sábado, 23 de fevereiro de 2013

Você sabe o que é marca de oralidade?

 

 
O domínio da norma culta da língua portuguesa é um critério cobrado pela maioria das bancas corretoras de redação. Talvez ele seja um dos critérios mais objetivos, certo? Afinal, é só ver se o candidato cometeu ou não erros de ortografia, concordância, acentuação. Isso está certo sim, mas apenas em partes. Há outros aspectos que também podem ser avaliados quando o assunto é domínio da língua portuguesa. É sobre isso que falaremos hoje. Antes de prosseguir, porém, esclareço que farei aqui,  apontamentos apenas concernentes ao gênero dissertativo. 
 
Marcas de oralidade na redação. O que seria isso? Quando escrevemos um texto na norma culta da língua e ainda por cima dentro de um gênero textual específico, isso limita bastante a forma como vamos nos expressar. Assim, devemos evitar, por exemplo, palavras e expressões que deem ao leitor a impressão de que  conversamos com ele. Para o gênero dissertativo isso é muito ruim! Uma das características da oralidade é o fato de interagir conversando com alguém, e isso não pode acontecer na dissertação. Evite, portanto, usar palavras como: “você”, “né”, “tá” e evite também verbos no imperativo e/ou quaisquer outros tipos de interação com o leitor.
 
Farei um parênteses aqui para dizer que o leitor do gênero dissertativo é denominado “leitor universal”. Isso quer dizer que o seu leitor é qualquer um e não alguém especificamente e é por isso que não podemos “conversar” com o leitor universal. É por isso também que temos que deixar tudo bem claro e explícito, pois esse leitor não pode adivinhar o que se passa na sua cabeça.
Um segundo cuidado que precisamos ter é com expressões que fazem parte da linguagem oral. É precisa tomar cuidado ao escolher as palavras que se escreve em uma dissertação. Uma dica legal é você passar a verificar, na releitura de seu texto, se as palavras que  usou não estão muito informais, como o linguajar que você usaria em conversas com a turma ou em um jogo com os amigos. Veja alguns exemplos:
  • político “não é flor que se cheire”
  • tal coisa “pegou mal”
  • “não dá para acreditar” que não foram presos
  • fulano “fez tal coisa só por fazer”
  • pagamos tanto imposto “que não é brincadeira”
  • “desde que o mundo é mundo” há corrupção
 
Ficou claro com os exemplos? Muitas vezes são coisas bem mais sutis, palavras que escolhemos e que passam sem que percebamos, mas que, no final trazem marcas de oralidade para o texto escrito, o que, como já disse, não é bem visto pelas bancas examinadoras.
 
Por fim, há mais um fator que influencia a nota do critério que avalia a norma culta da língua, que é o conjunto lexical. Esse é um ponto a ser visto com equilíbrio, pois se você usa palavras muito comuns, sem fazer variações de termos repetindo muitas vezes a mesma palavra ou expressão, isso indica que você tem um vocabulário pobre ou que não se arrisca muito. Sua nota fica na média, ou até abaixo da média nesse critério.
 
Por outro lado, tem gente que parece que decora o dicionário e tenta usar todas as palavras difíceis que conhece no mesmo texto, ainda que essas palavras não acrescentem nenhuma qualidade no texto de forma geral. Lembre-se que o corretor não lhe dá nota só porque você escreve palavras bonitas. Quando falei de um equilíbrio, então, quero dizer que você deve sim arriscar, variar o vocabulário e usar palavras mais “difíceis” e menos comuns, no entanto se a sua escolha lexical não fizer sentido e não ajudar a conduzir a sua argumentação de forma clara e coerente, não adianta nada.  
 

Sucesso sempre!

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