quarta-feira, 25 de março de 2015

SOBRE A INTERPRETAÇÃO DE UM TEXTO




Depois que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) entrou em vigor no Brasil, em 1997, muita coisa no ensino de Língua Portuguesa foi modificada, levando-se em consideração agora o amplo trabalho dos lingüistas nas universidades.
Antes o ensino de L.P. era basicamente em cima das gramáticas normativas: cheias de regras preconceituosas, impossíveis e, na maioria dos casos, decorativas. Quem não se lembra de ir para a escola carregando aquele calhamaço, aquele catatau de páginas e mais páginas explicando os inúmeros casos de como se usa a crase, entre tantas outras explicações esdrúxulas?
Hoje, o ensino de L.P. é basicamente interpretativo e contextualizado. Educa-se em língua materna para o entendimento no contexto em que se realiza a comunicação; educa-se para a completude do sujeito; educa-se para a essência do conteúdo, além dos diversos níveis de linguagens e gêneros existentes em uma mesma sociedade.
Mesmo assim, quando se fala em interpretação de textos muitos estudantes não têm certeza ou segurança de seguir em frente. A interpretação é algo individual ou há um sentido comum a todas as pessoas? O que a universidade quer é o mesmo que o autor diz? E as pegadinhas? São muitas as dúvidas que pairam sobre a cabeça dos alunos.
Virou lenda os casos de Jorge Amado e Mário Prata não acertarem as questões de vestibular que caíram sobre suas próprias obras literárias. Ninguém atesta a veracidade desse fato, mas é comum ouvir isso nos corredores dos pré-vestibulares e colégios.
O que se pode minimizar sobre o assunto, neste espaço contido, é que, em relação à interpretação de textos, não se pode cair em três erros básicos: a extrapolação, a redução e a contradição, senão se terá desviado do que pede o enunciado.
A extrapolação é o erro mais comum nas interpretações. Trata-se do aluno que “viaja na maionese”, ou seja, vai para além dos limites do texto, para o que não disse o autor. Não é a soma do que está nas entrelinhas ou implícito, é ultrapassar a fronteira do que não está posto.
Já a redução é enxergar o texto sobre um único prisma, não vê-lo como um todo: o aluno só se depara com um aspecto do mesmo e não com todo ele. A redução é fruto da pressa, da inexperiência, do ler de forma superficial.
E, por fim, a contradição, que é o fato do leitor chegar a conclusões opostas àquelas que estão no texto. As suas deduções o levaram a aspectos que estão contrários aos do autor, ao que ele escreveu. O mesmo que incoerência.
Como o brasileiro figura nas piores estatísticas da UNESCO sobre interpretação de textos e resoluções de problemas matemáticos (que são basicamente interpretativos!), é bom ficar de olho nos três erros descritos acima.
Persistindo a dúvida, tenha calma, leia a questão novamente, procure absorver o que quer dizer o autor - qual o tema trabalhado -, e responda à questão que mais se identifica com a ideia núcleo, com a essência, com o que se pede. Na maioria das vezes é uma simples questão de raciocínio lógico ou dedutivo.
Tudo o que o estudante necessita está ali no texto, no que o autor escreveu ou, como diria Foucault, nos silêncios que há entre uma palavra e outra, sem extrapolação, redução ou contradição!

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