quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Algumas orientações sobre a obra: Vidas secas - Graciliano Ramos

 
Movimento literário:Modernismo (2ª geração/1930-1945).
 
Características: Seco e econômico. O autor usa poucas palavras, e palavras exatas. A adjetivação farta, os ornamentos linguísticos, a expressão rara, etc. cedem lugar a uma redação concisa. As frases são curtas, diretas e nos remetem apenas ao essencial, ao "concreto" descrito nas cenas. Por meio de seu estilo e vocabulário, Graciliano Ramos ambienta seu livro no mundo desolador das secas, que, em muitas passagens, remete o leitor às características do Naturalismo. Vidas secas é o último romance de Graciliano Ramos e a única experiência do autor com foco narrativo em terceira pessoa. A obra é construída em forma de espiral, cujo início fechado ("Mudança", cap. I) abre-se no final, com o último capítulo ("Fuga") conduzindo as personagens para um destino inusitado, mas que mantém o elo da desdita, da miséria, da fome e da pobreza. Entre os dois capítulos-limite são constituídos 11 quadros, que, aparentemente, nada têm em comum a não ser os personagens e a paisagem. Um tênue fio narrativo faz o leitor conhecer a história de uma família de retirantes nordestinos que foge da seca, encontra período de passageira estabilidade e parte novamente em retirada, quando as chuvas deixam de cair, prenunciando novo período de seca. A economia (de estilo, de linguagem, de vida e de cenário) pode ser destacada como característica básica do volume.
 
Personagens:
  • Fabiano: homem rude, de pouco falar. Assusta-se com o desconhecido, é desconfiado e manipulado pelos poderosos. Identifica-se com os bichos, o que denuncia a condição subumana a que está confinado. Seu modo de ser e de viver muitas vezes aproxima-o do modo de ser e viver de um animal, no processo conhecido como zoomorfização.
  • Sinha Vitória: versão feminina de Fabiano. Seu sonho é ter uma cama de couro, igual à de seu Tomás da bolandeira.
  • Os meninos: referidos como "o menino mais novo" e "o menino mais velho", não recebem nomes. O texto deixa entender que os garotos perpetuarão o mesmo tipo de vida dos pais, compondo um círculo vicioso.
  • Baleia: a cadela é a personagem que mais se assemelha a um "ser humano". É solidária, atenciosa e amiga. Baleia é o elemento que confere humanidade ao grupo, sendo exemplo de antropomorfização.
  • Soldado amarelo: símbolo do poder autoritário, que subjuga Fabiano e todos aqueles que como ele vivem.

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