quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Algumas orientações sobre a obra:A cidade e as serras Autor: Eça de Queirós

 
Movimento literário:Realismo (Portugal)
 
Características: Linguagem correta, perfeita, com extremo domínio do léxico. O estilo flui sem interrupções, preciso, contínuo e maleável. O volume é vazado dosando a ironia, a irreverência e a sensatez. Narrado em 1ª pessoa por José Fernandes, personagem de segundo plano; bom observador, ouve com atenção as opiniões e acata a supremacia do protagonista Jacinto. Cenário: os círculos mais abastados de Paris e as serras de Tormes, em Portugal, no final do século XIX.
 
Personagens:
  • Jacinto: personagem central da obra. Por seu berço abastado, por sua boa sorte e boa saúde era conhecido como "Príncipe da Grã-Ventura". Acreditando que o homem só é "superiormente feliz quando é superiormente civilizado", reúne, em sua residência de Paris, aquilo que a tecnologia, os avanços da ciência, a cultura e a riqueza podem dar. Suas investidas e sua enorme cultura o fazem passar da mais completa euforia (deslumbramento) ao maior pessimismo (cansaço da civilização). Reconcilia- se com a vida ao desembarcar em Tormes e defrontar-se com a beleza da natureza. Uma pequena nuvem embaça a vivência de Jacinto em Tormes, quando descobre a pobreza dos camponeses de suas terras, esforçando-se para lhes oferecer melhores condições de vida. Casa-se com Joaninha, que lhe dá dois saudáveis filhos, fazendo-o esquecer-se definitivamente de Paris.
  • José Fernandes: é amigo do protagonista. De origem fidalga, foi expulso de Coimbra, sendo mandado pelo tio a Paris para estudos. Acamaradou-se com Jacinto, tornando-se atento observador das transformações por que passa a personagem. Na volta de alguns anos em Portugal, após a morte do tio e protetor, envolve-se em uma aventura amorosa com Madame Colombe, que lhe furta joias e ouro. Constata a descrença e o pessimismo de Jacinto e o acompanha a Tormes, em Portugal. Após a conversão do amigo, José Fernandes retorna a Paris e, já não vendo encanto na cidade, resolve regressar definitivamente à sua terra.

  • Outras personagens: na linhagem familiar do protagonista, tem-se o avô Jacinto Galeão, miguelista extremado, que se refugiou em Paris quando da derrota de D. Miguel; e há o pai Cintinho, homem de pouca saúde que não conheceu o filho. O círculo de Jacinto em Paris é composto peIos elementos da aIta roda, personagens caricaturescas sempre apontadas por suas veleidades, como as da mundana Madame d'Oriol, as do grã-duque Casimiro e as do banqueiro judeu Efraim, representantes da burguesia que fazem do progresso uma fonte de lucro a gerar a desigualdade social. Dotado de inegável capacidade filosofante, está o criado GriIo. Do lado oposto, estão os representantes da serra, a nobreza rural e os trabalhadores braçais miseráveis que são focalizados para acirrar os contrastes.

Enredo: Na primeira parte, o narrador faz um retrato de Paris, centro do progresso e da civilização que se, a um tempo, constrói a grandeza, a outro, destrói a individualidade humana e marginaliza os menos privilegiados. Jacinto resolve partir para as serras, tendo como pretexto a reconstrução de sua propriedade. Embarca os trastes do progresso, mas perde sua bagagem, chegando a Tormes só com a roupa do corpo. Eufórico com a vida no campo, gradativamente assimila os valores da natureza, embora, em contato com a miséria, procure reformar e remodelar a estrutura rural arcaica de Portugal.

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