terça-feira, 30 de abril de 2013

Proposta: dissertaão argumentativa - Alcoolismo

 

 Leia com atenção o tema sobre o qual deve criar um título e produzir um texto dissertativo/argumentativo. Se sentir necessidade de correção envie seu texto para: contatodnaformacao.com.br. Alguém de nossa equipe devolverá seu texto corrigido em até dois dias.

 
Texto l
 
...... O Brasil tem um número de alcoólatras estimado em 15 milhões, o dobro da população da Suíça. Mas a realidade pode ser ainda pior. Os médicos da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas, que se dedicam a estudar dependência química no Brasil, estimam que, na verdade, 10% dos 192 milhões de brasileiros, ou 19 milhões, tenham problemas graves com a bebida. O alcoolismo mata 32 mil pessoas por ano no Brasil, está por trás de 60% das mortes no trânsito e 72% dos homicídios. [....] Outra vertente estatística que preocupa os médicos está entre os jovens. Eles estão aprendendo a beber muito cedo. Uma pesquisa recente, realizada pela Unifesp em São Paulo, com 661 adolescentes, detectou que 5% dos jovens entre 14 e 17 anos bebem uma vez por semana ou mais e consomem cinco ou mais doses em cada ocasião......
Revista Época, 12 de setembro de 2011/nº 695.
 

Texto ll : Veja o vídeo.
 
 
Como a sociedade pode ajudar na prevenção e conscientização dos adolescentes e jovens sobre o uso do álcool? Deixe sua opinião!
 
 
 


 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Para ENEN, vestibulares e concursos:como os editoriais de jornal podem melhorar a sua redação.

Confira a seguir os principais pontos de um editorial de jornal que você não pode deixar de entender para se dar bem na prova de redação:


Editorial de um jornal: 1. Conteúdo

O primeiro ponto que deve ser analisado em um editorial de jornal é o conteúdo. Nele, o candidato deve identificar qual é o assunto principal do texto. Depois desse processo, você deve reconhecer como foi construído esse texto. No caso de um texto dissertativo-argumentativo, ele precisa apresentar tese, argumentos e conclusão.

Editorial de um jornal: 2. Forma:

Para construir um bom texto dissertativo você precisa de coesão. Isso acontece a partir da maneira como as ideias são organizadas no texto. Em um modelo dissertativo-argumentativo, os parágrafos não podem ser independentes. E cada novo parágrafo construído deve ter alguma ligação com o anterior.

Editorial de um jornal: 3. Pontuação:

Outro ponto muito importante de uma redação do Enem 2013 é a pontuação. Segundo a professora Cida, os alunos sentem muita dificuldade na hora de pontuar suas produções textuais. "Os estudantes não aprendem como fazer a pontuação correta. Eles decoram as regras de pontuação. Por isso sentem tanta dificuldade em pontuar", explica. Neste caso, o treino aqui é copiar o editorial de um jornal procurando identificar quais os tipos de pontuação que foram utilizados em cada caso.

Editorial de um jornal: 4. Tese:

Geralmente, a tese está presente no início do parágrafo e faz parte da introdução do texto. No caso dos editoriais do jornal, ela representa a ideia central que será trabalhada na produção textual.

Editorial de um jornal: 5. Argumentos:
Os argumentos devem ser usados para comprovar, questionar ou complementar as ideias apresentadas. Tudo depende da proposta do seu texto.


Editorial de um jornal: 6. Conclusão:

A conclusão deve estar sempre de acordo com o início do texto. Se o candidato apresenta um problema, a conclusão deve trazer uma sugestão de solução plausível. A dica da professora é solucionar de maneira simples, sem fugir da realidade.


Editorial de um jornal: 7. Cópia na íntegra:

Se você continua não compreendendo o formato do editorial, a dica é copiar o texto na íntegra. A princípio, o estudante deve se preocupar em fazer uma cópia interpretativa. Em outras palavras, ele deve copiar o texto analisando as palavras, as expressões, recursos linguísticos e a pontuação. Assim, você será capaz de identificar com mais facilidade o tipo de texto que precisa fazer.


Editorial de um jornal: 8. Leituras diversificadas:

O grande truque para escrever uma boa redação é fazer leituras diversificadas. Por isso, o estudante precisa ler livros, jornais, revistas e editoriais de jornais. Não se limite aos editoriais. Quanto mais diversificada for a sua leitura, melhor será a sua produção textual. Simples assim.

 

domingo, 28 de abril de 2013

Pec das Domésticas - Elas não fazem parte da família!

Elas não fazem parte da família. Diferente dos seus irmãos, pais e tios, as funcionárias domésticas não são efetivadas! Entenda melhor a nova lei na figura abaixo:


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Temas sugeridos para redação em 2013...Que tal treinar um pouquinho?

  • O Novo Papa Francisco e a Reforma da Igreja;
  • A Comissão de Direitos Humanos (Homofobia, Racismo etc.);
  • A Seca do Nordeste a a Falta de Comida (aumento de preços);
  • A Questão do Uso da Água;
  • O Evangelismo "Empresarial" na Mira;
  • O Refúgio Econômico Brasileiro para os Haitianos;
  • As "Arenas" Esportivas para a Copa 2014: supérfluas ou necessárias?
  • PEC das Domésticas;
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vícios de linguagem: cuidado com eles na hora de escrever o seu texto


 
Vícios de linguagem

São chamados VÍCIOS DE LINGUAGEM os fenômenos linguísticos que se desviam da norma-culta padrão, muito comum na língua falada, mas acabam sendo, inconscientemente, levados ao registro escrito, como nas redações escolares. São classificados em:

1. AMBIGÜIDADE

Fenômeno que dá margem a mais de uma interpretação, pela maneira como se organizou a estrutura textual. Nesse caso, o leitor não sabe, ao certo, o teor da mensagem, por não existir clareza na comunicação.

1. A cachorra da minha sogra não sai de casa. Possibilidade 1: A sogra tem uma cachorra que não sai de casa
Possibilidade 2: Alguém chama a sogra de cachorra e diz que ela não sai de casa

2. Maria pediu para Flora trazer a sua bolsa. Possibilidade 1: Maria pediu para Flora trazer a bolsa de Maria.
Possibilidade 2: Maria pediu para Flora trazer a bolsa de Flora.

2. BARBARISMO

Constitui a grafia ou pronúncia inadequada ao padrão culto da língua, pela troca, ausência ou excesso de sons/letras.

Acho muito supérfluo esse negócio de carro de luxo. (Escrita correta: supérfluo)

Repercutiram muito mal as suas colocações na TV. (Escrita correta: repercutiram)

3. CACÓFATO ou CACOFONIA
Indica uma formação sonora desagradável, com palavrões ou repetição excessiva de uma estrutura fonética.

Tudo aquilo que abunda sobra.
A classificação deve ser por cada uma das modalidades.
Sempre saio só no sábado.
Eu apoio a sua ideia, só que assim você não conseguirá nada.
4. SOLECISMO

Compreende qualquer falha de natureza sintática: concordância, regência, falta de sequencia lógica.

Responda ela no telefone. (Responda-lhe ao telefone)
Todas as coisas é muito relativas. (...são muito relativas)
Haviam trezentas pessoas no evento (Havia...)


5. REDUNDÂNCIA ou PLEONASMO VICIOSO
É aquela repetição desnecessária, tendo em vista palavras já citadas ou subentendidas, provocando ruído ou entropia ao texto.

Em sua opinião, você acha, particularmente, que vai passar?(Em sua opinião, você passará? / Você acha que passará?)
Eu voltei de novo à Câmara, porque o povo quis meu segundo retorno.(Eu voltei à Câmara porque o povo quis).

 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Proposta de Redação - Os valores de uma geração


 

Imagine-se como um jovem que, navegando pelo site da MTV, se depara com o gráfico “Os valores de uma geração” da pesquisa Dossiê MTV Universo Jovem, e resolve comentar os dados apresentados, por meio do “fale conosco” da emissora. Nesse comentário, você, necessariamente, deverá:



a) comparar os três anos pesquisados, indicando dois (2) valores relativamente estáveis e duas (2) mudanças significativas de valores;

b) manifestar-se no sentido de reconhecer-se ou não no perfil revelado pela pesquisa.



I - Viver em uma sociedade mais segura, menos violenta.

A - Ter união familiar, boa relação familiar.

K - Ter uma carreira, uma profissão, um emprego.

H - Viver num país com menos desigualdade social / Viver numa sociedade mais justa.

C - Ter fé / Crer em Deus.

J - Ter amigos.

G - Ter uma vida tranquila, sem correrias, sem estresse.

B - Divertir-se, aproveitar a vida.

F - Ter independência financeira / Ter mais dinheiro do que já tem.

M - Poder comprar o que quiser, poder comprar mais.

E - Ter mais liberdade do que já tem.

D - Beleza física / Ser bonito.

Exemplo de Redação Acima da Média


 

Bom dia, pessoal da MTV!

Achei realmente muito interessante o gráfico apresentado no site, tanto que não me contive em deixar aqui o meu comentário. Gostaria, antes de tudo, de parabenizá-los pela ideia da pesquisa, uma vez que considero importantíssimo, não só para os jovens mas para toda a sociedade, acompanhar as mudanças que têm ocorrido ao longo das gerações no que se refere ao modo como os jovens se relacionam com diversos aspectos do mundo que os cerca. E nesse sentido, o gráfico é bastante esclarescedor.

Confesso que fiquei bastante impressionado com alguns dados da pesquisa. Eu, um jovem

extremamente defensor das vivências e das relações interpessoais, já que acredito que são fundamentais para a construção do caráter, ética e cidadania, fiquei espantado ao ver a queda apresentada no quesito “(J) ter amigos” entre os anos de 1999 e 2008. E igualmente perplexo ao notar que em apenas três anos, houve uma diminuição no número de jovens que consideram importante “(B) divertir-se e aproveitar a vida”. Fico me perguntando, até com certo pesar, se não seria esse um reflexo de uma sociedade cada vez mais refém dos avanços tecnológicos, da rapidez das informações, e da superficialidade das relações, favorecidas pelas milhares de redes sociais virtuais.

Ao mesmo tempo, é confortante ver que alguns valores como “(K) ter uma carreira, uma profissão, um emprego” e “(D) Ter beleza física/ser bonito” permanecem constantes ao longo dos anos, e mais satisfeito pelo primeiro quesito continuar elevado e o segundo permanecer em níveis “baixos”, ainda mais com o crescente bombardeio de propagandas e venda de padrões estéticos a que estamos sujeitos diariamente.

Por fim, tirando as discordâncias pessoais em alguns pontos, acho que compartilho da maioria das opiniões dos jovens de 2008. E estou ansioso para ver como os nossos filhos lidarão com as mesmas questões no futuro!

Análise da Comissão de Vestibular da Unicamp


 

A redação revela um leitura produtiva do gráfico e da proposta do texto 1. Conforme o proposto, a redação demonstra que o candidato construiu seu texto adotando a posição de um jovem motivado a comentar o gráfico “Os valores de uma geração” por meio do canal “fale conosco” do site da Emissora MTV. As marcas da interlocução são claras. O enunciador desse comentário se identifica explicitamente como um jovem já no segundo parágrafo e, em outros momentos do texto, atesta pertencer às gerações delimitadas pela pesquisa. Interpela diretamente seu destinatário, responsável pela pesquisa, no caso, a Emissora MTV, na saudação jovial com que abre o texto e no momento em que parabeniza a emissora pela pesquisa, logo no primeiro parágrafo.

O enunciador se identifica, de um modo geral, com as opiniões dos jovens de 2008, mas não deixa de sinalizar discordâncias e certas perplexidades com alguns índices revelados pela pesquisa. Para alguém que valoriza as relações interpessoais, surpreende-se, por exemplo, com a queda apresentada no quesito B (“ter amigos”). O candidato identifica os principais valores que permaneceram estáveis (como K e D) e se posiciona claramente em relação a eles. Revelando ainda uma leitura produtiva do gráfico, o candidato destaca a queda apontada pelos itens J e B. Em todos os itens mencionados, o candidato busca as motivações para os índices apontados no gráfico.

(Fonte:http://www.comvest.unicamp.br/vest_anteriores/2012/download/comentadas/redacao.pdf)

Proposta de redação - Crônica Argumentativa

Crônica Argumentativa

“O cronista do jornal é como cigano que toda noite arma sua tenda e pela manhã a desmancha e vai” (Rubem Braga)

Conceituação

A característica mais relevante de uma crônica é o propósito com que ela é escrita. Seu eixo temático é sempre em torno de uma realidade social, política ou cultural. Essa mesma realidade é avaliada pelo autor da crônica e uma opinião é formulada, quase sempre com um tom de protesto ou de argumentação. Por vezes, assume um tom até mesmo sarcástico, no intento de criticar ou revelar as mazelas sociais. A crônica argumentativa é aquela na qual o objetivo maior do cronista é relatar um ponto de vista diferente do que a maioria consegue enxergar.

Características

ü  Apresentação do assunto ou controvérsia a ser discutida, normalmente, no início do texto;

ü  Tratamento subjetivo do tema, deixando perpassar a sensibilidade e as emoções do cronista;

ü  Linguagem criativa e figurada, geralmente de acordo com o padrão culto informal da língua.

ü  A crônica argumentativa visa a apresentar a opinião do autor, sem obrigatoriamente buscar convencer o leitor.

ü  Exposição de argumentos que fundamentam o ponto de vista do autor;

ü  Conclusão surpreendente, criativa, ou conclusão-síntese, que retoma as ideias do texto e confirma o ponto de vista defendido.

 

Exemplos Ilustrativos

Bullying de gente grande

Não gosto do conceito de bullying e do uso que temos feito dessa palavra. Eu já disse isso e reafirmo em nossa conversa de hoje.

Por que tenho rejeição em relação ao conceito? Porque ele leva o adulto a se ausentar das questões que os mais novos enfrentam na convivência com seus iguais.

É como se nada do comportamento manifestado pelas crianças --nos conflitos, nas provocações, brigas e desavenças, nos apelidos e nas piadas a respeito de aparência-- tivesse relação com o mundo adulto.

E mais: é como se elas fossem totalmente responsáveis por tudo o que fazem. De errado, é claro. O conceito nos permite, portanto, ficar de fora desses problemas. Talvez por isso mesmo faça tanto sucesso entre nós, adultos.

E o que dizer, então, do uso da palavra? Temos uma especial atração pelo exagero nessa questão.

Uma criança pequena que é mordida pelo colega na escola, um primo que zomba do outro que perdeu o jogo, a criança que usa óculos e ganha um apelido por isso... tudo agora é transformado no tal do bullying.

Bem, mas encontrei um bom uso para essa palavra e esse conceito -e é disso que vou falar hoje. Trata-se do bullying de adultos contra crianças e adolescentes.

Outro dia ouvi a mãe de uma menina chamá-la de "anta" e dizer que ela só fazia coisas erradas.

Ainda ouvi a garota responder, com cara de choro, que não havia feito o que fizera por querer... Havia errado tentando acertar. Isso é bullying, concorda leitor?

Uma criança humilhada por alguém contra quem não pode ou não consegue se defender pode muito bem ser assim entendido.

(...)

Talvez esteja na hora de fazermos um acordo no mundo adulto: o de só falarmos do bullying entre os mais novos quando controlarmos nosso próprio comportamento e pararmos com essa história de humilhar, depreciar, excluir, intimidar e agredir, velada ou escancaradamente, as crianças e os adolescentes.

(Rosely Sayão, http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1240878-bullying-de-gente-grande.shtml, publicado em 05/03/2013, acesso em 05/03/2013)

 

O Inferno de Disney

A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas

Por doze anos recusei levar meu filho à Disney. Uma convicção estética inarredável orientava a minha negação. Nessas férias, porém, uma viagem ao México com escala em Miami amoleceu meu coração de mãe.

No dia 24 de janeiro do fatídico ano de 2012, abandonei os maias e a esplendorosa península do Yucatán para entrar em um avião rumo à Orlando. A temporada de cinco dias na Flórida foi comparável aos círculos de sofrimento de "A Divina Comédia", de Dante.

Como Deus ora pelos inocentes, meu rebento menor, de três, caiu com 39 graus de febre no aeroporto de Cancún. A milagrosa virose o deixou de molho nas primeiras 72 horas de aflição na América, enquanto eu e o maior adentrávamos as profundezas da terra onde os sonhos se tornam realidade.

O Limbo, primeiro círculo de penitência, se apresentou na forma de montanhas-russas colossais que comprimem os sentidos a forças G inimagináveis. Deixei meus neurônios serem prensados contra a parede do crânio em loopings cadenciados, até ser cuspida tal e qual um zumbi agastado, tomado por abobamento crônico.

As máquinas medievais de martírio causam náusea, vômito e enxaqueca.

Para os que preferem sofrer ao rés do chão, simuladores provocam a mesma sensação de abismo sem saírem do lugar em que estão.

Na sétima hora do dia, enquanto era sugada, no lugar da chupeta, por uma Maggie Simpson descomunal, eu já não falava e nem me mexia. Caí dura no resort de golfe, "wonder land" da terceira idade muito frequente na região.

A Flórida é o último refúgio dos que viveram até a aposentadoria.

Abri o olho e reneguei assistir a tormenta das baleias cativas nos tanques do Sea World. Atrás de motivos para ser castigada, fui arrastada às compras por um furacão chamado luxúria.

Usufruímos o céu nublado da Universal da tarde seguinte. O ar de quermesse do parque vazio, o clima ameno e o Harry Potter nos fizeram crer na alegria infantil dos americanos. Driblamos bem a comida intragável, servida em porções individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é dádiva quando se encara as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das lanchonetes. Orlando é a cidade campeã da obesidade mórbida; o Lago de Lama dos que sucumbiram à gula.

A última alvorada foi dedicada à Disney. O sol brilhou no sábado de inverno, atraindo a multidão bíblica que lotou os milhões de metros quadrados de hotéis, zoológicos e parques temáticos; interligados por rodovias, hidrovias e ferrovias futuristas.

A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas. É o ante-inferno dos indecisos que aguardam em caracóis indianos uma satisfação que nunca chega.

Você anseia para ter o direito de aguardar em pé, agarrada à democrática senha que só amplia a espera. A jornada se esvai em uma azucrinante administração de tickets. A condenação à eterna expectativa seria até suportável, não fosse o suplício sonoro.

Como vespas a picar os tímpanos, a voz aguda das musiquinhas enjoadas, os "cling", "cleng", "glom" das engenhocas de ferro e a proliferação de musicais da Broadway, encabeçados pelo grande show do castelo da Cinderela, são de perder a razão. E mesmo durante o safari, única esperança de silêncio ecológico, o timbre de buzina da guia aspirante à atriz vinha pinçar os nervos.

A comparação entre a delicadeza do Caribe mexicano e a artificialidade embalada em plástico de Orlando foi um choque e tanto.

Antes de partir, visitei o paraíso. Um pântano na zona rural povoado por crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt Disney adquiriu há décadas atrás.

Em paz, no meio da lagoa virgem, me perguntei o porquê da zona urbana daquele lugar manifestar um prazer masoquista tão arraigado.

Talvez seja culpa pelo excesso de ofertas nos supermercados, pela invenção do papel higiênico felpudo, do "super size" tudo, dos veículos alcoólatras e das cidades sem pedestres. A insustentável fartura social se penitencia tomando sustos em trem fantasmas mirabolantes.

Não é diversão, é dívida cristã. A Disney nasceu na Idade Média.

(Fernanda Torres, Folha de S. Paulo, 17/02/2012)

Proposta de Redação

 



Alunos da USP ficam pelados em trote para hostilizar feministas em São Carlos

William Maia

Do UOL, em São Paulo

Um trote organizado por veteranos da USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos terminou em baixaria na tarde da última terça-feira (26). Alguns alunos chegaram a ficar pelados e fizeram gestos obscenos para hostilizar um grupo de feministas que protestava contra o "Miss Bixete", espécie de concurso de beleza a que as calouras são submetidas.

As estudantes, membros da Frente Feminista de São Carlos, reclamam da forma como as novatas são tratadas. Segundo elas, os veteranos obrigam as calouras a desfilar e mostrar os seios. Haveria também uma prova em que as estudantes competem para ver quem chupa primeiro um picolé, simulando sexo oral.

"É uma exposição absurda das meninas. Por mais que elas não sejam obrigadas fisicamente a participar, há uma grande pressão dos veteranos, e das veteranas também, para que elas façam aquelas coisas", afirmou a estudante Loiane Vilefort, integrante do movimento, que tentou convencer as calouras a não participar do trote.

Apesar de ocorrer dentro da sede do Caaso (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira), o evento é organizado por um grupo autônomo de alunos que se autodenomina GAP (Grupo de Apoio à Putaria), que realiza festas e outros eventos estudantis.

O estudante Rafael Serres, presidente do Caaso, disse ao UOL que a direção do centro acadêmico não apoia o "Miss Bixete" por considerá-lo um ato de "machismo e preconceito". "Inclusive, desde o ano passado nós organizamos um trote paralelo, pacífico, justamente para que as pessoas não participem do Miss Bixete", disse.

Por meio de nota, a direção da USP São Carlos afirmou que é "veementemente contra qualquer ação que cause constrangimento" e que abrirá procedimento administrativo para identificar os envolvidos.

 Proposta

A partir da notícia acima, elabore uma crônica argumentativa sobre o episódio da USP em São Carlos, revelando o que se esconde por trás da “inocente brincadeira” dos veteranos. Para isso, procure considerar a posição do psicólogo Contardo Calligaris:


 

“O que mais importa, na iniciação, é que o calouro sinta na pele os efeitos do poder que o grupo exerce ou pretende exercer sobre todo o resto da sociedade.” (Contardo Calligaris)

Proposta de redação - Fábula

 

 

FÁBULAS


 


Ponto de Partida

 


“Leia os dois textos abaixo:

 

a)     Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia do feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede. (Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média).

b)     Um indivíduo, colocado diante de dois objetos igualmente desejados, pode ficar de tal forma indeciso que acaba por perder a ambos.

 

Esses dois textos querem dizer basicamente a mesma coisa. No entanto, são estruturados de maneiras diferentes. Qual a diferença existente entre eles?

O primeiro é mais concreto; o segundo, mais abstrato. Mas por quê? O primeiro remete a elementos existentes do mundo natural: asno, campo, feno, regato, águas, etc. O segundo remete a elementos mais abstratos, que explicam certos aspectos da conduta humana: indivíduo, objetos igualmente desejados, indeciso.

Subjacente a esses dois textos há o mesmo esquema narrativo:

 

a)     Um sujeito encontra-se privado de dois objetos e quer conquistar a posse de ambos;

b)     Devendo optar por um deles e sendo igualmente atraído pelos dois, é incapaz de realizar a escolha;

c)     Permanece privado de ambos.”.

 (FIORIN, Platão. Para entender o texto. São Paulo: Ática, 2007, p.71)

 

A fábula, portanto, é um gênero textual híbrido, transitando entre dois tipos de texto: narrativo e argumentativo. Não se trata, claro, de uma alternância inconsequente entre os tipos textuais, já que há entre eles uma mútua implicação. O mundo representado, coerente em si mesmo (asno, regato e feno), foi mobilizado para cumprir um papel pedagógico: convencer o leitor dos perigos da indecisão. Para atingir essa finalidade pragmática, a narrativa organiza as ações em função de sua exemplaridade. O leitor pode depreender a “lição”, sem mesmo ler a moral, percebendo que o fabulista não se dedica a assunto tão distante de sua realidade sem um objetivo claro em vista. Poder-se-ia dizer que na fábula, a argumentação é feita toda com exemplos de um mundo natural e remoto, em que a naturalidade do comportamento e das ações dos animais ensaia lições morais valiosíssimas.

O que é?

As fábulas são pequenas histórias que transmitem uma lição de moral é uma das mais antigas formas de narrativa. As personagens das fábulas são geralmente animais, que representam tipos humanos, como o egoísta, o ingênuo, o espertalhão, o vaidoso, o mentiroso, etc.

Muitos escritores dedicaram-se às fábulas, mas três ficaram mundialmente famosos: o grego Esopo (século VI a.C.), o latino Fedro (15 a.C. - 50 d.C.) e o francês Jean de La Fontaine (1621 - 1695).

No Brasil, Monteiro Lobato (século XX) foi quem as recriou. Millôr Fernandes é um escritor carioca que recriou as antigas fábulas de Esopo e La Fontaine, de forma satírica e engraçada.

 


Expoentes da arte de fabular

Esopo: um escravo que viveu no século 6º. a.C., na Grécia antiga inventava histórias em que os animais eram os personagens. Por meio dos diálogos entre os bichos e das situações que os envolviam, ele procurava transmitir sabedoria de caráter moral ao homem. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para o ser humano. Cada bicho simboliza algum aspecto ou qualidade do homem como, por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho etc. A estrutura de seus textos fez escola: curtos e bem humorados, linguagem simples, uso de prosopopeias e tópicos ligados à experiência cotidiana. Entre suas célebres fábulas, incluem-se: “A Raposa e as uvas”; “A Lebre e a Tartaruga” e “A Galinha e os ovos de ouro”

 

La Fontaine: O francês Jean de La Fontaine (1621-1695) foi um dos maiores divulgadores dos textos de Esopo. Ele recriava essas fábulas com o objetivo de "educar" o homem de sua época. Conforme suas próprias palavras: "Acho que deveríamos colocar Esopo entre os grandes sábios de que a Grécia se orgulha, ele que ensinava a verdadeira sabedoria, e que a ensinava com muito mais arte do que os que usam regras e definições". Entre suas célebres fábula, incluem-se: “A Cigarra e a Formiga”, “O Homem, o Menino e a Mula” e “O Lobo e o Cordeiro”.

 

Curiosidades:

 

·          Acredita-se que esse tipo de texto tenha nascido no século XVIII a.C., na Suméria. Há registros de fábulas egípcias e hindus, mas atribui-se à Grécia a criação efetiva desse gênero narrativo.

·          A importância dada à moralidade era tanta que os copistas da Idade Média escreviam as lições finais das fábulas com letras vermelhas ou douradas para destacar.

·          A presença dos animais deve-se, sobretudo, ao convívio mais efetivo entre homens e animais naquela época.

·          O uso constante da natureza e dos animais para a alegorização da existência humana confere às histórias um ar de “ordem natural” fixa e imutável, além de aproximar o público das "moralidades”.

Estrutura do Texto

Em geral, a fábula mantém a seguinte estrutura bem fixa:

 

1. Um conteúdo moral como fio condutor do enredo;

2. Situação inicial

3. Conflito

4. Tentativa de Solução

5. Situação final

6. Revelação do conteúdo moral (em geral na sua forma proverbial)

Fábulas

A Águia e a Gralha

 

Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, num fulminante voo rasante e certeiro, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes e afiadas garras. 

Uma Gralha, que a tudo testemunhara, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa. 

Ela então voou para alto e tomou impulso. Então, com grande velocidade, atirou-se sobre uma Ovelha com a intenção de também carregá-la presa às suas garras. 

Ocorre que suas garras, pequenas e fracas, acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã do animal, e isso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças. 

O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortou suas penas, de modo que não pudesse mais voar. 

À noite a levou para casa e entregou como brinquedo para seus filhos.

"Que pássaro engraçado é esse?", perguntou um deles. 

"Ele é uma Gralha meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia." 


Moral da História: Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites.

 


 

O olho do dono


 

Uma corça, fugindo aos caçadores, escondeu-se num estábulo. E pediu às vacas que não a denunciassem, prometendo-lhes em troca do asilo mil coisas. As vacas mugiram que sim e o fugitivo agachou-se num cantinho.

Vieram à tarde os tratadores, com os feixes de capim e a cana picada. Encheram as manjedouras e saíram.

Veio também, fiscalizar o serviço, o administrador da fazenda. Correu os olhos por tudo e foi-se.

A corça respirou.

- Vejo que este lugar é seguro – disse ela. Os homens entraram e saem sem perceber coisa nenhuma.

Uma vaca, porém, a avisou:

- O perigo, meu caro, é que apareça por aqui o bicho de Cem-Olhos.

- Quê? – exclamou a corça. Há disso?

- Há sim. Chama-se Dono. É um que quando aparece tudo vê, tudo descobre, desde o menor carrapato do nosso lombo até o sal que o tratador nos furta. Se ele vem, amigo, tu estás perdido!

Não demorou muito, surge Cem-Olhos. Vê aranhas no teto e interpela os homens da lida:

- Por que não tiram isso?

Vê um cocho rachado:

- Consertem este cocho.

Vê o chão mal limpo!

- Vassoura, aqui!

E está claro que também viu as pontas do chifre da corça.

- Que história é esta? Chifre de corça entre as vacas?...

Aproximou-se e descobriu o mísero.

- Uma espingarda! – gritou – e era uma vez uma corça

 

Moral: O olho do dono engorda a criação


(Fábulas: Monteiro Lobato)

 

 

O Nascer do Capitalismo (à maneira dos americanos)

 

Um homem tinha uma fazenda perto de um rio. Certo dia o rio começou a subir e ele percebeu que sua fazenda ia ficar submersa. Transferiu toda sua família e todo seu gado e todos seus utensílios e móveis para o alto da montanha mais próxima. Havia, na sua fazenda, exatamente 284 quilômetros de cerca de arame farpado. Era um arame de sete farpas por metro, num total de sete mil farpas por quilômetro e, portanto, toda cerca somava 1.988.000 farpas. O homem arranjou um empregado, que, sem comer nem dormir, colocou em cada uma dessas farpas um pedacinho de carne, uma isca qualquer. Quando terminou, mal teve tempo de subir a montanha. Veio o dilúvio.

Durante noventa e três horas choveu ininterruptamente. Durante noventa e seis horas o rio esteve três metros acima da cerca. Mas logo as águas cederam, e rapidamente o rio voltou ao normal. O homem desceu e examinou a cerca. Encontrou, maravilhado, um peixe pendente de cada farpa, exceto três. Ou seja, um total de 1.987.997 peixes. Havia tainhas, e havia robalos, corvinas, namorados, galos e muitas outras espécies que ele nunca vira.

Cada peixe pesava, em média, duzentas e cinquenta gramas, de modo que o homem tinha um total de 496.099.250 gramas de peixe fresco, ou seja, 496.999 quilos de peixe. Isso tudo, vendido a 200 cruzeiros o quilo, vocês façam a conta e Ah, naturalmente o empregado foi despedido porque colocou mal as iscas nas três farpas que falharam.

 

Moral da História: O operariado deve ter o máximo cuidado com as iscas do Capitalismo.

(Fábulas:  Millôr Fernandes)


Exercícios

 

1.) Compare as duas histórias abaixo:

 

A galinha dos Ovos de Ouro

(Esopo)

 

Um camponês e sua esposa possuíam uma galinha, que todo dia, sem falta, botava um ovo de ouro.

Supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, eles então a sacrificam para enfim pegar tudo de uma só vez.

Então, para surpresa dos dois, viram que a ave, em nada era diferente das outras galinhas.

Assim, o casal de tolos, desejando enriquecer de uma só vez, acaba por perder o ganho diário que já tinham assegurado.

Moral da História: Quem tudo quer, tudo perde.

 

A galinha dos Ovos de Ouro

 

Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Subitamente, em dia inesperado, a galinha pôs um ovo de ouro. Ouro!

Outro dia, outro ovo. Outro ovo de ouro! O homem mal podia dormir:

Esperava todas as manhãs pelo ovo de ouro – clara, gema, gala, tudo de ouro! – que o tiraria da miséria aos poucos, e aos poucos o ia guindando ao milionarismo. O fato, que antigamente poderia passar despercebido, na data de hoje atraia verdadeiras multidões. E não só multidões. Rádio, jornais, televisão, tudo entrevistava o homem, pedindo-lhe impressões, querendo saber detalhes de como acontecera o espantoso acontecimento. E a galinha, também, dando aqui e ali seus shows diante dos jornais, câmeras, microfones.

Certa vez, mesmo num esforço de reportagem, conseguiu pôr um ovo diante da câmera da TV. Porém, o tempo passou e muito antes que o homem conseguisse ficar rico, a galinha deixou de botar ovos de ouro. Desesperado, o homem foi ocultando o fato até que certo dia, não se contendo mais, abriu a galinha para apanhar os ovos que ela tivesse lá dentro. Para sua surpresa, não havia nenhum.

Então o homem – espírito bem moderno – resolveu explorar o nome que lhe ficara do acontecimento e abriu um enorme Galeto, com o sugestivo nome de Aos ovos de ouro. E isso lhe deu muito mais dinheiro do que a galinha propriamente dita.

Moral: Cria galinha e deita-te no ninho.

 

a) Qual o núcleo narrativo comum às duas histórias?

b) As fábulas tradicionais apresentam poucas indicações sobre tempo e espaço, o que confere a elas um caráter atemporal. Na versão de Millôr Fernandes, por outro lado, há pistas que sugerem que a história se passa em tempos atuais. Que pistas seriam essas?

b) As fábulas tradicionais representam comportamentos humanos de forma alegórica, portanto, é perfeitamente verossímil que acontecimentos extraordinários (como o fato de os animais falarem) não despertem no leitor nenhuma estranheza. De que maneira, esta regra foi violada na versão de Millôr Fernandes?

c) Na moral da história de Millôr, há um jogo intertextual com o conhecido provérbio “Cria a fama e deita-te na cama”. Considerando o desfecho da narrativa, é possível afirmar que a versão do escritor se opõe à versão de Esopo? Justificar.

 

2.) UNESP/98)

A MORTE DA TARTARUGA

 

                "O menininho foi ao quintal e voltou chorando: a tartaruga tinha morrido. A mãe foi ao quintal com ele, mexeu na tartaruga com um pau (tinha nojo daquele bicho) e constatou que a tartaruga tinha morrido mesmo. Diante da confirmação da mãe, o garoto pôs-se a chorar ainda com mais força. A mãe a princípio ficou penalizada, mas logo começou a ficar aborrecida com o choro do menino. "Cuidado, senão você acorda o seu pai". Mas o menino não se conformava. Pegou a tartaruga no colo e pôs-se a acariciar-lhe o casco duro. A mãe disse que comprava outra, mas ele respondeu que não queria, queria aquela, viva! A mãe lhe prometeu um carrinho, um velocípede, lhe prometeu uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo profundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estimação.

                Afinal, com tanto choro, o pai acordou lá dentro, e veio, estremunhado, ver de que se tratava. O menino mostrou-lhe a tartaruga morta. A mãe disse: - "Está aí assim há meia hora, chorando que nem maluco. Não sei mais o que faço. Já lhe prometi tudo mas ele continua berrando desse jeito". O pai examinou a situação e propôs: - "Olha, Henriquinho. Se a tartaruga está morta não adianta mesmo você chorar. Deixa ela aí e vem cá com o pai". O garoto depôs cuidadosamente a tartaruga junto do tanque e seguiu o pai, pela mão. O pai sentou-se na poltrona, botou o garoto no colo e disse: - "Eu sei que você sente muito a morte da tartaruguinha. Eu também gostava muito dela. Mas nós vamos fazer pra ela um grande funeral". (Empregou de propósito a palavra difícil). O menininho parou imediatamente de chorar. "Que é funeral?" O pai lhe explicou que era um enterro. "Olha, nós vamos à rua, compramos uma caixa bem bonita, bastante balas, bombons, doces e voltamos para casa. Depois botamos a tartaruga na caixa em cima da mesa da cozinha e rodeamos de velinhas de aniversário. Aí convidamos os meninos da vizinhança, acendemos as velinhas, cantamos o "Happy-Birth-Day-To-You" pra tartaruguinha morta e você assopra as velas. Depois pegamos a caixa, abrimos um buraco no fundo do quintal, enterramos a tartaruguinha e botamos uma pedra em cima com o nome dela e o dia em que ela morreu. Isso é que é funeral! Vamos fazer isso?" O garotinho estava com outra cara. "Vamos papai, vamos! A tartaruguinha vai ficar contente lá no céu, não vai? Olha, eu vou apanhar ela". Saiu correndo. Enquanto o pai se vestia, ouviu um grito no quintal. "Papai, papai, vem cá ela está viva!" O pai correu pro quintal e constatou que era verdade. A tartaruga estava andando de novo normalmente. "Que bom, hein" - disse - "Ela está viva! Não vamos ter que fazer o funeral!" "Vamos sim, papai" - disse o menino ansioso, pegando uma pedra bem grande - "Eu mato ela".

MORAL: O IMPORTANTE NÃO É A MORTE, É O QUE ELA NOS TIRA."

(Fernandes, Millôr. "A morte da Tartaruguinha". ln: Fábulas Fabulosas. 9ª ed., Rio de Janeiro, Nórdica, 1985, pp. 100/101)

 

Depois de ter lido a narrativa da fábula, como você interpreta a "moral" da mesma?

 

Proposta

Escolha um dos provérbios apresentados no final da folha e invente uma fábula em que ele possa ser utilizado como moral da história. Nesta fábula, as personagens deverão ser dois animais.

 

Siga estas orientações:

a)     As personagens da fábula devem ser preferencialmente animais com características humanas. Alguns fabulistas escolhem de preferência animais como personagens porque eles fazem nos lembrar de atitudes humanas. A formiga, por exemplo, é trabalhadeira, organizada; a raposa, esperta; o cão, fiel e, amigo; a cobra, astuta, perigosa; o leão, vaidoso; o cordeiro, ingênuo, inocente.

b)     Caracterize os personagens de forma simples. Para isso, empregue palavras como, por exemplo, astuto, frágil, inteligente, lento, forte, perigoso, feroz, desconfiado, esperto, traiçoeiro, etc.

c)     Lembre-se de que a fábula constitui uma narrativa curta. Se quiser, você pode escrever sua narrativa em forma de diálogo. A linguagem empregada deve, entretanto, estar de acordo com a variedade padrão da sua língua. Seu texto deverá ter 20 linhas no mínimo.

d)     Como nas fábulas o tempo e o lugar são imprecisos, procure iniciar seu texto de forma direta, isto é, com personagens em plena ação. Lembre-se de que sua história deve transmitir um ensinamento ou ensejar uma reflexão sobre um comportamento virtuoso.

e)     No final, escreva, como moral da sua história, um dos provérbios acima. Lembre-se de que o provérbio deve resumir toda a fábula à verdade contida no ditado.

 

 

Extras

 

O "Rap" da cigarra e da formiga :
LA FONTAINE REVISITADO:
O RAP DA CIGARRA E A FORMIGA

Saca essa fábula, bicho,
que vai te deixar cabreiro.
Num depósito de lixo
tinha um bruta formigueiro.
O formigueiro falado,
na verdade não era mixo.
Foi para ficar rimado
que eu falei que era no lixo.
As formigas, ligadonas,
trabalhavam noite e dia.
Ficavam muito doidonas
plugadas nessa mania.
podes crer, não é mentira.
Um dia uma punk louca
que se chamava cigarra
e achava que era uma touca
trabalhar tanto, na marra,
se meteu com a formigada
e falou, pontificando:
- Trabalhar é uma jogada
devagar quase parando.
Coisa careta, uma fria,
bobeira que eu não assumo
e avisou que não curtia
formigueiro de consumo.
As formigas, sem ligar,
responderam na maior:
- Se você não trabalhar,
vai acabar na pior.
A cigarra se mandou
dizendo que era besteira.
Das formigas se afastou
cantando um roque pauleira.
Só voltou quando era inverno.
As formigas, pra esnobar, em vez de
um papo fraterno, foram se bacanear.
Disseram logo as formigas:
- Olha, se quiser guarida
vai pedir pras tuas amigas.
Nós não damos boa vida.
E a cigarra: - Eu tô na minha...
Não vim aqui pedir nada.
Só vim dizer que eu, sozinha,
fiz a Sena acumulada.
Moral: Para alguém ganhar sozinho na Sena acumulada, tem que ser leão. 
Ou então cigarra, bicho. Enfim, bicho, bicho.
JÔ Soares, In: Revista VEJA, 31.10.1990 p. 17

 

Ditados Populares e seu significado:

 

Dito Popular
Valor/Significado
1
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Persistência
2
Quem quer, faz; quem não quer, manda.
Ação
3
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Justiça/Vingança
4
Santo de casa não faz milagre.
Estrangeirismo
5
Papagaio velho não aprende a falar.
Comodismo/cristalização/descrença na mudança.
6
Costume de casa vai à praça.
Hábito/Vício
7
Nem só de pão vive o homem.
Fé/Inovação
8
Quem não quer ver lobo não lhe vista a pele.
Conduta
9
Quem com os porcos se mistura, farelos come.
Influência
10
Pau que nasce torto nunca se endireita.
Rigidez/Inflexibilidade
11
Diz-me com quem andas que te direi quem és.
Influência
12
Macaco velho não mão em cumbuca.
Prudência/Precaução/Cautela
13
O perigo que corre o pau corre o machado.
Igualdade
14
Quem foi rei nunca perde a majestade.
Experiência/Hábito
15
Panela que muitos mexem, ou sai ensossa ou salgada.
Falta de Unidade de Comando/ Desorganização
16
Quem não arrisca não petisca.
Risco/Ousadia/Ação
17
Quem vai ao vento, perde o assento.
Risco
18
Em boca fechada não entra mosquito.
Discrição ao falar
19
Todos os caminhos levam a Roma.
Escolha
20
Palavra de rei não volta atrás.
Firmeza
21
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Incoerência
22
Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
Poder/Destaque
23
Quem não tem cão, caça como gato.
Flexibilidade/Adaptação
24
Mais vale prevenir do que remediar.
Prudência
25
Quem tem boca vai a Roma.
Comunicação/Persistência
26
Deus ajuda a quem cedo madruga.
Ação/Esforço
27
Caititu fora da manada é papa de onça.
União/Sinergia
28
Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Subordinação ao poder
29
Faça o que digo, e não o que eu faço.
Incoerência
30
Quando um não quer, dois não brigam.
Permissão/Sensatez/Bom Senso

(fonte: http://penseoamanha.blogspot.com.br/2012/01/30-ditos-populares-e-seus-significados.html, acesso em 01/04/2012)