terça-feira, 27 de novembro de 2012


Curso intensivo de Redação - para vestibular e concursos em Uberlândia

Este curso tem como objetivo o aperfeiçoamento da habilidade da escrita na produção textual, considerando a norma culta da Língua Portuguesa.
Aulas para grupos reduzidos. Atendimento personalizado.
Atividades selecionadas e completas.

Plantões tira dúvidas individuais.

Manhã: 8:00 às 10:30
Tarde: 14:00 às 16:30

 
Para maiores informações ligue para:
9149 2401 / 3224 5586

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Proposta de redação - Pós-modernidade: para mudar o mundo! Que mundo?

 
Utilizando versos do poema aabaixo, redija um texto dissertativo em que se caracterize o que alguns chamam de pós-modernidade.

Ideologia

(Cazuza/Frejat)

 

Meu partido

É um coração partido

E as ilusões

Estão todas perdidas

Os meus sonhos

Foram todos vendidos

Tão barato

Que eu nem acredito

Ah! eu nem acredito...

 

Que aquele garoto

Que ia mudar o mundo

Mudar o mundo

Frequenta agora

As festas do "Grand Monde"...

 

Meus heróis

Morreram de overdose

Meus inimigos

Estão no poder

Ideologia!

Eu quero uma pra viver

Ideologia!

Eu quero uma pra viver...

 

O meu tesão

Agora é risco de vida

Meu sex and drugs

Não tem nenhum rock 'n' roll

Eu vou pagar

A conta do analista

Pra nunca mais

Ter que saber

Quem eu sou

Ah! saber quem eu sou...

 

Pois aquele garoto

Que ia mudar o mundo

Mudar o mundo

Agora assiste a tudo

Em cima do muro

Em cima do muro...

 

Meus heróis

Morreram de overdose

Meus inimigos

Estão no poder

Ideologia!

Eu quero uma pra viver

Ideologia!

Pra viver...

 

Pois aquele garoto

Que ia mudar o mundo

Mudar o mundo

Agora assiste a tudo

Em cima do muro

Em cima do muro...

 

Meus heróis

Morreram de overdose

Meus inimigos

Estão no poder

Ideologia!

Eu quero uma pra viver

Ideologia!

Eu quero uma pra viver..

Ideologia!

Pra viver

Ideologia!

Eu quero uma pra viver...

 

 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Curso técnico ou superior?




Quais as vantagens de um curso técnico? Quais as habilidades e competências necessárias para ingressar no mercado de trabalho? Se é necessário curso superior ou não?

E por falar em segurança... O terrorismo e a globalização


Ônibus foi incendiado em Florianópolis (Foto: Reprodução RBS TV)

Assistimos nos últimos dias, atentados criminosos contra policiais e seus familiares, ônibus, bases da polícia militar em São Paulo, virou matéria principal na imprensa. É o terrorismo no Brasil. O poder da bandidagem se destacando em relação ao poder público.
Você já pensou isto acontecendo perto de nós? Sim, já está acontecendo.Crimes comandados por bandidos presos através do celula..Isto pode?
 Confira as reportagens nos Links abaixo e responda as seguintes questôes:
1- O que alimenta estes crimes?
2- Por que tanta violência?
3- Os governos não têm capacidade de resolver este problema?
4- Onde está a lei e a ordem neste país?
5  Podemos confiar em nossa polícia?~
6- O que é o terrorismo?
7-Por que ele acontece?
8- No Brasil existe terrorismo?
9- Qual é a relação do terrorismo com a globalização ou Nova Ordem Mundial? 10-O que é Globalização?

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2012/11/dois-onibus-sao-incenciados-base-e-viatura-da-pm-sao-alvejadas-em-sc.html

http://www.plurall.com/forum/comunidade/papo-cabeca/8774-terrorismo-uma-chaga-da-globalizacao/

http://aprovadonovestibular.com/resumo-globalizacao-o-que-e-globalizacao.html

Respondendo às quetões você terá base argumentativa para escrever sobre o assunto.

Sucesso!

Professora Fátima Oliveira





 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


 

Curso Intensivo de Redação e Português - vestibular e concursos
Este curso tem como objetivo o aperfeiçoamento da habilidade da escrita na produção textual, considerando a norma culta da Língua Portuguesa.
 
Aulas para grupos reduzidos. Atendimento personalizado.
Atividades selecionadas e completas.

Plantões tira dúvidas individuais.


Início: 22/11/2012
Manhã: 8:00 às 10:30
Tarde: 14:00 às 16:30
Para maiores informações ligue para:

9149 – 2401 / 3224 - 5586




 

 

52171645
 

 
 
 

Para maiores informações ligue para:

 

9149 – 2401 / 3224 - 5586

 

 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

 

QUER SE PREPARAR PARA O VESTIBULAR, PAAES E ENEM?


Vendo apostilas com análises das obras de leitura obrigatória para o PAAES, vestibular UFU e demais vestibulares do país.

APOSTILAS COM RESUMOS E ATIVIDADES COMENTADAS DE TODOS OS LIVROS DE LEITURA OBRIGATÓRIA DO PROCESSO SELETIVO (UFU) E PAAES (TODAS AS ETAPAS).
ENVIO POR E-MAIL PELO VALOR DE 35,00 (POR ETAPA).

TODAS AS OBRAS EXIGIDAS PARA ESSE ANO.


CONTATO PELO E-MAIL: fatimaassers38@hotmail.com

 
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Porposta de redação - Cativos pela violência

 
charge sobre violencia 300x240 charge sobre violencia
 
 
TEXTO I

Viver mata

Estamos criando um país de covardes.
Os muros do Brasil ficam cada vez mais altos – e cada vez mais adornados por acessórios tétricos como fios de alta tensão e lanças pontudas. Em São Paulo, apartamentos ficaram mais caros que casas. Há cada vez mais guaritas nas esquinas, cada vez mais grades nas janelas, cada vez mais holofotes nas calçadas, cada vez mais câmeras, cada vez mais voltas na fechadura e,o que mais me assusta, cada vez menos crianças brincando na rua. Os carros parecem cada dia mais com fortificações – são como jipes de guerra, isolados do mundo por detestáveis vidros fumê, que impossibilitam o contato visual. O Brasil está com medo.
Por que será?
Afinal, em termos concretos, o país não está ficando mais perigoso. Os índices de crimes violentos das nossas grandes cidades, embora continuem altos o suficiente para serem comparados sem muita desvantagem com zonas de guerra, estão caindo rapidamente. Os últimos 15 anos, que foram de estabilidade econômica e de redução da nossa astronômica desigualdade, foram também de diminuição consistente da criminalidade em boa parte do país. Mas a sensação de insegurança andou
na contramão – ela aumentou. Aumentou muito. Como explicar isso?
Talvez uma parte da história seja o grande aumento da classe média. Classe média é gente que tem algo a perder – portanto tem medo. Talvez outra parte da história seja a fixação mórbida que a sociedade da informação tem com violência. O tempo todo ouvimos histórias sanguinolentas, terríveis, assustadoras. Difícil não ter medo depois de ficar sabendo dessas coisas.
Acontece que medo é um sentimento perigoso. Mais gente com medo significa menos gente na rua – portanto mais crime. Significa mais gente armada, mais gente disposta a agredir os outros (porque comportamento agressivo é típico de gente assustada). Enfim, medo não funciona.
Eu morro de medo do efeito que esse medo pode ter no nosso futuro. Será que estamos criando uma geração de gente que não vai aprender a conviver com quem é diferente? Uma geração de gente que não cresceu na rua, que não teve que se virar gerenciando os riscos inerentes à vida? Uma geração de gente que não se garante? [...]
Viver é perigoso mesmo. Viver mata. Mas são os riscos que fazem a vida valer a pena. As ruas estão cheias de perigo – não nego isso. Mas é convivendo com esses perigos, encarando-os de olho no olho, que a gente se torna melhor, que a gente aprende a viver (“viver é conviver”, sempre diz minha tia-avó). Se o
Brasil aprender a vencer o medo, tem uma baita oportunidade de servir de exemplo para o mundo de
convivência na diversidade. Se não aprender, vai virar um país besta, sem nada de especial.

(Denis Russo Burgierman, http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo –

17/02/2010)



Texto  ll

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Responda para aprender:


1) Embora não seja recomendada em textos dissertativos e opinativos em geral, a repetição recorrente de uma mesma palavra ou expressão pode ter uma finalidade específica. No segundo parágrafo do texto II, o autor empregou a expressão “cada vez mais” diversas vezes. O que essa repetição enfatiza?
 
2) No sexto parágrafo de “Viver mata”, ao afirmar que “classe média é gente que tem algo a perder – portanto tem medo”, o autor faz uso do raciocínio dedutivo como estratégia argumentativa. Indique a premissa que está implícita nessa dedução, completando o esquema abaixo:
Premissa 1: ___________________________
 
Premissa 2: A classe média tem algo a perder.
Conclusão: Logo, a classe média tem medo.
3) Explique de que forma o texto II dialoga com o primeiro, levando em consideração a análise que Burgierman faz das causas do medo em nossa sociedade.
Proposta de redação
Redija uma dissertação argumentativa, de 25 a 30 linhas, em que se discorra sobre o medo da violência urbana. Não se esqueça de atribuir um título ao seu
 
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

NOME - ARNALDO ANTUNES: ALGUMAS LEITURAS

Este presente artigo visa à análise dos aspectos estruturais e discursivos do cd e do livro Nome, do poeta e compositor Arnldo Antunes, objetivando a leitura desta obra visceral em meio à pasmaceira pop que grassa o universo do aluno de ensino médio.


NOME - ARNALDO ANTUNES: ALGUMAS LEITURAS
Palavras chave: poesia verbivocovisual, Nome, Arnaldo Antunes, estrutura e discurso
Este presente artigo visa à análise dos aspectos estruturais e discursivos do cd e do livro Nome, do poeta e compositor Arnldo Antunes, objetivando a leitura desta obra visceral em meio à pasmaceira pop que grassa o universo do aluno de ensino médio.
Por: Sinval Santana
HÁ SEMPRE UMA LUZ DENTRO DO TÚNEL
- O AUTOR E SUA ÉPOCA:
O filósofo, sociólogo e linguista francês Roland Barthes em afirmações como:
"as palavras não são mais concebidas ilusoriamente como simples instrumentos, são lançadas como projeções, explosões, vibrações, maquinarias, sabores: a escritura faz do saber uma festa. (...) a escritura se encontra em toda parte onde as palavras têm sabor (saber e sabor têm, em latim, a mesma etimologia). (...) É esse gosto das palavras que faz o saber profundo, fecundo."
lança uma luz sobre as possibilidades poéticas que a palavra assume no universo contemporâneo, marcado pela cultura visual, pela linguagem não verbal. O mundo polifônico, as linguagens múltiplas, o mundo que o computador, a rede virtual ampliaram, ao invés de vulgarizar ou simplificar, como querem os profetas do apocalipse, revelou mais possibilidades para o gênio do artista que não se equiparam a nenhum outro momento da História. Os que insistem em ver apenas um suposto empobrecimento, ou emburrecimento, provocado pelo computador, são cérebros fossilizados, logo incapazes de perceberem a lógica do fluxo contínuo da vida.
O que não quer dizer que tudo o que se produz na rede é bom. Cabe aqui a capacidade crítica de discernimento. E também quem usa as várias possibilidades da cultura contemporânea ainda tateia a superfície. O mundo virtual, bem como suas possibilidades artísticas, não está devidamente formatado.
Ao encontrar trabalhos como o do poeta paulista Arnaldo Antunes, trabalho que explora o verbal e o não verbal, o apelo sensorial, de forma tão visceral, percebe-se que já há pessoas com maturidade para concretizar a Poética contemporânea. O Pop usa a cultura multimídia para popularizar seu trabalho, visando ao sucesso efêmero, como a promoção de shows ou filmes. Arnaldo Antunes visa à renovação da poesia, mostrando que não se faz um poema apenas para a leitura com o olhar. O poema é para o tato, a audição, a visão, o olfato e o paladar. É para os sentidos físicos absorvê-lo e enviá-lo para a degustação do intelecto.
Antes de criticar, de amaldiçoar, de esculhambar o responsável pela indicação do trabalho de Arnaldo Antunes, Nome, para os vestibulares da PUC - Goiás e da Unievangélica, dê um tempo a qualquer coisa que você está fazendo, do tipo Msn, Orkut, tire o fone do ouvido, desligue o celular, esqueça o pop/romântico, o novo filme da Marvel. Desligue-se de quaisquer ruídos, urbanos ou familiares.
Porque, primeiro: o trabalho de Arnaldo Antunes diferencia-se dos trabalhos voltados para o mercado. Não apresenta composições simples, de versos lineares e melodia adocicada. Segundo: não é para ser lido; é para der sentido. E sentido no sentido dos mestres da Poesia, mestres que o autor conhece e seu texto reconhece: do Simbolismo de Rimbaud, Verlaine e Mallarmé, ao sincretismo de Augusto dos Anjos; de Paul Valéry à poesia concreta de Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Da teoria da arbitrariedade do signo de Saussure à semiótica de Barthes. (uma informação de caráter meramente didática: Arnaldo Antunes, antes de ser um dos Titãs, foi aluno de Linguistica na USP e na PUC - Rio; não concluiu devido à carreira da banda).
- A OBRA: NOME: CD, LIVRO E VÍDEO:
Para a compreensão completa da obra carece conhecer os trabalhos em vídeo, grande parte disponível no You Tube. Quanto aos textos, é preciso estar atento ao fato de que o autor é um espírito irrequieto, não representa o estereótipo do intelectual, tradicional, tipo Drummond, com seu terno. No ensino médio já não foi o aluno convencional, produzia trabalhos performáticos e publicou seus primeiros textos. O indivíduo, acostumado ao mundo com suas convenções, há de achá-lo estranho. O leitor, acostumado às leituras tradicionais obrigatórias em escolas, há de achá-lo muito estranho.
Não é comum abrir um livro de poesia e deparar com:
Sol ouço
Observe que o título produz efeito de trocadilho: sol ouço/soluço. O jogo de palavras é a marca mais evidente, mais perceptível, do trabalho do poeta.
O caráter lúdico dos textos, seu intenso jogo de palavras, explorando as várias perspectivas da linguagem, revela a alegria do poema, tirando-lhe o caráter acadêmico e linear:
Pouco
no poema Pouco, está clara a integração forma/conteúdo. O enquadramento das palavras justifica a ideia que o poema carrega. Não se dissocia a mensagem do referente. A função poética da linguagem é fundamental para se compreender a aspecto referencial do texto.
A leitura dos dois sonetos de Nome guarda pouco da leitura do soneto tradicional apreendido nas leituras chatas de Camões em sala de aula. Não se enquadram como o soneto italiano (ABBA, ABBA, CDC, DCD) ou inglês (ABBAABBAABBACC).


porém trata-se de dois sonetos.
Considerando que, na História, o ludismo representou o movimento de reação contra a mecanização do trabalho, tirando-lhe o prazer, a alegria, na Arte o ludismo visa ao retorno do encantamento com a palavra. Em Nome, uma evidência deste aspecto encontra-se na linguagem infantil, típica dos jogos e das quadras dos tempos de criança:
Cultura
O Macaco


O macaco se parece com o homem
A macaca parece mulher
Algumas pessoas se parecem
Outras pessoas se parecem com outras
As macacas de auditório são meninas
As crianças parecem micos
Os papagaios falam o que pessoas falam
Mas não parecem pessoas
Para os cegos os papagaios parecem pessoas
O homem veio do macaco
Mas antes o macaco veio do cavalo
E o cavalo veio do gato
Então o homem veio do gato
O gato veio do coelho
Que veio do sapo
Que veio do lagarto
Então o homem veio do lagarto
O lagarto veio da borboleta
Que veio do pássaro
Que veio do peixe
Pessoas se parecem com peixes
Quando nadam
Pessoas se parecem com peixes
Quando olham o vazio
Pessoas se parecem com peixes
Quando ainda não nasceram
Pessoas se parecem com peixes
Quando fazem bolas de chiclete
Macacos desaparecem
Peixes parecem peixes
Micróbios não aparecem
Todos se parecem
Pois se diferem


O jogo de palavras remete de imediato ao Concretismo, movimento da poesia contemporânea, liderado por Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Arnaldo Antunes tem uma ligação não apenas poética, nas de amizade com os concretistas. É um filhote poético deles, sem depreciação ou demérito, afinal realizou um projeto à altura dos mestres. Hábil na conjugação dos aspectos visuais, sonoros, auditivos do signo, harmonizando significante e significado:
Dentro

Fênis
Fênis
Penix
....

A presença de elementos da poesia concreta remete à ligação do grupo com o Cubismo, vanguarda modernista do início do século XX, que propôs a renovação da poesia, pela síntese, pela poesia nominal e pela exploração da linguagem não verbal. A associação com as propostas vanguardistas do passado remontam não apenas ao Cubismo, como também ao Simbolismo de Arthur Rimbaud e Paul Verlaine:
Vogais

A negro, É branco, I vermelho, U verde, Ó azul: vogais,
Direi um dia destes vossas ocultas origens:
A, negro colete peludo das moscas infernais
Voltejando em volta de fedores que dão vertigens (...)
Rimbaud
Arte poética
Antes de qualquer coisa, música
e, para isso, prefere o Ímpar
mais vago e mais solúvel no ar,
sem nada que pese ou que pouse.
E preciso também que não vás nunca
escolher tuas palavras em ambiguidade:
nada mais caro que a canção cinzenta
onde o Indeciso se junta ao Preciso. (...)
Paul Verlaine


a obra de Arnaldo Antunes conjuga a proposta de Arthur Rimbaud à de Paul Verlaine. Basta observar o encarte do CD.
Nome ecoa outra influência acentuada, já percebida nos trabalhos dos Titãs: do livro Eu, de Augusto dos Anjos. A poesia do poeta paraibano, publicada no início do século XX, única na época, talvez por isso quase ignorada, é uma revolução na Lírica brasileira, exatamente por ser anti-lírica, apoética, por seu mau gosto, pelo vocabulário escatológico e pela sensação de estranheza que causa:
Versos Íntimos
(...)
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos
alguns poemas de nome seguem este caminho: chocam, se lidos; mais ainda, quando ouvidos:
Tato
o olho enxerga o que deseja e o que não
ouvido ouve o que deseja e o que não
o pinto duro pulsa forte como um coração
trepar é o melhor remédio pra tesão
um terço é muita penitência pra masturbação
a grávida não tem saudades da menstruação
se não consegue fazer sexo vê televisão
manteiga não se usa apenas pra passar no pão
boceta não é cu mas ambos são palavrão
gozo não significa ejaculação
o tato mais experiente é a palma da mão

o olho enxerga o que deseja e o que não
ouvido ouve o que deseja e o que não
depois de ejacular espera por outra ereção
o ânus precisa de mais lubrificação
por mais que se reprima nunca seca a secreção
o corpo não é templo, casa nem prisão
uns comem outros fodem uns cometem outros dão
por graça por esporte ou tara por amor ou não
velocidade se controla com respiração
o pau se aprofunda mais conforma a posição
o tato mais experiente é a palma da mão

o pinto duro pulsa forte como um coração
gozo não significa ejaculação
o ânus precisa de mais lubrificação
por graça por amor por tara ou pra reprodução
ouvido ouve o que deseja e o que não
velocidade se controla com respiração
trepar é o melhor remédio pra tesão
o tato mais experiente é a palma da mão
se não consegue fazer sexo vê televisão
o olho enxerga o que deseja e o que não
uns comem outros fodem uns cometem outros dão


a letra choca pelas imagens fortes, pelos referentes desagradáveis, críticos, talvez críticos demais para o ouvido acostumado à banalização e à superficialidade da cultura de massa.
A influência das teorias da Linguistica é perceptível no trabalho desde o Estruturalismo de Saussure, o conceito de arbitrariedade do signo - os nomes das coisas são convenções arbitrárias, não revelam um significado ou uma ideia da coisa:
"... não deve dar a idéia de que o significado dependa da livre escolha do que fala, porque não está ao alcance do indivíduo trocar coisa alguma num signo, uma vez esteja ele estabelecido num grupo lingüístico; queremos dizer que o significante é imotivado, isto é, arbitrário em relação ao significado, com o qual não tem nenhum laço natural na realidade."
Saussure
Nome


Algo e o nome do homem
Coisa e o nome do homem
Homem e o nome do cara
Isso e o nome da coisa
Cara e o nome do rosto
Fome e o nome do moco
Homem e o nome do troco
Osso e o nome do fóssil
Corpo e o nome do morto
Homem e o nome do outro.
Arnaldo Antunes


e da Semiótica de Charles Pierce e Roland Barthes, pela exploração dos elementos não verbais em toda a obra: observar o encarte do CD.
- CONCLUSÃO:
Lançado em 1993, Nome repercutiu na cena cultural nacional. De forma negativa, para setores menos afeitos a ventos novos e mantenedores do status quo cultural, muito Caetano e Chico. De forma positiva, pois representou uma porrada na pasmaceira pop global que atingia o auge com o programa Amigos.
Um dos principais nomes do B - Rock da década de 1980, ao lado dos outros Titâs, do Ira!, de Cazuza, de Renato Russo, de Humberto Gessinger, Arnaldo Antunes carregou, desde os trabalhos anteriores à banda e ao rock para tocar em rádios experiências performáticas, multimídia, revelando-se um vanguardista. Os Titãs traziam esta marca nas aparições na televisão e nos shows. Outra marca da banda e do compositor, que Nome apresenta, são as letras viscerais, escatológicas, que era um diferencial, se comparado ao lirismo de Renato Russo, e que são, se comparadas ao Pop atual e à poesia contemporânea reconhecida pelo stablishment cultural brasileiro.
Importante a indicação de uma obra como esta para a leitura obrigatória de vestibulares. Além de revelar uma proposta inovadora de leitura, leva o vestibulando tão afeito aos macetes e ao convencionalismo da sala de aula ao contato com uma alternativa literária aos mestres que ele considera enfadonhos. Se a apreciação do trabalho de Arnaldo Antunes for agradável, ótimo; caso contrário, o trabalho do poeta e roqueiro multimídia realizou seu objetivo.
Referências bibliográficas:
ASORNO, W. Theodor e HORKHEIMER, Max - Dialética do esclarecimento - Jorge Zahur editor
MAINGUENEAU, Dominique - Elementos da linguística para o texto literário - Martins Fontes
BACHELARD, Gaston - A poética do devaneio - Martins Fontes
D'ONOFRIO, Salvatore - Teoria do texto 2, prolegômenos e teoria da lírica e da dramática
Sites consultados:
letras.terra.com.br
educaterra.terra.com.br
pt.wikipedia.org/wiki
educacao.uol.com.br/