quarta-feira, 13 de maio de 2015

Análise da obra Dois Irmão de Milton Hatoum de leitura obrigatória para o vestibular da UNIPAC /ARAGUARI



Análise da  obra Dois Irmão de Milton Htoum

Dados Biográficos Nasceu em Manaus, AM, em 19/081952. Professor, tradutor, contista e romancista colecionador de prêmios literários. Até o momento todos os seus livros são premiados: Relato de um certo Oriente (1990); Dois irmãos (2000); e Cinzas do Norte (2005) receberam o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, como melhores romances do ano, sendo que o último recebeu também o Prêmio Portugal Telecom Literatura. São livros que já venderam mais de 200 mil exemplares e foram traduzidos em oito países. Sobre o livro mais recente: Órfãos do Eldorado (2008) ainda não temos notícia de premiação, mas já foi eleito pelo público, vendendo mais de 10 mil exemplares logo após o lançamento. Em suas obras, o autor costuma falar de lares desestruturados com uma leve tendência política. Em Cinzas do norte, por exemplo, seu romance mais abertamente político, inicia-se no mesmo registro desencantado que termina Dois irmãos. É um romance com uma linguagem seca e objetiva, que conta uma das possíveis estórias de uma geração que sonhou um mundo mais justo apenas para encontrá-lo em cinzas na sua maturidade. Quanto ao estilo, é conhecido por misturar experiência e lembranças pessoais com o contexto sociocultural da Amazônia e do Oriente. Sobre o primeiro livro, assim ele explica: “No Relato de um certo Oriente há um tom de confissão, é um texto de memória sem ser memorialístico, sem ser autobiográfico; há, como é natural, elementos de minha vida e da vida familiar. Porque minha intenção, do ponto de vista da escritura, é ligar a história pessoal à história familiar: este é o meu projeto. Num certo momento de nossa vida, nossa história é também a história de nossa família e a de nosso país (com todas as limitações e delimitações que essa história suscite). Descendente de imigrantes libaneses, o autor já morou em diversas cidades, além de Manaus, sua fonte de inspiração. Aos 15 anos muda-se para Brasília, onde concluiu os estudos secundários, e depois para São Paulo, onde se fez Arquiteto pela USP. Em 1980 mudou-se para a Espanha como bolsista do Instituto Ibero americano de Cooperación. Em seguida passa a viver em Paris onde fez sua pós-graduação Na Universidade de Paris III. Retorna à Manaus, onde passa a lecionar literatura francesa e brasileira. Em fins da década de 1990 volta à São Paulo para concluir seu doutoramento em Teoria Literária na USP, onde se encontra estabelecido.
Disponível em São Paulo: Cia. das Letras, 2000. » Cinzas do Norte, 2005 » Órfãos do Eldorado. São Paulo: Cia. das Letras, 2008

Obras
» Relato de um Certo Oriente (romance). São Paulo: Cia. das Letras, 1990.
» Dois Irmãos (romance).
 O romance tem, como centro do enredo, a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar, o Caçula - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Na mesma casa, localizada em bairro portuário de Manaus, moram Domingas, a empregada da família, e seu filho Nael, um menino cuja infância é moldada pela condição de filho da empregada. Na tentativa de buscar a identidade de seu pai entre os homens da casa, Nael narra os acontecimentos que lá se passam, testemunhando vingança, paixão e relações arriscadas. É por meio de seu ponto de vista que o leitor entra em contato com Halim, o pai, sempre à espera da decisão mais acertada diante dos abismos familiares; com a desmedida dedicação da esposa Zana ao filho preferido Omar; com o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da família; com a relação amorosa entre Rânia e seus irmãos; com a vida simples e cheia de renúncias da mãe Domingas. A história se inicia com a volta de Yaqub, que, por ordem do pai, fora enviado, com treze anos, ao sul do Líbano um ano antes da 2ª Guerra, no intuito de aliviar os atritos entre os irmãos. Considerado frágil e demasiadamente problemático, Omar fica no Brasil, solidificandose, assim, a superproteção iniciada na infância.
Cinco anos mais tarde, a volta de Yaqub marca a existência de uma nova pessoa: um jovem calado e cheio de mistérios que escondiam os segredos de sua permanência fora do país. Sozinho, segue para São Paulo, onde, recusando a ajuda financeira dos pais, forma-se em Engenharia Civil e se casa de forma misteriosa, comunicando a família por meio de um telegrama. Enquanto Yaqub trilhava os caminhos do sucesso, Omar se perdia em bebedeiras, noitadas e sucessivos escândalos. Ao ser enviado a São Paulo para tentar obter o êxito do irmão, descobre que ele se casou justamente com a jovem Lívia - paixão de ambos desde a infância e causadora de uma séria briga entre os dois. Faz desenhos obscenos nas fotos do álbum de casamento do irmão, apertando ainda mais os laços de inimizade entre os dois. Em seguida, rouba dinheiro do irmão e foge para os Estados Unidos.
Morre Halim e, pouco tempo depois, Omar faz amizade com o indiano Rochiram, que pretendia construir um hotel em Manaus. Zana, na tentativa de unir os filhos e desejosa de que abrissem uma construtora, escreve a Yaqub, que vai à cidade a negócios, ignorando a participação do irmão. Ao sentir-se traído, Omar espanca Yaqub, mandando-o para o hospital. Inicia-se, então, uma verdadeira caçada que se encerra com a prisão e condenação do Caçula a dois anos e sete meses de reclusão. O indiano Rochiram, vendo seus negócios fracassarem, exige que a irmã dos gêmeos, Rânia, venda a casa em que vivem para pagamento das dívidas. Surge, assim, no local, a Casa Rochiram, uma loja de quinquilharias importadas de Miami e Panamá. Nael fica com um pequeno quadrado no quintal. Durante todo o desenrolar da história, Nael lutava ao lado da mãe, assoberbado, sem muito tempo para os estudos. Sente-se, com isso, injustiçado.

Nunca desistiu de arrancar dos membros da família a identidade de seu pai, que sabia estar em um dos gêmeos. No jogo de interditos, juntando os cacos do passado, Nael se empenha em descobrir a verdade e, somente após trinta anos, quando quase todos já estão mortos, é que parece motivado a olhar para as personagens.

Características da obra

Dois Irmãos, romance de Milton Hatoum, narra história de ódio familiar. Escrito em estilo enxuto e ao mesmo tempo repleto de sutilezas, o romance narra a tumultuada relação de ódio entre dois irmãos gêmeos, numa família de origem libanesa que vive em Manaus O romance.
Dois Irmãos, publicado em 2000, rompeu um silêncio de 11 anos que Milton Hatoum vinha mantendo desde Relato de um Certo Oriente, sua estreia como romancista. O autor costuma dizer, em entrevistas, que “cada livro nos ensina a escrever”. Se sua afirmação for levada ao pé da letra, nenhum livro lhe ensinou tanto quanto Dois Irmãos. Nessa obra, Hatoum demonstra grande domínio da técnica da ficção, num estilo mais enxuto que o da primeira obra e, ao mesmo tempo, repleto de nuanças e sutilezas.

A trama gira em torno da tumultuada relação entre dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, em uma família de origem libanesa que vive em Manaus. O ambiente que forma o pano de fundo da história é o de imigrantes que se dedicam ao comércio, numa cidade que vê aprofundar-se sua decadência, após o período de grande efervescência econômica e cultural vivido no início do século XX.

AVANÇOS E RECUOS NO TEMPO
A narrativa apresenta avanços e recuos no tempo, sem uma cronologia linear. Os problemas vão sendo revelados ao leitor aos poucos, conforme o narrador rememora fatos esclarecedores e os encadeia para solucionar (ou deixar em suspensão) os enigmas da história. Uma breve introdução narra a morte de Zana, em situação de enorme angústia. Na cena descrita, o silêncio que responde negativamente à última pergunta da mulher (“Meus filhos já fizeram as pazes?”) coincide com o fim do dia.
O primeiro capítulo começa com a volta do jovem Yaqub de uma viagem forçada ao Líbano. Pode-se concluir que essa ação se passa em 1945, no fim da II Guerra Mundial, pois o porto do Rio de Janeiro está “apinhado de parentes de pracinhas e oficiais que regressavam da Itália”.
O motivo da viagem ao Líbano é esclarecido em mais um recuo cronológico: a tentativa de separar os gêmeos e evitar o conflito entre eles. As diferenças entre os personagens, que parecem vir do berço ou ter começado em sua mais remota infância, tornam-se cada vez mais acentuadas. 

ÓDIO PERENE
 A primeira disputa séria entre os irmãos tem como pivô Lívia, uma garota pela qual os dois se apaixonam. Numa primeira ocasião (o baile dos jovens), a mãe ordena a Yaqub que leve a irmã Rânia para casa, o que favorece Omar. O troco não demora a chegar: numa sessão de cinematógrafo na casa dos vizinhos, uma pane no equipamento deixa a sala escura. Quando as luzes se acendem, os lábios de Lívia estão colados ao rosto de Yaqub. Omar se vinga quebrando uma garrafa e cortando, com ela, o rosto do irmão. A cicatriz em forma de meia-lua será uma marca do ódio perene entre ambos.

Os pais percebem que o incidente pode despertar uma série de vinganças entre os dois e, para evitar isso, mandam Yaqub a uma aldeia remota no Líbano. A estratégia resulta inútil, pois a única coisa que não muda em Yaqub, ao voltar para o Brasil, é o ódio que sente do irmão; o mesmo pode ser dito de Omar.

Yaqub chega da viagem e se aferra aos estudos, revelando-se um matemático excelente. O irmão, que permanecera sob os cuidados da mãe, mostra-se irrequieto e indisciplinado. Durante uma aula de matemática, o Caçula agride o professor Bolislau, o preferido de Yaqub, e é expulso do colégio dos padres. Vai para uma escola de reputação duvidosa – Liceu Rui Barbosa, o Águia de Haia, conhecido como “Galinheiro dos Vândalos”. Lá, conhece o professor Antenor Laval, admirador de poetas simbolistas franceses e defensor da liberdade.

Em contrapartida, o sucesso de Yaqub tem como prêmio uma viagem a São Paulo, a fim de que possa aprimorar os estudos. Seu professor de matemática, o padre Bolislau, ajuda-o a decidir-se pela partida, ao dizer: “Se ficares aqui, serás derrotado pela província e devorado pelo teu irmão”. Antes de seguir, Yaqub tem um encontro amoroso com Lívia.

PROSPERIDADE VERSUS BOEMIA
Aos poucos, a identidade do narrador é revelada. Sua mãe, Domingas, trabalhadora prestativa e submissa, nada diz ao filho sobre quem seria seu pai. De São Paulo, Yaqub envia cartas cada vez mais lacônicas. Forma-se em engenharia, prospera profissionalmente e casa-se. Enquanto isso, um Halim velho e nostálgico fala sobre o passado ao narrador. Conta como foi o nascimento dos filhos e a abertura de sua loja. Afirma, também, que a vinda dos filhos o incomodou, pois sentia que eles lhe roubavam a atenção da mulher, principalmente o Caçula.

Omar torna-se boêmio, entrega-se a festas e a bebedeiras, terminando sempre suas noitadas estirado numa rede da casa, onde permanece grande parte do dia. Na noite em que traz uma mulher para casa, isso ultrapassa os limites até mesmo de seu permissivo pai. Halim levanta-se e expulsa a desconhecida, que dormia na sala. Depois, arrasta o filho pelo cabelo, dá-lhe uma bofetada, prende-o ao cofre e parte por dois dias.

Quando Omar leva formalmente outra mulher, Dália, para casa, Zana antevê nela uma potencial concorrente, por isso a expulsa. O Caçula parte atrás de Dália, que descobrem ser uma das Mulheres Prateadas, grupo de dançarinas amazonenses que se apresentava em uma casa noturna.
Após o episódio da mulher prateada, Zana decide enviar Omar a São Paulo. Yaqub negasse a abrigar o irmão, mas se propõe a alugar para ele um quarto numa pensão e matricula- lo num colégio particular. O Caçula parte para São Paulo e, durante algum tempo, porta-se de maneira exemplar.

De repente, chega a notícia de seu desaparecimento. Algum tempo depois, descobre-se que ele se envolvera com a empregada de Yaqub para ter acesso à casa do irmão. Ao chegar lá, descobrira que a mulher de Yaqub não era outra senão Lívia, alvo das disputas infantis dos gêmeos. Tomado pela raiva, Omar cobrira as fotos de Yaqub e de sua mulher com desenhos obscenos. Roubara também 820 dólares do irmão, mais o seu passaporte, e viajara para os Estados Unidos.


MORTE DE HALIM
Numa visita de Yaqub à família, em Manaus, o narrador observa sua mãe e o visitante de mãos dadas e desconfia ter descoberto a identidade de seu pai. De volta a São Paulo, o gêmeo mais velho prospera cada vez mais.
Omar retorna a Manaus, onde se envolve em atividades de contrabando e com uma mulata conhecida como Pau-Mulato. Depois foge de casa por longo tempo. Halim decide procurar o Caçula, mas a busca, que dura meses, não surte resultado.
É Zana quem dá o passo decisivo para encontrar o filho: procura um velho peixeiro manco, o Perna-de-Sapo, que conhecia a floresta como ninguém. Em pouco tempo, o homem descobre o paradeiro de Omar. Zana vai atrás dele e, após uma discussão, o traz para casa.
O narrador revela sua paixão por Rânia, que, no entanto, só irá conceder a ele uma única noite de amor. Halim envelhece, e a presença definitiva do Caçula o deixa pouco à vontade em casa. Zana pede a Nael, o narrador, que acompanhe o filho em suas noitadas.

Outra faceta de Omar é narrada no episódio de prisão e morte do professor Antenor Laval. Em abril de 1964, logo após o golpe militar, Laval é espancado por policiais em praça pública e preso. Dois dias depois, sabe-se que está morto.

Omar, abalado com o destino do mestre, fecha-se em luto e deixa temporariamente as noitadas. Halim se entrega cada vez mais ao passado e sai de casa frequentemente, para longas caminhadas pela cidade, sempre seguido por Nael. Até que, na véspera do Natal de 1968, só volta de madrugada, depois que todos já dormiam. De manhã, os familiares o encontram: sentado sobre o sofá, não respira mais. Omar dirige, então, grandes ofensas em direção ao corpo do pai.

Vizinhos chegam a tempo de impedir o filho de atacar o cadáver. Yaqub envia para o enterro uma coroa de flores e um epitáfio: “Saudades do meu pai, que mesmo à distância sempre esteve presente”. Zana, pela primeira vez, trata Omar com dureza e o repreende severamente.

PROJETO FRACASSADO

 Omar passa a trazer para casa um indiano chamado Rochiram, que pretende construir um hotel em Manaus. Zana vê aí a possibilidade de reconciliar os dois irmãos. O Caçula prevê as intenções da mãe e tenta esconder inutilmente o indiano. Por carta, Zana chama Yaqub, que, após algum tempo, aparece secretamente em Manaus e se hospeda num hotel isolado. Está associado a Rochiram. Numa manhã, Yaqub surge na casa e deita-se na rede, chamando Domingas para sentar-se a seu lado. Nesse instante, Omar irrompe na varanda e agride brutalmente o irmão indefeso. Rasga também seus projetos para a construção do hotel. Os planos de Zana vão por água abaixo: Yaqub tentara trair o irmão, que descobrira tudo e o teria matado se não fosse a interferência de Nael e dos vizinhos.

Para piorar a situação, o fracasso do projeto resulta em gigantesca dívida com o empresário indiano. Pouco tempo após o conflito, Domingas fica doente e morre. Antes, revelara ao filho que, no passado, fora estuprada por Omar.
Rânia prepara um bangalô para levar a mãe, que resiste a abandonar o velho lar. Um dia, Rochiram aparece e pede a casa como forma de acerto da dívida. A sugestão viera de Yaqub. Omar torna-se um foragido, porque a agressão fora denunciada pelo irmão à polícia. Nesse tempo, ocorre a morte de Zana. Uma pequena parte da casa, nos fundos, torna-se posse de Nael. “Tua herança”, afirma-lhe Rânia.

Numa tarde, Omar aparece diante de Rânia. A irmã não tem tempo de falar com ele, já que policiais estavam à espreita e o capturam, depois de agredi-lo. pturam, depois de agredi-lo. O narrador cita rapidamente a morte de Yaqub. Omar sai da cadeia pouco antes de cumprir sua pena. Na última cena do romance, chove torrencialmente e o Caçula aparece diante do narrador. Olha fixamente para Nael, parece estar a um passo de pedir perdão, mas recua e parte lentamente.

Exercícios
 01. (UFAM) A respeito do personagem Adamor, o Perna-de-Sapo, do romance Dois Irmãos, de Milton Hatoum, fazem-se as seguintes afirmativas:
 I. Em 1943 descobriu os restos de um avião Catalina que desaparecera nas florestas do Purus e salvou da morte o aviador Binford.
II. Descobriu, a pedido de Zana, o paradeiro de Omar, que fugira de casa com uma mulher chamada Pau-Mulato e se escondera num barquinho atrás do Mercado Adolpho Lisboa.
III. Antes de se tornar coveiro, era um peixeiro que vendia de porta em porta e sofria com as implicâncias da índia Domingas.
IV. Ao sair de Lábrea com uma das pernas paralisada, veio para Manaus, onde passou a morar em condições humilhantes numa palafita.
Estão corretas:
a) Apenas II e IV
 b) I, II e IV
c) Apenas I e III
 d) II, III e IV
 e) Todas as afirmativas
02. (UFAM) Ainda sobre o romance Dois Irmãos, é correto afirmar, a propósito do enredo:
a) Para ajudar Halim a conquistar Zana, Abbas escreveu um gazal com quinze dísticos, que o pretendente fingiu esquecer na mesa do restaurante Biblos, de propriedade do viúvo Galib, pai da moça.
b) Tal como em Esaú de Jacó, de Machado de Assis, observamos o tema dos gêmeos, que foi, porém, tratado de forma diferente, de vez que os dois irmãos não são inimigos.
 c) Domingas, a mãe de Nael, após ter ficado órfã, veio do Alto Rio Negro trazida por Halim, que nessa época trabalhava como regatão.
 d) A antiga casa de Halim e Zana foi vendida para uma multinacional, após a instalação da Zona Franca, e Nael e Rânia, sua tia, se mudaram para um conjunto habitacional moderno.
e) Uma das pretendentes a casar com Yaqub se chamava Dália, a Mulher Prateada, que, no entanto, não foi capaz de enfrentar o ciúme possessivo que Zana sentia em relação ao filho.

O fragmento a seguir faz parte do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum; com ele se relacionam as questões 03 e 04.
“Foi Domingas quem me contou a história da cicatriz no rosto de Yaqub.
 (...) Era uma tarde nublada de sábado, logo depois do Carnaval. As crianças da rua se alinhavam para passar a tarde na casa dos Reinoso, onde se aguardava a chegada de um cinematógrafo ambulante. No último sábado de cada mês, Estelita avisava as mães da vizinhança que haveria uma sessão de cinema em sua casa. Era um acontecimento e tanto. As crianças almoçavam cedo, vestiam a melhor roupa, se perfumavam e saíam de casa sonhando com as imagens que veriam na parede branca do porão da casa de Estelita.”

03. Assinale a alternativa incorreta, em relação a “As crianças da rua se alinhavam para passar a tarde na casa dos Reinoso, onde se aguardava a chegada de um cinematógrafo ambulante”.
a) Na expressão dos Reinoso há circunstância de posse.
b) São, respectivamente, substantivo, preposição e adjetivo: rua, na, Reinoso.
 c) O pronome se, em se alinhavam, é reflexivo e se refere a As crianças.
d) Em “onde se aguardava” onde é pronome relativo; equivale a na qual.
e) A oração para passar a tarde na casa dos Reinoso indica finalidade.
04. Assinale a alternativa incorreta.
 a) A história de Dois irmãos tem início em 1910 e termina no final da década de 60 quando, durante o regime militar, Yaqub é preso e desaparece misteriosamente.
b) O rio Negro, as chuvas fortes, as enchentes e as frutas típicas da região amazônica aparecem como pano de fundo do romance.
c) O tema central do romance é o conflito entre os irmãos gêmeos Omar e Yaqub, filhos de imigrantes libaneses.
d) Os irmãos eram apaixonados por Lívia, com quem Yaqub casou.
e) Halim era avô do narrador, filho bastardo de Omar.
05. Com relação ao texto e ao romance “Dois irmãos”, assinale a(s) proposição(ões) correta(s).
01) No Texto, o narrador principal da história (Nael, filho de Omar) cede espaço para um narrador secundário (Halim, pai de Omar) resumir sua saga de imigrante libanês.
 02) A narrativa apresenta um drama familiar e a conflituosa relação entre os dois irmãos gêmeos, Yacub e Omar.
04) Nael, personagem/narrador perturbado pela dúvida quanto à sua filiação, reconstrói a memória da família libanesa, que é, também, a sua própria memória/identidade.
08) O excerto apresenta os principais elementos da narrativa de Hatoum: romance ambientado em Manaus; o narrador, Galib, é mascate, conhece Zana, filha do dono de um restaurante, e é pai dos gêmeos Yacub e Omar (foco da discórdia familiar).
16) São recorrentes em obras de ficção ou que representam diferentes culturas, as disputas entre irmãos gêmeos, a exemplo de Caim e Abel, Esaú e Jacó, mas que, diferentemente de Yacub e Omar, encontram uma saída harmoniosa para o conflito.
32) Embora os dois irmãos sejam gêmeos, Omar é chamado de “o caçula”, o que denuncia o tratamento desigual dado, pela mãe, aos dois personagens principais e criticado pela irmã dos gêmeos, Rânia.
64) Nael, o narrador, é filho da índia Domingas e de Omar, filho de imigrante libanês. Nael simboliza a mistura das raças resultante dos processos de imigração, que se deu de forma tranquila e equilibrada.
06. Na narração que Nael faz do conflito entre Yaqub e Omar, da obra “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, evidencia-se:
a) o recurso ao fluxo de consciência para o desvendamento da filiação do narrador.
b) a caracterização das personagens principais segundo a ótica do regionalismo.
c) o distanciamento temporal do narrador em relação à grande parte dos fatos relatados.
d) a presença de um discurso xenófobo subjacente à história de decadência da família árabe.
 e) a oposição entre o discurso direto popular das personagens e o indireto culto do narrador.
07. Sobre a obra “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, analise as proposições a seguir:
 I. O ponto de vista do narrador é baseado nas suas observações, como também nos relatos de Domingas e Halim.
II. Quanto às personagens protagonistas, pode-se afirmar que Yakub tem a personalidade menos complexa, pois apresenta comportamento previsível, ao contrário de Omar.
III. O tempo da narrativa coincide com o tempo da narração, visto que a história é narrada diretamente da memória de um narrador, que usa como recurso o tempo psicológico e o discurso indireto livre para conseguir essa coincidência.
 IV. O episódio do restaurante Biblos, lugar onde nasce o romance de Zana e Halim, é um exemplo de “flashback”, isto é, rompimento da linearidade que se dá na história dos dois irmãos.
Marque a alternativa CORRETA:
a) As proposições I e II são verdadeiras.
b) As proposições II e III são verdadeiras.
c) As proposições III e IV são verdadeiras.
 d) As proposições II e IV são verdadeiras.
e) As proposições I e IV são verdadeiras.

Gabarito
01. E 02. A 03. B 04. A 05. 07 06. 




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