quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A nova família brasileira: estrutura, dificuldades e acertos.





Leia os textos  e as imagens abaixo:

Texto 1

Estruturas familiares

A família assume uma estrutura característica. Por estrutura entende-se, “uma forma de organização ou disposição de um número de componentes que se inter-relacionam de maneira específica e recorrente” (WHALEY e WONG, 1989; p. 21).  

Desse modo, a estrutura familiar compõe-se de um conjunto de indivíduos com condições e em posições, socialmente reconhecidas, e com uma interação regular e recorrente também ela, socialmente aprovada. A família pode então, assumir uma estrutura nuclear ou conjugal, que consiste em duas pessoas adultas (tradicionalmente uma mulher e um homem) e nos seus filhos, biológicos ou adotados, habitando num ambiente familiar comum. A estrutura nuclear tem uma grande capacidade de adaptação, reformulando a sua constituição, quando necessário.

Existem também famílias com uma estrutura de  pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenômenos sociais, como o  divórcio, óbito, abandono de lar, ilegitimidade ou adoção de crianças por uma só pessoa.

A  família ampliada ou  extensa (também dita  consanguíneo) é uma estrutura mais ampla, que consiste na família nuclear, mais os parentes diretos ou colaterais, existindo uma extensão das relações entre pais e filhos para avós, pais e netos.
Para além destas estruturas, existem também as por vezes denominadas de  famílias alternativas, estando entre estas as famílias  comunitárias e as famílias arco-íris, as constituídas por pessoas LGBT - lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros -e os seus filhos.

As  famílias comunitárias, ao contrário dos sistemas familiares tradicionais, onde a total responsabilidade pela criação e educação das crianças se cinge aos pais e à escola, nestas famílias, o papel dos pais é
descentralizado, sendo as crianças da responsabilidade de todos os membros adultos

Texto 2



Texto 3

“Pela primeira vez, lares com formação tradicional deixam de ser maioria no país.”

(Jornal O Globo 26/08/12)
Na esfera legal, tabeliã autorizou a união estável entre um homem e duas mulheres.
Na novela, três mulheres resolvem fazer um contrato  para dividirem as atenções do seu amado.
No Fantástico (26/08), juntaram-se realidade e ficção. Juristas entrevistados, representando o nosso Estado laico, não expõem em suas falas nenhum tipo de sentimento religioso e concluem: a união estável não é casamento e, assim, vale o acordo firmado entre as partes envolvidas.
Não faltarão vozes que gritarão: O fim dos tempos! O fim das famílias!
Mas, na edição de domingo (26/08), do jornal “O Globo”, noticia-se que, no Brasil, a família tradicional (composta por pai, mãe e filho) deixou de ser maioria para outros tipos de famílias.

Texto 4

A nova cara da família brasileira

Em 15 anos, número de casais com filhos caiu 11,2% no país. Relatório mostra que outros arranjos familiares vêm ganhando força.
As famílias brasileiras estão se transformando. Em 15 anos, entre 1992 e 2007, o número de casais com filhos, o estereótipo da família tradicional, caiu 11,2%. A queda foi compensada pelo aumento dos novos arranjos familiares: casais sem filhos, mulheres solteiras, mães com filhos, homens solteiros e pais com filhos. Os dados fazem parte do Relatório de Desenvolvimento Humano 2010, divulgado na terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A nova organização familiar, contudo, não se relaciona com o fato de 23% dos brasileiros temerem a violência dentro de casa.
As famílias são apontadas pelos brasileiros como principais responsáveis por ensinar os valores. A passagem desses conceitos, contudo, independe das diversas e dinâmicas estruturas familiares, pois o afeto é um ponto nevrálgico. “O ponto central é a carga de afetividade gerada pela família, que permite aos pais influência, pelo menos inicial, na formação dos valores dos filhos”, diz o estudo.
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Perfis estão nos carros
Virou febre. Nas ruas, se tornou comum ver adesivos colados nos carros como forma de mostrar a organização das famílias brasileiras. Observam-se desde as famílias tradicionais, com pai, mãe e filhos, até os novos arranjos que cresceram nos últimos 15 anos no Brasil, como mães ou pais solteiros que criam os filhos.
A proprietária do sebo Leituras, no Centro de Curitiba, Angelita Gomes Cardoso, afirma que, em geral, famílias tradicionais compram mais adesivos. “É difícil ver só uma mãe comprar o adesivo dela e do filho. O mais comum é levar de todos, até do avô e da avó”, relata.
Por outro lado, Angelita diz que as pessoas que não se encaixam no padrão não demonstram timidez na hora de comprar e usar os adesivos. “Me lembro de uma moça que veio aqui e pegou de uma mulher e de sua filha”, afirma a proprietária do sebo. O fato de os “bonequinhos” serem vendidos separadamente facilita e amplia o mercado do produto. “Está tudo separadinho para facilitar a montagem”, diz Angelita.
Movimento
Há um mês, seis ou sete famílias entravam diariamente no sebo para comprar os adesivos. Atualmente, o movimento diminuiu. “Nós até mudamos a forma de exposição. Antes ficava em pastas, junto com os outros adesivos. Mas, como a procura estava muito grande, nós colocamos em exposição no balcão.”
Segundo Flavio Comim, coordenador do relatório, as famílias reconstituídas vivem, em geral, com pressões adicionais. “Existem novas dificuldades a ser superadas em cada caso, como por exemplo a gravidez precoce”, afirma. No entanto, o fato de uma criança ser criada sem a presença dos pais não implica em dificuldade para transmissão dos valores. “Nossa definição de família é de uma rede de cuidados e de afeto. Se não houver isso, não adianta ser criado por pai e mãe ao lado dos irmãos”, diz.
Para a mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência Vera Regina Miranda, outra palavra-chave determina a passagem de valores: limite. “São dois pontos importantes para o desenvolvimento e a estruturação da personalidade. O limite auxilia na socialização, e o afeto dá estrutura”, comenta. Conciliar esses aspectos é fundamental, independentemente do tipo de família.
O psicanalista e professor de Psicologia Leonardo Ferrari afirma que, embora seja positivo receber afeto, não se pode generalizar. “Quando se analisa o ser humano, vê-se mais de perto as particularidades de cada um”, diz. “Funda-mental é saber como cada um vai transformar o afeto que recebe.”
A auxiliar de serviços gerais Marisa Cosmo do Nascimento, 33 anos, cria sozinha as duas filhas, de 7 e 10 anos, desde o nascimento da caçula. “Ele disse que não teria condições de criar outra filha. Tive de escolher entre meu casamento e as minhas filhas”, conta. “Conheço famílias com pai e mãe que não são estruturadas como a minha.” Para isso, ela tem o apoio de outros membros da família. “Minhas filhas são muito apegadas ao meu irmão e ao padrinho. Buscam uma figura masculina, que corresponde ao amor delas”, diz.
As novas famílias integram a realidade brasileira de tal modo que a nova Lei de Adoção já valoriza o conceito de família estendida. A criação por avós maternos e paternos, tios e tias ou duplas de homossexuais já é aceita. “O mais importante é valorizar quem dá carinho”, diz Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.



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