sexta-feira, 22 de junho de 2012

PARTES FUNDAMENTAIS DA DISSERTAÇÃO – TIPOS DE PARÁGRAFOS


 


A INTRODUÇÃO

            A introdução, dando início ao texto dissertativo, apresenta os dados fundamentais ou uma tese levantada pelo autor, levando ao leitor a um contato prévio com o assunto enfocado. Ela deve ser bem redigida, de tal forma que desperte e prenda a atenção do leitor, motivando-lhe o interesse pelo que vem a seguir (o desenvolvimento). Assim sendo, embora não haja fórmula pronta, acabada e eficaz para uma boa redação, existem alguns procedimentos que ajudam a redigir o parágrafo introdutório para um texto dissertativo. Alguns exemplos:

            1º) Apresentando a conceituação de algum objeto (real ou imaginário, concreto ou abstrato), sob um determinado ponto de vista :

            “Para as sociedades indígenas a terra é muito mais do que um simples meio de subsistência. Ela representa o suporte da vida social e está diretamente ligada ao sistema de crenças e conhecimentos. Não é apenas um recurso natural mas - é tão importante quanto este - um recurso sociocultural.” 
{RAMOS, Alcida R. Sociedades indígenas. p. 13, negritos meus}

            2º) Jogando-se com a oposição entre ideias :

            Os ricos sabem muito mais que os pobres. Pobreza é ignorância vivem coladas como irmãs siamesas. Uma produz a outra. Uma se alimenta da outra. A Unesco identificou esta cumplicidade em recente relatório sobre a situação da ciência no mundo. A entidade detectou que a crescente diferença entre os países ricos e os pobres é uma diferença de conhecimentos.”
{ MONTSERRAT  Filho. José. “A ciência para todos”. IN: Suplemento  de Ecologia e Desenvolvimento, n. 38. Abril de 1994. p. 5. Negritos meus}

3) Introduzindo o tema caracterizando o espaço, os ambientes ou as situações :
            “A imagem de uma nuvem marrom em cima da cidade ou a visão da fumaça negra que sai do escapamento de veículos é comum nas grandes cidades. As megalópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, têm no céu, praticamente o ano todo, uma nuvem cobrindo os prédios, que fica bem nítida no meio da manhã.”
(D’AVIGNON, Alexandre. “Gás natural: prós e contras.” IN: Suplemento de Ecologia e Desenvolvimento, 1994)

4) Introduzindo o tema através da apresentação de dados estatísticos, dos quais o redator tomou conhecimento:
            “Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1989 indicava dados estarrecedores sobre a destinação final do lixo no brasil. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, das 4.500 empresas de limpeza pública na totalidade dos municípios brasileiros, apenas 58 participavam de algum tipo de coleta seletiva. Das 96 mil toneladas de lixo coletadas por dia no País, 86% iam direto para vazadouros a céu aberto ou para áreas alagadas, 10% para aterros controlados e só 2% eram destinadas à incineração ou a usinas de beneficiamento.”
(TERRA, Patrícia. “A hora de transformar.” IN: Suplemento de Ecologia e Desenvolvimento, 1994).


5) Apresentando uma tese a ser defendida :

             O ser humano, que sempre dominou certas espécies da flora e da fauna como pragas, se depara com a pior de todas - o próprio reflexo no espelho. Ao longo de toda a sua história, deixou uma marca de destruição na extinção de espécies, nas guerras, no uso indiscriminado dos recursos naturais e da tecnologia. Marcas que o colocaram frente a uma situação nunca antes vista. Este ser racional se tornou escravo das doenças, da miséria, da fome, do medo, da tecnologia.”
(PERTILE, Rosângela de Almeida. “Homo Sapiens : a endemia do caos.” IN: Ponto de Vista. Suplemento de Ecologia e desenvolvimento. nº 43, setembro de 1994. p. 26. negritos meus)

6) Através do raciocínio analógico, com o uso da linguagem metafórica, figurada :

            A sociedade humana é, até certo ponto, como a “sociedade das palavras”; assim como existem indivíduos marginais, há palavras marginalizadas; assim como há pessoas sem trabalho, também existem palavras desempregadas.”

O DESENVOLVIMENTO

            O desenvolvimento de um texto está relacionado à capacidade de seu autor ordenar progressivamente as ideias, as opiniões, os argumentos que usa para defender um determinado ponto de vista. Assim, a fundamentação de uma ideia, de um argumento, deve ser coerente com a proposição temática e sustentada através de provas ou exemplos. O desenvolvimento de uma dissertação deve, então, resultar num conjunto, num todo coeso e coerente, de acordo, com a sucessão de ideias ou argumentos. Existem alguns procedimentos usuais na redação de parágrafos dissertativos, quer sejam expositivos, quer argumentativos. Entre esses procedimentos, destacam-se:

1º.) O levantamento de uma hipótese, que, no plano sintático do texto, aparece introduzida por oração subordinada adverbial condicional, marcada pelo emprego das conjunções “se” ou “caso”, ou pela oração reduzida equivalente. O raciocínio lógico subjacente é “se isso... Logo aquilo”, como no exemplo abaixo :

            “Em Xangai, se consumismo não engoliu o comunismo, pelo menos ocupa o tempo das multidões. Televisores enormes equilibram-se nas bicicletas, há bips em todas as cinturas, os celulares são brandidos até pelos humildes operadores de riquixás, Há os consumidores de Chanel nº. 5, Yves Saint Laurent e BMW, ricos gastando por toda parte. Mas em Xangai o povão mergulha no consumismo.
{CASTRO, Claudio de M. “E se o consumismo engolir o comunismo?”.
IN: Ensaio, Revista Veja, 16 de Outubro de 1996, negritos meus}

2º.) A refutação de ideias, juízos, citações, provérbios etc. Nesse caso, o redator cita o discurso do outro para, logo em seguida, contra-argumentar, sustentando sua opinião através de uma prova (p. ex.: dados estatísticos) ou de evidências.   Exemplo:

            “O argumento privativista parte do princípio de que a universidade pública no Brasil é demasiado cara e serve aos ricos. Levantamentos socioeconômicos recentes mostram, no entanto, que há cada vez mais um predomínio e um avanço progressivo dos alunos com renda familiar inferior a dez salários mínimos.”
{ José Martins Filho. Reitor da Unicamp. IN: Seção “Polêmica”. Revista Istoé. Negritos Meus}

3º.) A comparação ou a analogia entre duas situações distintas, que pode ser feita em um só parágrafo, ou em dois, como no exemplo abaixo :

“Nos Estados Unidos, um país protestante, um dos principais signos de poder é uma vida virtuosa aos olhos de um Deus pronto para castigar. É por isso que lá os políticos procuram exibir uma imagem de correção que inclui fidelidade sexual e a citação na Bíblia como fonte inspiração política. (...).
No Brasil católico, ao contrário, como em outras culturas machistas, há um sinal de poder muito mais importante e bastante humano: mostrar que é mesmo homem. Para isso, os políticos projetam uma imagem de virilidade heterossexual que mostre que são suficientemente machos para governar.”
{EEP, Michael. “Virilidade e poder.” IN: “Mais!”, Folha de São Paulo, 15 de Junho de 1997, p. 12, negritos meus}

4) Desenvolvendo o tema através da perspectiva histórica (que não deve ser introduzida por chavões do tipo “Desde os primórdios...”, traçando-se uma trajetória de um determinado fato através de uma linha temporal. Exemplo :

            Dos anos 60 aos anos 90, os setores envolvidos com reflorestamento no Rio de Janeiro conseguiram algumas realizações: organizaram-se, surgiram quadros e instituições atuantes. Mas plantou-se relativamente pouco e com grandes perdas. Dificuldades político-financeiro e sociais são as causas do desempenho discreto.”
(CASTOR, Antônios. IN: Suplemento de Ecologia e Desenvolvimento,1995.)

5) Desenvolvendo o tema com a introdução de questionamentos, através do emprego de frases interrogativas. Esse procedimento deve ser usado com parcimônia, sem exageros. Deve ser um elemento motivador de reflexões acerca de um determinado tema. Exemplo :

            “O que é Arte? O que é mercadoria? A música sertaneja produzida no Brasil, nos últimos anos, é Arte ou simplesmente mercadoria? Se se parte do princípio de que Arte é tudo quilo que, não susceptível de ser produzido em série, tem uma finalidade estético-cultural e não visa ao consumo imediato, observa-se que a atual (pseudo) música sertaneja, aliás “country”, não passa de uma mercadoria vendável aos consumidores mais incautos, desprovidos de maior formação cultural.

            De fato, a proliferação das duplas caipiras no mercado fonográfico indicia a transformação do sentimento sertanejo num negócio rentável: o “caipira” virou “cowboy” , e a música sertaneja se travestiu de “sertanejo pop”, numa imitação terceiro-mundista do estilo “country made in U.S.A”.  


6) A conceituação de um dado objeto sob determinado ponto de vista :

            “Psicologia é o conjunto de conhecimentos que servem para nos conhecermos a nós mesmos e compreender os modos de ser (pensar, sentir e fazer) de nossos semelhantes, ou seja, é o estudo das funções mentais e das atividades pessoais. (...)”
(MIRA Y LÓPEZ, Psicologia geral , p. 13)

7) A bilateralidade, enfocando-se um determinado tema sob dois pontos de vista contrários :

            Ex.: “A demarcação das terras indígenas do ponto de vista do índio e do ponto de vista do “homem branco”.

8) Argumento de exemplificação (Ilustração)
            “A televisão define um tipo de relação absolutamente singular: ao contrário do que acontece com as artes do movimento, que sempre reivindicaram a ação do corpo - como é o caso da dança -, a televisão é uma técnica do movimento, que age sobre um corpo em repouso.”

Sucesso sempre!



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