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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Aulão de análise das obras para o vestibular de MEDICINA UNIPAC ARAGUARI


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Flores Artificiais (Luiz Ruffato)

O Santo e a Porca (Ariano Suassuna)

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Primeiramente, é preciso esclarecer umas coisas:

·        A ordem direta dos termos de uma oração é:

SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO + ADJUNTO ADVERBIAL 

·        Nessa ordem, não usamos vírgula para separar esses termos, ou seja, não separamos o sujeito do verbo, nem o verbo do seu complemento, nem um adjunto adverbial no final de uma frase.

·        O adjunto adverbial pode se deslocar na frase, podendo aparecer também no início e no meio da oração. Quando esse deslocamento ocorre, a vírgula pode ou não ser usada. Veremos isso a seguir.

·        E quando uma expressão de valor meramente explicativo aparecer numa frase e apresentar certa pausa durante a pronúncia, essa expressão deverá ser isolada por vírgulas.

A vírgula deve ser usada para:

Separar um aposto explicativo

O que é um aposto explicativo? Aposto explicativo é uma expressão que apresenta uma informação a mais a respeito de um nome anteriormente citado.

MARIA, ESTUDANTE DE DIREITO, PASSOU NO CONCURSO.
O aposto explicativo “estudante de direito” refere-se ao nome “Maria”

VAMOS PARA O RIO DE JANEIRO, A CIDADE MARAVILHOSA. 
O aposto explicativo “a cidade maravilhosa” refere-se ao nome “Rio de Janeiro”.


·        Separar um vocativo
O que é um vocativo? Vocativo é termo usado para invocar, chamar, nomear a pessoa a quem se fala.

FILHO, ONDE VOCÊ COLOCOU SEU UNIFORME? 
O vocativo “filho” refere-se à pessoa a quem se fala e deve estar entre vírgulas

ENTENDAM, CRIANÇAS, QUE PARA TUDO TEM HORA. 
O vocativo “crianças” refere-se às pessoas a quem se fala e deve estar entre vírgulas

·         Separar o nome da cidade nas datas
SÃO PAULO, 23 DE SETEMBRO DE 2010.

·         Separar adjuntos adverbiais deslocados para o início ou para o meio da frase
O que é um adjunto adverbial? Adjunto adverbial é qualquer palavra ou expressão que apresenta uma circunstância como tempo, modo, intensidade, lugar, causa, concessão etc.

NESSE SÁBADO, ENCONTRAREMOS NOVAS FORMAS DE DIVERSÃO. 
adjunto adverbial = “nesse sábado” (circunstância de tempo)

ENCONTRAREMOS NOVAS FORMAS DE DIVERSÃO NESSE SÁBADO 
veja que o adjunto adverbial “nesse sábado”, quando se encontra no final da frase, não precisa ser separado por vírgulas

ELES VIAJARAM PARA PORTO ALEGRE E, APESAR DO FRIO, NÃO LEVARAM MUITOS AGASALHOS. 
Adjunto adverbial = “apesar do frio” (circunstância de concessão)

NESSA PEQUENA CIDADE, DURANTE O FIM DE SEMANA, AS RUAS FICAM DESERTAS.
Adjunto adverbial = “nessa pequena cidade” (circunstância de lugar). 
Adjunto adverbial = “durante o fim de semana” (circunstância de tempo). 

Veja que cada adjunto adverbial deve vir separado por vírgulas.


  >>>>> Se o adjunto adverbial for uma única palavra ou uma expressão curta, pode não haver necessidade de usar a vírgula, caso não se queria enfatizar essa palavra.

ONTEM FOMOS À PRAIA.
Adjunto adverbial = “ontem” (circunstância de tempo)

GOSTO MUITO DE VOCÊ.
adjunto adverbial = “muito” (circunstância de intensidade)

·         Separar termos de mesmo valor sintático (uma enumeração, por exemplo)
O que seriam termos de mesmo valor sintático? Quando se diz que dois ou mais termos apresentam o mesmo valor sintático, significa que esses termos desempenham a mesma função na frase: pode ser a função de sujeito, de objeto, de adjunto, entre outras. (Também dizemos que esses elementos estão coordenados entre si).

MINHA MÃE, MEU PAI, MEU IRMÃO E EU MORAMOS NA MESMA CASA. 
Os termos separados por vírgulas apresentam o mesmo valor sintático de sujeito do  verbo morar.

COMPRAMOS GELADEIRA, FOGÃO, SOFÁ E GUARDA-ROUPAS. 
Os termos separados por vírgulas apresentam o mesmo valor sintático de objeto direito do verbo comprar.

ONTEM, ÀS TRÊS HORAS DA TARDE, DURANTE O JOGO, ACONTECEU UM ACIDENTE GRAVÍSSIMO. 
Os termos separados por vírgulas apresentam o mesmo valor sintático de adjunto adverbial.

ELE NÃO ERA BONITO, INTELIGENTE NEM SENSATO. 
Os termos separados por vírgulas apresentam o mesmo valor sintático de predicativo do sujeito.

PODEMOS LEVAR LARANJA, ABACAXI, MAÇA OU MELANCIA.

  
OBSERVAÇÃO: veja que, numa enumeração, quando os dois últimos elementos são ligados pela conjunção E, OU e NEM, a vírgula não deve ser usada.

·         Intercalar qualquer termo de valor explicativo ou corretivo
ELES NÃO QUEREM PERDER AS VANTAGENS, ISTO É, OS LUCROS.

ESSA TAREFA NÃO É FÁCIL, OU SEJA, EXIGE ESFORÇO E DEDICAÇÃO.


OBSERVAÇÃO: outras expressões de valor explicativo ou corretivo >> “quer dizer”, “a saber”, “melhor dizendo”, “por exemplo”, “ou melhor”

·         Separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas (ver casos especiais das orações unidas pela conjunção E)
O que significam as palavras sindética e assindética? Sindética significa que a oração apresenta conjunção, e assindética significa que não há conjunção.

Vejamos, primeiramente, as coordenadas sindéticas, isto é, com a presença de conjunção:

ELE NÃO SÓ CORRIA, MAS TAMBÉM NADAVA TODOS OS DIAS. 

ELE ESTUDOU MUITO, PORÉM SEU DESEMPENHO NAS PROVAS NÃO FOI SUFICIENTE.

FAÇA COMO EU ENSINEI, OU NÃO TERÁ SUCESSO.

“PENSO, LOGO EXISTO.”

NÓS ESTUDAMOS TODA A MATÉRIA EXAUSTIVAMENTE, PORTANTO ESTAMOS PREPARADOS.


Vejamos, agora, as coordenadas assindéticas, isto é, as orações justapostas sem a presença de conjunção:

ELE GRITAVA, GESTICULAVA, CHORAVA COMO UMA CRIANÇA.

OS CHEFES CHEGARAM, A FESTA ACABOU.

O VENTO SOPRAVA FORTE, AS ÁRVORES BALANÇAVAM, MEUS CABELOS ATRAPALHAVAM A VISÃO DESSA TARDE CHOROSA.

·         Isolar orações intercaladas
EU ESPERO QUE, ENQUANTO ESTEJAM NESSA CASA, CUMPRAM MINHAS ORDENS.

EU CHEGUEI, EMBORA NÃO FOSSE PRECISO, ÀS CINCO HORAS DA MANHÃ.

EU QUERIA, SE FOSSE POSSIVEL, CONTRATAR MAIS FUNCIONÁRIOS.

·         Separar as orações subordinadas adjetivas explicativas

O que são orações subordinadas adjetivas explicativas? Uma oração subordinada adjetiva explicativa é aquela que apresenta uma informação acessória relacionada a um termo da oração anterior. Há sempre um pronome relativo no início da oração subordinada adjetiva explicativa.

O CELULAR, QUE É UM APARELHO QUASE INDISPENSÁVEL ATUALMENTE, GANHA CADA VEZ MAIS RECURSOS. 
a vírgula encontra-se antes do pronome relativo “que”.

ELE REENCONTROU MARIA, CUJO LIVRO FOI PUBLICADO ESSE MÊS. 
a vírgula encontra-se antes do pronome relativo “cujo”.

·         Separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando elas estão antepostas à oração principal.
O que são orações subordinadas adverbiais? Uma oração subordinada adverbial é aquela que apresenta uma circunstância no mesmo sentido de um adjunto adverbial.

QUANDO ELE CHEGOU, A DESORDEM JÁ HAVIA ACONTECIDO.
Oração adverbial “quando ele chegou” (circunstância de tempo).

SE EU TIVESSE DINHEIRO, RESOLVERIAS TODOS ESSES PROBLEMAS.
Oração adverbial “se eu tivesse dinheiro” (circunstância de condição)

MESMO QUE VOCÊ FAÇA O IMPOSSÍVEL, NADA IRÁ MUDAR AGORA.
Oração adverbial “mesmo que você faça o impossível” (circunstância de concessão)

SEGUNDO DIZEM, ELE É CULPADO.
Oração adverbial “segundo dizem” (circunstância de conformidade)

COMO MEU ESFORÇO NÃO FOI SUFICENTE, NÃO PASSEI NO TESTE.
Oração adverbial “como meu esforço não foi suficiente” (circunstância de causa): geralmente a oração adverbial causal só terá vírgula quando vier anteposta à oração principal.

FEITO O TRABALHO, OS FUNCIONÁRIOS FORAM EMBORA.
Oração adverbial “feito o trabalho” (circunstância de tempo): veja que, nesse caso, a oração adverbial é reduzida de particípio.

QUANTO MAIS ESTUDA, MAIS APRENDE.
Oração adverbial “quanto mais estuda” (circunstância de proporcionalidade)

ELE CORREU TANTO, QUE DESMAIOU.
Oração adverbial “quer desmaiou” (circunstância de consequência): veja que, nesse caso, a oração adverbial está após a oração principal e, mesmo assim, é separada por vírgula.

ELAS CONTINUAVAM SORRINDO, EMBORA ESTIVESSEM TRISTES.
oração adverbial “embora estivessem tristes” (circunstância de concessão): veja que, também nesse caso, a oração adverbial está após a oração principal e, mesmo assim, é separada por vírgula.

·         Indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo)
MEU PAI MORA EM SÃO PAULO; MINHA MÃE, EM SALVADOR.
Veja que há a omissão do verbo morar: minha mãe MORA em salvador.

NUM RESTAURANTE, EU SEMPRE PEÇO SALADA; MEU NAMORADO, PIZZA.

Veja que há a omissão do verbo pedir: meu namorado PEDE pizza.


OBSERVAÇÃO: nesses casos de supressão do verbo, veja o uso do ponto e vírgula.


·         A conjunção E e o uso da vírgula
Geralmente, não se usa vírgula antes da conjunção E quando ela é usada para unir termos de mesma função sintática (numa enumeração, por exemplo) e quando ela é usada para unir orações coordenadas.

MARIA, CLÁUDIA E LUCIANA ESTUDAM NA MESMA SALA.

EU FAÇO PINTURAS E DESENHOS.

OS ALUNOS LERAM O LIVRO E FIZERAM UM RESUMO.

NÓS FOMOS E VOLTAMOS NO MESMO DIA.


É preciso usar a vírgula antes da conjunção E quando:

a). Ela liga orações que apresentam sujeitos diferentes.
AS MENINAS PERGUNTAVAM, E OS MENINOS RESPONDIAM.

O CHEFE SAI, E OS FUNCIONÁRIOS FAZEM A FESTA.

b). Ela vem repetida numa enumeração(polissíndeto).
ESSE SOL MATUTINO ESPALHA ÂNIMO, E FELICIDADE, E LUZ, E BELEZA.

TODOS CANTAVAM, E DANÇAVAM, E SORRIAM, E BEBIAM EXAGERADAMENTE.


OBSERVAÇÃO: esse mesmo caso pode ser aplicado quando se repetem as formas OU e NEM: 

 ELE PODE IR POR ÁGUA, OU POR TERRA, OU PELO AR.
 NEM VOCÊ, NEM EU, NEM ELA, NEM QUALQUER PESSOA DESTE LUGAR PODERÁ SAIR.


·         Sobre os casos das conjunções adversativas (exceto o “mas”) e conclusivas deslocadas
·          
VÁ ONDE QUISER; FIQUE, PORÉM, MORANDO CONOSCO.

v  Veja que a conjunção “porém” está deslocada e entre vírgulas. A ordem direta da oração seria: “Vá onde quiser, porém fique morando conosco”. 

v   Ao ser deslocada para depois do verbo, a conjunção “porém” deve ficar entre vírgulas. 

v   Esse mesmo caso pode ser aplicado às demais conjunções adversativas (“entretanto”, “contudo”, “no entanto”, “todavia”), exceto com a conjunção “mas”.


OS FUNCIONÁRIOS CUMPRIRAM A META; MERECEM, PORTANTO, UMA GRATIFICAÇÃO. 

v  Veja que a conjunção “portanto” está deslocada e entre vírgulas. A ordem direta da oração seria “Os funcionários cumpriram a meta, portanto merecem uma gratificação.”

v   Ao ser deslocada para depois do verbo, a conjunção “portanto” deve ficar entre vírgulas. 

v   Esse mesmo caso pode ser aplicado às demais conjunções conclusivas (“logo”, “por conseguinte”, “pois”). Vale lembrar que a conjunção “pois” só terá valor conclusivo se for usada deslocada para depois do verbo.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Análise e exercícios para interpretação da obra



  "Memórias Póstumas de Brás Cubas" é a obra que sela a nossa independência literária, a nossa maturidade intelectual e social, a liberdade de concepção e expressão de que o Brasil se encontrava necessitado na época. Tal livro é conhecido como um "divisor de águas" na Literatura Brasileira. É ele que divide em duas partes o trabalho do escritor Machado de Assis: a fase romântica e a fase realista, que tem início com sua publicação. Também é ele, em 1881, que faz a passagem do Romantismo para o Realismo brasileiro.

Esta é uma história fantástica, narrada por um defunto-autor. Brás Cubas, o narrador-personagem, é apresentado nela, por Machado de Assis, como um homem pretensamente superior, a fim de revelar exatamente o oposto, ou seja, o quanto a condição humana seria frágil, precária. Vemos que se revela o realismo irônico, de forma universal e intemporal, surgindo ante os leitores a postura niilista, ou seja, de completa negativa de tudo, misturada à filosofia e à metafísica.

 Brás Cubas manipula a história, mostra-se sempre superior, com mania de grandeza, desde o início de seu relato. Chega a comparar seu relato ao Pentateuco, que é um livro sagrado, histórico, fundador de uma tradição religiosa, atribuído a Moisés, um profeta universalmente importante, insinuando que a diferença radical entre este relato e o seu seria apenas o fato de Brás narrar sua existência partindo da morte e Moisés, seguindo a cronologia normal, tomando o nascimento como início.
  A ironia destaca-se no decorrer da obra e direciona-se a vários objetos. Um exemplo é a postura romântica, quando apresenta alguns trechos em que a ridiculariza - como a frase de que a natureza chora sua morte ou ao questionar a bondade e a fidelidade do amigo que o elogia em seu funeral, insinuando que o comprara.

O verdadeiro caráter do narrador-personagem revela-se gradativamente, no decorrer do romance. Aos poucos, o leitor vê do que ele é capaz, o que pensa sobre si e sobre os outros, como não tem limites para chegar ao que deseja atingir, sem freios, sem cuidados.

No romance, surgem o uso da metalinguagem e a interlocução ou conversa com o leitor, que também é denominada "processo do leitor incluso". O nosso narrador, que não é nada confiável, ilude, provoca e desconcerta seu leitor, servindo-se de conversas nas quais ironiza suas expectativas, fazendo, inclusive, reflexões metalinguísticas, usadas para criticar a linguagem e a estrutura das narrativas tradicionais e questionar o próprio processo de criação literária. Um exemplo disso é quando Brás faz a metalinguagem, ironizando, por meio dela, o leitor apressado e acostumado com a estrutura utilizada nos folhetins românticos, nas quais a narração é direta, regular e fluente.

Ocorre, ainda, a quebra da linearidade do enredo, aparecendo micro capítulos digressivos, usados para comentar, explicar e exemplificar outros capítulos. Essa atitude de Machado de Assis fragmenta o romance tradicional. Faz com que o leitor tenha que se esforçar constantemente na montagem, organização, recriação crítica e criativa da obra. Um bom exemplo disso seria o episódio da borboleta preta, uma alegoria à personagem Eugênia, que é manca e pobre. Outros exemplos de fragmentação mais radicais são "O velho diálogo de Adão e Eva" e "De como não fui ministro", capítulos compostos apenas e tão-somente de sinais de pontuação, repletos de ideias, mas vazios de palavras, levando a imaginação do leitor a funcionar.

Um forte niilismo pode ser verificado, quando, no capítulo final do romance, ele enumera todas as negativas que lhe compuseram a existência, em todos os sentidos e planos. Apenas alguns pontos positivos, como o fato de não ter que morrer pobre como D. Plácida, de não enlouquecer como Quincas Borba e de não necessitar de trabalho para sobreviver são mencionados, como uma pequena compen­sação para tantos "nãos". No entanto, ao refletir melhor, em mais uma de suas voltas, acaba por desmentir aquilo que seria um consolo, uma conciliação com a vida. Diz que fez mais, e que carrega um saldo, ainda que pequeno, o qual se constitui na derradeira negativa do romance e em mais uma grande ironia de Machado: em um radicalismo niilista, Brás nega que a Humanidade mereça ter continuidade, vangloria-se de não ter tido filhos, de não dar prosseguimento a sua família.

Vinga-se da vida, recusa-a radicalmente, trata de demoli-la. "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria" é uma frase que nos revela a universalidade da miséria humana, tanto que o narrador troca o "eu" pelo "nós" e, assim, podemos verificar que Brás Cubas se revela como síntese de muitas, ou talvez, de todas as pessoas, com seus fracassos não assumidos, e não apenas um ser. Machado analisa a todos, de forma profunda, com sua capacidade imensa de penetração psicológica. Desvenda-nos as faces do ser humano, como se de um só falasse. 
 (Fonte: Stockler Vestibulares)

Exercícios de interpretação

01. (FGV-SP) Sobre o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é correto afirmar que:

a) marca o início do Romantismo na literatura brasileira.
b) o nascimento do filho do protagonista com Virgília redime a tristeza de Brás Cubas.
c) o contato de Brás Cubas com a filosofia do Humanismo é-lhe facultado pelo amigo Quincas Borba.
d) Marcela era realmente apaixonada por Brás Cubas.
e) as personagens femininas do romance têm a ingenuidade das heroínas românticas.

02. (UFMG) Considerando-se o narrador de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é INCORRETO afirmar que ele:
a) aborda, de forma humorística, os temas trágicos da morte e da loucura.

b) apresenta, por intermédio de Quincas Borba, o sistema filosófico denominado Humanitismo.

c) convoca frequentemente o leitor a envolver-se na narrativa.

d) relata suas memórias, tendo como ponto de partida fatos decisivos de sua infância.

03.  (UFMG) Todas as alternativas sobre o narrador de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, estão corretas, EXCETO:

a) Analisa o ser humano, focalizando o seu lado negativo, seus defeitos morais.
b) Conta a história de forma regular e fluente, preocupando-se com a compreensão do leitor.
c) Informa que a causa de sua morte foi uma ideia fixa, a obsessão com o emplastro Brás Cubas.
d) Não hesita em apontar seus próprios erros e imperfeições, pois está a salvo dos juízos alheios.
e) Não vê com bons olhos a figura do crítico, chegando mesmo a ridicularizá-lo.

04.  (UFMG) Todos os trechos extraídos de Memórias póstumas de Brás Cubas expressam a ideia de que o ser humano sempre se mira num espelho social, o olhar do público, EXCETO:

a) “Então, — e vejam até que ponto pode ir a imaginação de um homem, com sono, — então, pareceu-me ouvir de um morcego encarapitado no tejadilho: Sr. Brás Cubas, a rejuvenescência estava na sala, nos cristais, nas luzes, nas sedas, — enfim, nos outros.”

b) “Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração, assaz crédula, sinceramente piedosa, — caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada; temente às trovoadas e ao marido. O marido era na Terra o seu deus. Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha educação (...)”

c) “Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo...”

d) “O alienista notou então que ele escancarava as janelas todas desde longo tempo, que alçara as cortinas, que devassara o mais possível a sala, ricamente alfaiada, para que a vissem de fora, e concluiu: — Este seu criado tem a mania do ateniense: crê que todos os navios são dele; uma hora de ilusão que lhe dá a maior felicidade da terra.”

e) “Pareceu-me então (e peço perdão à crítica, se este meu juízo for temerário!) pareceu-me que ele tinha medo — não de mim, nem de si, nem do código, nem da consciência; tinha medo da opinião. Supus que esse tribunal anônimo e invisível, em que cada membro acusa e julga, era o limite posto à vontade do Lobo Neves.”

05. (UFPE-adaptada) Observe e responda V (verdadeiro) ou F (falso). “Começo a arrepender-me desse livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade.”

( ) Este fragmento é de um romance pretensamente biográfico, escrito por um “defunto-autor”.

( ) A ironia, o pessimismo e o desmascaramento das ilusões estão presentes no livro.

( ) “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Frase de fim do romance, encerra o desencanto do autor diante da vida.

( ) Memórias póstumas de Brás Cubas é seu primeiro romance, tendo sido escrito na fase romântica.

( ) O texto revela uma forma trabalhada, limpa e perfeita. Em sua obra, o rigor formal não exclui a clareza.

06. (Fuvest-SP) “Era uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos de pássaros, ou perseguir lagartixas nos morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa, como dous peraltas sem emprego. E de imperador! Era um gosto ver o Quincas Borba fazer de imperador nas festas do Espírito Santo. De resto, nos nossos jogos pueris, ele escolhia sempre um papel de rei, ministro, general, uma supremacia, qualquer que fosse. Tinha garbo o traquinas, e gravidade, certa magnificência nas atitudes, nos meneios. Quem diria que... Suspendamos a pena; não adiantemos os sucessos. Vamos de um salto a 1822, data da nossa independência política, e do meu primeiro cativeiro pessoal.”

A busca de “uma supremacia, qualquer que fosse”, que nesse trecho caracteriza o comportamento de Quincas Borba, tem como equivalente, na trajetória de Brás Cubas:

a) o projeto de tornar-se um grande dramaturgo.
b) a ideia fixa da invenção do emplastro.
c) a elaboração da filosofia do Humanitismo.
d) a ambição de obter o título de marquês.
e) a obsessão de conquistar Eugênia.

07. (Fuvest) "Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boafortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."

O texto evidencia, com clareza, pelo menos uma das características principais de Machado de Assis:

a) o pessimismo ingênuo dos escritores realistas e naturalistas do século XIX.

b) a linguagem rebuscada, de tal modo ambígua, que quase prejudica a compreensão do sentido.

c) um pessimismo irônico, disfarçado sob a aparência de conformidade indiferente.

d) o gosto pela frase lapidar, carregada de expressões inusitadas.

e) a capacidade de sintetizar, em apenas um parágrafo, todo o enredo do romance.

Gabarito:
01) c
02) d
03) b
04) b
05) V - V - V - F – V
06) b
07) c