quinta-feira, 12 de abril de 2012

Proposta de redação - Dissertação argumentativa




Os fragmentos de texto abaixo, oferecidos para a sua reflexão, apresentam situações distintas, mas que se identificam ao tratarem dos muros visíveis e invisíveis que separam as pessoas. Analise as ideias desses fragmentos e produza uma dissertação argumentativa em que você discuta a desigualdade reveladora de muros visíveis e invisíveis no Brasil.

Texto l
Todo muro tem dois lados. Se, do lado de cá, ele mpede o avanço do nosso descaso para com os pobres; do lado de lá, ele vai servir de trincheira, casamata e torre para os que se aproveitam da pobreza “criminosamente” [...]. Com o muro, concretiza-se o que o Zuenir Ventura diagnosticou como uma cidade partida que, murada, será irremediavelmente repartida.
DAMATTA, Roberto.O problema do muro no Brasil.
O Estado de São Paulo, 15 abr. 2009. Caderno 2. p. D
12.

Texto ll
O menino parado no sinal de trânsito vem em minha direção e pede esmola. Eu preferia que ele não viesse. [...] Sua paisagem é a mesma que a nossa: a esquina, os meios-fios, os postes. Mas ele se move em outro mapa, outro diagrama. Seus pontos de referência são outros. Como não tem nada, pode ver tudo. Vive num grande playground, onde pode brincar com tudo, desde que “de fora”. O menino de rua só pode brincar no espaço “entre” as coisas. Ele está fora do carro, fora da loja, fora do restaurante. A cidade é uma grande vitrine de impossibilidades. [...] Seu ponto de vista é o contrário do intelectual: ele não vê o conjunto nem tira conclusões históricas — só detalhes interessam. O conceito de tempo para ele é diferente do nosso.
Não há segunda-feira, colégio, happy hour. Os momentos não se somam, não armazenam memórias. Só coisas “importantes”: “Está na hora do português da lanchonete despejar o lixo...” ou “estão dormindo no meu caixote...” [...] Se não sentir fome ou dor, ele curte. Acha natural sair do útero da mãe e logo estar junto aos canos de descarga pedindo dinheiro. Ele se acha normal; nós éque ficamos anormais com a sua presença.
JABOR, A. O menino está fora da paisagem. O Estado de São Paulo, São Paulo, 14
abr. 2009. Caderno 2, p. D 10.

Texto lll
Vinte anos se passaram desde a queda do Muro de Berlim. A cidade comemora com uma programação rica em atividades. Pode-se conferir, por exemplo, uma grande exposição de fotografias na Alexander Platz ou ver de perto a restauração da East Side Gallery, um pedaço de muro ainda existente que se transformou numa galeria de arte a céu aberto. [...] Em Berlim, [...] tenho ouvido a afirmação recorrente de que o muro persiste enquanto paisagem interiorizada pelos habitantes da cidade. [...] Onde buscar esse muro internalizado? [...] Tudo isso faz pensar nas cidades brasileiras, onde os muros tomam conta da paisagem, seja segregando favelas e bairros populares, seja cercando os condomínios fechados dos bairros nobres. Berlim nos ensina que o muro é forma-conteúdo, é produto e também processo, reflete e condiciona o modo como uma sociedade lida com a diferença. O muro também produz a diferença e radicaliza a ocultação do “outro”, transforma diferença em segregação e desigualdade.
SERPA, A. Muros internalizados.
A Tarde, Salvador, 1o ago. 2009.
Caderno Opinião, p. A 3

Texto lV
Desde a Idade Média se erguem muros religiosos. O professor Theotônio dos Santos, da Universidade Federal Fluminense, explica que “as conquistas coloniais da Espanha e de Portugal, com seu cortejo de mortes e miséria, foram feitas em nome da salvação das almas atéias a serem convertidas. Tratava-se de expandir o objetivo inicial das cruzadas. Estas se confrontaram com a expansão vitoriosa do Islã, transformado no maior império da Idade Média”. Desde então, guerras e confrontos em nome de Deus alicerçam os muros religiosos. “Nunca faltaram pessoas que acreditassem nos motivos mais absurdos usados para respaldar as ambições econômicas e geopolíticas dos grupos no poder nas várias regiões do mundo. Muitos são líderes religiosos que se dedicaram a justificar os falcões em todos os lados das lutas armadas. Deus é um péssimo argumento numa guerra entre fundamentalistas religiosos”, enfatiza o professor Theotônio, lembrando da guerra do Iraque.
Um outro aspecto dos muros religiosos é levantado por Ariovaldo Ramos – os muçulmanos que gozam de liberdade no Ocidente para divulgar sua fé, mas não permitem que o mesmo seja feito em suas terras. “Isso é um muro religioso. Os islâmicos não querem os cristãos conspurcando os valores morais. Não querem suas mulheres como as nossas, nem falando, nem se comportando, nem se vestindo. E não querem o consumismo ocidental. Não há luta, apenas a postura contra uma figura mítica que é o Grande Satã, que para eles está tentando devorar a cultura, a religiosidade e a moral do seu povo”.
Nilza Valéria. Revista Enfoque


Bom trabalho!

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