 

3. Está correta a palavra:

a) hereje                                 b) reprisar

c) cangica                               d) repreza

RESPOSTA: "B". As demais alternativas trazem palavras com escritas equivocadas. Corretamente se escrevemherege, canjica e represa.

 

4. (FGV – Adaptada) Reescreva o trecho a seguir, corrigindo as impropriedades ortográficas:

 Todos suporam que, a dispeito da inesperiência, ele seria candidato.

 

RESPOSTA: Há, no trecho, 3 palavras erradas: a forma verbal correta é supuseram e não "suporam", deriva depuseram, assim como compuseram, repuseram, etc; a palavra correta é despeito e não "dispeito"; e, no terceiro caso, temos o equívoco de inexperiência, grafada gravemente com "s". 

 

È importante! Você deve ler!

Conteúdos mais cobrados pelo ENEM:

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/raio-x-do-enem-confira-os-conteudos-mais-cobrados

O mundo de um novo ângulo (Veja, 1º de fevereiro, 2012. P. 65-71) (Versão impressa)

Uma geração descobre o prazer de ler (Veja, 18 de maio, 2011. P. 98-108) (Versão impressa):

Como passar em concursos públicos (Veja, 13 de julho, 2011. P. 116-125) (Versão impressa):

A Carta Argumentatica e o Artigo de opinião: qual é a diferença?

 
Ambos os textos possuem caráter dissertativo-argumentativo. Têm por finalidade principal convencer, persuadir alguém sobre um ponto de vista que se defende. Os concursos vestibulares geralmente escolhem um tema que se encontra em discussão na sociedade para elaborar a prova de redação. São assuntos cotidianos sobre os quais os candidatos precisam estar bem informados.


O Artigo deverá sempre reflete a ideia de seu autor, independente da opinião do veículo de comunicação. É muito parecido com o texto DISSERTATIVO, normalmente alvo dos vestibulares. É importante identificar o autor na parte superior direita. Não há datas e o título precisa ser atribuído.

A carta argumentativa é um texto mais pessoal, por ser dirigido de uma pessoa a outra. Por isso, mais do que no gênero anterior, aparece o emprego da primeira pessoa do singular, até pela razão de não haver uma estratégia mais interessante.

A carta-argumentativa caracteriza-se por ser uma correspondência com um leitor definido, específico, em oposição ao artigo, que é produzido sempre se pensando num leitor geral, num conjunto de pessoas geralmente desconhecidas.

A dificuldade dos alunos se apresenta, muitas vezes, em levar isso para o papel. Inúmeros são os casos em que a estrutura é de carta, mas o texto é de artigo como, por exemplo, o texto a seguir:
Leia-o e liste o que faltou para que o texto seja considerado uma carta argumentativa.
Se quiser postar suas respostas, corrigimos para você.
Fique de olho e logo postarei comentários sobre esta questão.
E que tal reescrever o texto e transformá-lo em uma Carta argumentativa?
 
Bom trabalho!
Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação,
Ao analisarmos os diversos problemas enfrentados pelos brasileiros, percebemos que a educação apresenta-se como um dos mais graves. Apesar da queda do analfabetismo na última década, ainda assumimos uma posição vergonhosa no “ranking” latino-americano.
Essa questão torna-se complexa, pois está relacionada a diversos problemas nacionais como a desigualdade na distribuição de renda, a exploração do trabalho infantil, dificuldades no acesso às escolas, exploração sexual de crianças e adolescentes, perfazendo um conjunto de tristes realidades, que separam cada vez mais, as famílias em situação de vulnerabilidade social do sistema regular de ensino.
As deficiências no processo de ensino-aprendizagem também merecem atenção, principalmente nos primeiros anos escolares. Metodologias de ensino inadequadas, carências de recursos humanos e materiais, péssimo sistema de transporte escolar, além de baixos salários, são elementos importantes que contribuem para a evasão escolar e para a má qualidade do serviço prestado.
Diante de tal situação, precisamos, ainda, percorrer um árduo caminho para que possamos ter um país que veja a educação com a seriedade merecida. Sendo assim, a valorização do magistério, a informatização das escolas, a capacitação profissional, além de um melhor planejamento dos recursos aparecem como estratégias importantes, para transformar o Sistema Educacional em um serviço eficiente e eficaz.
Atenciosamente,
 
 
 

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Alguns dos erros mais comuns em textos dissertativo-argumentativos.

  • Foco da proposta: é preciso concentrar-se na pergunta-chave que será respondida ao longo do texto;

  • EXPOSIÇÃO dos dados estatísticos em detrimento da ARGUMENTAÇÃO. Dados podem ser usados na INTRODUÇÃO, para apresentar o tema, ou no desenvolvimento, para ILUSTRAR, mas não deve predominar a título de ARGUMENTOS;

  •  Confusão entre TEMA X TÍTULO;

  • Não posicionar-se claramente, deixando a resolução para as autoridades ou para as pessoas envolvidas;

  •   Ideias extremadas, ser radicalmente contra ou radicalmente a favor, especialmente com temas polêmicos como aborto, legalização da maconha, gravidez, união de homossexuais;

  •   Fuga ao gênero textual sugerido. Fazer manifesto ou propaganda sobre determinado tema;

  •   Expressões da fala em texto argumentativo como “já pensou?”, “gente, acorde!”, “bem”, “acertou em cheio”, “imagina só”;

  •    Introdução detalhando o tema; o parágrafo introdutório deve apresentar o tema em linhas gerais, dando pistas do que será tratado, ao leitor;

  •    “Ter” usado como “Haver”; “Tem muita gente que trabalha duro.” O certo é “Há muita gente que trabalha/Existe muita gente que trabalha duro.”

  •  HÁ + ATRÁS com ideia de tempo decorrido;

  •   Chegar à conclusão sem ter desenvolvido ou aprofundado o tema;

  •   Uso de ONDE sem indicação de lugar;

  •  Clichês como ULTIMAMENTE, NAS ÚLTIMAS DÉCADAS, etc nem sempre se enquadram na introdução;

  •   Problemas de norma culta (concordância e ortografia, principalmente).

  •     Falta de sequência coerente de tempos verbais;

  • Confusão nos parônimos (ex. machista x marxista);

  •  Não definição de verbos de 1ª conjugação quanto ao pretérito x futuro: MUDARAM / MUDARÃO.


 

GAME REFORMA ORTOGRÁFICA


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AINDATEM DÚVIDAS SOBRE A REFORMA ORTOGRÁFICA? TREINE AQUI:

Questões para concurso - Ortografia


01. Assinale o erro
a) Não quiseram fazer a pesquisa, tão pouco responderam ao questionário.
b) Todo mal é finito.
c) Invadiram a fazenda, mal nasceu o dia.
d) Não fale sobre esse jogo.


02. Só está correta a frase:
a) Chorou, mais não convenceu.    b) Ele não é assim tão mau.
c) A firma esta sobre nova direção. d) Voltou não sei por que.


03. Assinale o erro
a) Daqui a um ano, eu te darei a resposta.
b) Sua conversa foi acerca da dívida.
c) A criança estava sob as cobertas.
d) Isso ocorreu a pouco.

RESPOSTAS COMENTADAS:
01-A. Quando significa "nem" ou "também não", a forma correta é TAMPOUCO; TÃO POUCO (separado) significa MUITO POUCO, o vocábulo TÃO é advérbio de intensidade. Na "b , "mal" está como substantivo, portanto correto, na "c", "mal" indica tempo, por isso correta a grafia, e na opção "d", "sobre" está correto por significar "a respeito de".

02-B. na "a", deveria ser "mas" (porém), na "c", o correto é "sob" (abaixo de, comandado por), na "d", o "que" deve ser acentuado por estar em final de oração.

03-D. Quando indicar tempo passado, o correto é escrever "há", com o sentido de "faz"; na alternativa "a", existe temporalidade futura, portanto correto o "a"(preposição), na "b", "acerca" significa "sobre", por isso correta a escrita, na "c", poderia ser "sob" ou "sobre", dependendo do contexto. 
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domingo, 24 de março de 2013

A correção de um texto exige a observação de alguns aspectos!

Não imponha a obrigação de corrigir o seu texto apenas ao professor
 
 
A revisão de texto é muito importante para que você não caia em armadilhas produzidas por si mesmo!

Vejamos alguns pontos que você precisa se atentar na hora de revisar seu texto:

Quanto à estética, observe:

a) Se a letra está legível: não quer dizer “letra bonita”, mas sim a preocupação de gerar entendimento para quem ler o texto.

b) Se há paragrafação: disposição correta dos parágrafos. Estes devem estar bem estruturados e delimitados por pontuação.

c) Se as margens estão regulares: as palavras devem ir até o fim da linha, a não ser que seja um poema.

d) O travessão: se há o espaçamento devido antes da utilização deste.

e) Se há rasuras: o melhor é que elas não existam! Mas caso ocorram, prefira riscar com um só risco o termo errado e colocá-lo entre parênteses. Coloque a palavra correta acima, ou continue a escrever normalmente, caso o erro aconteça no momento da escrita e na folha definitiva.

Quanto à gramática, observe:

a) Ortografia: as palavras estão escritas da maneira correta?

b) Pontuação: há vírgulas em excesso ou falta delas? Há vírgula onde deveria existir ponto final?

c) Concordância verbal e nominal: observe se todos os verbos concordam com seus sujeitos e se os substantivos estão concordando com o artigo, numeral, pronome ou adjetivo que os acompanha.

d) Regência verbal: veja se a regência do verbo está coerente com seu complemento.

e) Colocação pronominal: os pronomes estão posicionados corretamente? Fique atento principalmente aos do caso oblíquo (me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos).

Quanto à estilística, observe:

a) Repetição de palavras, com atenção especial ao pronome “que” e também de ideias: empobrecem o texto.
b) Frases longas: deixam o texto confuso.
c) Se há elementos conectivos: são essenciais para a coesão (mas, porém, contudo, entretanto, etc.)

d) Emprego de palavras ou de argumentos em lugares errados.

Quanto à estrutura, observe:

a) Se há uma ideia central que norteia o texto ou um conflito básico a ser solucionado.
b) Se há uma sequência de fatos enquadrados em uma lógica-temporal.
c) Se há presença dos aspectos do tipo de texto escolhido: dissertação (exposição e defesa de argumentos); narração (conflito e exposição da personagem); descrição (características do local e fatos relatados), e assim por diante.

Por último, veja a conclusão: ela deve ter no máximo cinco linhas e conter de forma resumida o que foi falado com a apresentação de uma solução para o conflito ou de uma opinião sobre o que foi exposto.
Por Sabrina Vilarinho

sexta-feira, 15 de março de 2013

Denotação e Conotação

Uma lição

A denotação é o primeiro sentido de um signo, de um termo. Exemplo: "banana" denota uma fruta. A conotação consiste nos múltiplos sentidos posteriores do signo. Exemplo: "João é um banana". Aqui "banana" significa frouxo, destituído de vontade e de personalidade. Outro exemplo: "Azul" denota uma cor; "Anderson azulou", cujo significado é sumiu, saiu, fugiu. Portanto, a "gíria" é sempre conotativa.

Uso de Aspas

As aspas ("...") são usadas em três casos:
quando de citação literal, isto é, a reprodução de uma frase de outra pessoa da maneira pela qual ela foi formulada. Exemplo: o rei Luís XVI disse: "o Estado sou eu";
quando do uso de palavras estrangeiras. Exemplo: o "establishment" (sistema dominante e institucionalizado) é conservador. Outro exemplo: a publicidade, muitas vezes, utiliza o "outdoor". Atenção: não se usam aspas em palavras latinas, pois o Latim é a base do português. Exemplo: é preciso defender o status quo (o que existe atualmente). Outro exemplo: os conservadores desejariam retornar ao status quo ante (situação anterior, passada);
quando do uso de termos no plano conotativo. Exemplo: esta aula foi "animal". Animal denota fera; no nível conotativo da gíria significa "fantástico", "excepcional". Outro exemplo: ela é uma "gata". Gato denota um tipo de felino; no plano conotativo quer dizer "bonita", "atraente".

Algumas Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem são recursos expressivos de uma língua. São maneiras de redigir e falar que fogem do discurso literal denotativo, visando informar de maneira conotativa e criativa. Elas ajudam a evitar os "clichês", isto é, frases feitas de uso corrente e pouco imaginativas. A cada aula ensinaremos duas figuras de linguagem para você entender e usar.

A METÁFORA

Consiste numa comparação implícita, ou seja, uma comparação na qual não se usa o termo como. Exemplo: o Mauricio é forte como um leão. Nesta frase não há metáfora, trata-se de uma mera comparação. Agora: Mauricio é um leão. Repare que na segunda proposição (frase) não aparece o termo como. O leitor deduz que a força do Mauricio é leonina. Como já dissemos, nesse caso, a comparação está implícita. Outro exemplo: Joana é burra como uma porta (comparação); Joana é uma porta (metáfora).

A CATACRESE

Consiste no deslocamento do sentido original, denotativo, do termo. Exemplo: "enterrei o prego no pé". Ora, "enterrar" significa enfiar algo na terra e não no pé, o que implica um afastamento do primeiro sentido do termo. Outro exemplo: "embarquei no avião". Embarcar é entrar no barco, portanto "embarcar no avião" é uma catacrese. Mais um exemplo: "pé da mesa". Você bem sabe que mesa não tem "pé"; o uso de "pé da mesa" é uma analogia, pois a estrutura de sustentação da mesa lembra um pé. Ainda mais: "bico do bule", o mesmo caso de "pé da mesa"; "comprei azulejos amarelos". "Azulejo" significa uma peça de decoração de cor azul. Portanto, azulejos amarelos deslocam o sentido original da palavra "azulejo".

O EUFEMISMO

É o uso de um termo ou expressão no lugar de outro termo ou expressão considerado chocante ou desagradável. Exemplo: "Maria foi desta para melhor" em lugar de "falecer". Outro exemplo: "Joana deu à luz" ao invés de "pariu"

A HIPÉRBOLE

É a figura que consiste em enunciar um conceito com exagero. Exemplo: "Eu já falei isso um milhão de vezes". Outro exemplo: "Seu discurso era tão caudaloso quanto o rio Amazonas".

Uso do Pleonasmo

Pleonasmo é a repetição do mesmo conceito. Ele pode ser "vicioso" quando aplicado de forma redundante. Exemplos: "entrar para dentro"; "subir para cima", etc. O pleonasmo também pode ser uma figura de estilo se usado como "ênfase". Exemplo: "vi com meus próprios olhos"; "pisei com meus próprios pés".

Encontrei em um site de redação e tomei a liberdade de usar. Isso pode ajudar?

Dezoito formas de começar um texto que vão das mais simples as mais complexas.
Fonte:http://www.algosobre.com.br/redacao/o-paragrafo-chave-18-formas-para-voce-comecar-um-texto.html

1. Uma declaração (tema: liberação da maconha)

É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogaspsicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda.
A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor.

2. Divisão (tema: exclusão social)

Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginalidade social em Nova Yorkv em contando com intensivos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada.
Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-lo na frase seguinte.

3.Definição (tema: o mito)

O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana.
A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave, sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o primeiro parágrafo.
4. Uma pergunta (tema: a saúde no Brasil)
Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um buraco que parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para alimentar um sistema que só parece piorar.
A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação.

5. Comparação (tema: reforma agrária)

O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são afavor e os que são contra a implantação da reforma agrária.
Para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a sociedade de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de comportamento entre elas.

6. Oposição (tema: a educação no Brasil)

De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil.
As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado / de outro) que estabelecerá o rumo da argumentação. Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste exemplo:
Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo grau de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto a cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra; esperança por observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e quase sempre como forma de resistência e/ou transformações.(...)
O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a compõem.

7. Alusão histórica (tema: globalização)

Após a queda do muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos lesteoeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de competição.
O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.

8. Uma frase nominal seguida de explicação (tema: a educação no Brasil)

Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º ano do 2º grau submetidos ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes em todas as regiões do território nacional.
A palavra tragédia é explicada logo depois, retomada por essa é a conclusão.

9. Adjetivação (tema: a educação no Brasil)

Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a política educacional do governo.
A adjetivação inicial será a base para desenvolver o tema. O autor dirá, nos parágrafos seguintes, por que acha a política educacional do governo equivocada e pouco racional.

10. Citação (tema: política demográfica)

"As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora". O comentário do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo.
A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela palavra comentárioda segunda frase.

11. Citação de forma indireta (tema: consumismo)

Para Marx a religião é o ópio do povo Raymond Aron deu o troco: o marxismo é o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo é mesmo ir às compras. Como as modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se trata.
Esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente a citação. É melhor citar de forma indireta que de forma errada

12. Exposição de ponto de vista (tema: o provão)

O ministro da Educação se esforça para convencer de que o provão é fundamental para a melhoria da qualidade do ensino superior. Para isso, vem ocupando generosos espaços na mídia e fazendo milionária campanha publicitária, ensinando como gastar mal o dinheiro que deveria ser investido na educação
Ao começar o texto com a opinião contrária, delineia-se, de imediato, qual a posição dos autores. Seu objetivo será refutar os argumentos do opositor, numa espécie de contra-argumentação.

13. Retomada de um provérbio (tema: mídia e tecnologia)

O corriqueiro adágio de que o pior cego é o que não quer ver se aplica com perfeição na análise sobre o atual estágio da mídia: desconhecer ou tentar ignorar os incríveis avanços tecnológicos de nossos dias, e supor que eles não terão reflexos profundos no futuro dos jornais é simplesmente impossível.
Sempre que você usar esse recurso, não escreva o provérbio simplesmente. Faça um comentário sobre ele para quebrar a ideia de lugar-comum que todos eles trazem. No exemplo acima, o autor diz "o corriqueiro adágio" e assim demonstra que está consciente de que está partindo de algo por demais conhecido.

14. Ilustração (tema: aborto)

O Jornal do Comércio, de Manaus, publicou um anúncio em que uma jovem de dezoito anos, já mãe de duas filhas, dizia estar grávida mas não queria a criança. Ela a entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas. Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto.
O tema é tabu no Brasil.(...)
Você pode começar narrando uma fato para ilustrar o tema. Veja que a coesão do parágrafo seguinte se faz de forma fácil; a palavra tema retoma a questão que vai ser discutida.

15. Uma sequência de frases nominais (frases sem verbo) (tema: a impunidade no Brasil)

Desabamento de shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa clínica do Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em Caruaru. Chacina de sem-terra em Eldorado dos Carajás.
Muitos meses já se passaram e esses fatos continuam impunes.
O que se deve observar nesse tipo de introdução são os paralelismos que dão equilíbrio às diversas frases nominais. A estrutura de cada frase deve ser semelhante.

16. Alusão a um romance, um conto, um poema, um filme (tema: a intolerância)

Quem assistiu ao filme A rainha Margot, com a deslumbrante Isabelle Adjani, ainda deve ter os fatos vivos na memória. Na madrugada de 24 de agosto de 1572, as tropas do rei de França, sob ordens de Catarina de Médicis, a rainha-mãe e verdadeira governante, desencadearam uma das mais tenebrosas carnificinas da História.(...)
Desse horror a História do Brasil está praticamente livre(...)
O resumo do filme A rainha Margot serve de introdução para desenvolver o tema da intolerância religiosa. A coesão com o segundo parágrafo dá-se através da palavra horror, que sintetiza o enredo do filme contado no parágrafo inicial.

17. Descrição de um fato de forma cinematográfica (tema: violência urbana)

Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe média. Choperia Bodega - um bar da moda, frequentado por jovens bem-nascidos.
Um assalto. Cinco ladrões. Todos truculentos. Duas pessoas mortas: Adriana Ciola, 23, e José Renato Tahan, 25. Ela, estudante. Ele, dentista.
O parágrafo é desenvolvido por flashes, o que dá agilidade ao texto e prende a atenção do leitor. Depois desses dois parágrafos, o autor fala da origem do movimento "Reage São Paulo".

18. Omissão de dados identificadores (tema: ética)

Mas o que significa, afinal, esta palavra, que virou bandeira da juventude? Com certeza não é algo que se refira somente à política ou às grandes decisões do Brasil e do mundo. Segundo Tarcísio Padilha, ética é um estudo filosófico da ação e da conduta humanas cujos valores provêm da própria natureza do homem e se adaptam às mudanças da história e dasociedade.
Caríssimos, dependendo do tema que será abordado, há algumas sugestões bem interessantes que podem ser aproveitadas. Há que se verificar a natureza do concurso, as características da instituição promotora, para produzir o seu texto.
As duas primeiras frases criam no leitor certa expectativa em relação ao tema que se mantém em suspenso até a terceira frase. Pode-se também construir todo o primeiro parágrafo omitindo o tema, esclarecendo-o apenas no parágrafo seguinte.

Ainda sobre as cotas raciais...Achei importante que vocês vejam!

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